A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), deflagrou na manhã desta sexta-feira (6.6) a Operação Cooptatione, para cumprimento de quatro ordens judiciais com objetivo de desmantelar uma associação criminosa voltada ao tráfico interestadual de entorpecentes. A ação resultou no cumprimento de mandados de prisão preventiva em desfavor dos principais investigados e na coleta de novos elementos probatórios.
O nome da operação, Cooptatione, que significa recrutamento, remete à estratégia adotada pelo grupo criminoso, que consistia na cooptação de motoristas de caminhão para o transporte de cargas de drogas entre Mato Grosso e outros estados da federação, como Bahia, Maranhão, Distrito Federal e São Paulo.
A investigação teve início após o flagrante realizado no dia 08 de maio de 2023, quando policiais militares, durante patrulhamento na Rodovia dos Imigrantes, em Várzea Grande, observaram uma carreta Scania azul, placa RPI1J00, estacionada em local isolado no pátio do Posto Imigrantes. Ao abordar o motorista, os militares notaram que ele estava nervoso. Os policiais fizeram, então, buscas no interior do veículo, encontrando 20 tabletes de cocaína escondidos na estrutura da carreta.
Na ocasião, foi apreendido um aparelho celular Motorola, de cor branca, pertencente ao condutor. Com autorização do investigado, o aparelho foi submetido à análise autorizada judicialmente, revelando uma ampla rede de contatos, logística e organização voltada à remessa de drogas para diversos estados do país.
A análise do conteúdo do aparelho identificou comunicações com diversos interlocutores, entre eles os dois alvos da operação, os quais detalhavam negociações, valores, rotas e datas de transporte dos carregamentos ilícitos. A atuação da organização envolvia promessas de pagamento por carga transportada, antecipações em espécie, instruções de rota e pontos de entrega, evidenciando estrutura hierárquica e divisão de funções típicas de organização criminosa.
Diante da robustez das provas, a delegado da Denarc, André Rigonato, representou pelas prisões preventivas dos principais envolvidos, cujos mandados foram cumpridos nesta data. A operação contou com o apoio de equipes da Polícia Civil, Polícia Penal e outras unidades especializadas. Na época dos fatos, o motorista foi indiciado somente por tráfico de drogas, porém com o avanço das investigações ele também responderá por associação para o tráfico.
“A Operação Cooptatione é resultado de um trabalho técnico de investigação, inteligência e articulação institucional, que busca neutralizar o tráfico interestadual que parte da região metropolitana de Cuiabá para diversos estados da federação”, destacou o delegado responsável pelo caso.
A Polícia Civil reafirma seu compromisso com o combate ao tráfico de drogas e informa que novas diligências seguem em andamento. A investigação será devidamente relatada ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para o prosseguimento da ação penal.
A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu preventivamente, na manhã desta sexta-feira (24.4), uma enfermeira de 38 anos, proprietária de uma clínica de estética localizada no bairro Jardim Europa, em Cuiabá, suspeita de exercício ilegal da medicina, além da prática de crimes contra a saúde pública mediante a comercialização e utilização de medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A investigação, realizada pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), teve início após denúncia registrada junto à Vigilância Sanitária Municipal de Cuiabá, que apontava irregularidades graves nos procedimentos realizados na clínica.
Durante fiscalização conjunta, foram constatadas diversas infrações sanitárias, incluindo a realização de procedimentos estéticos invasivos, como aplicação de Plasma Rico em Plaquetas (PRP), ozonioterapia e soroterapia, que são privativos de profissionais médicos. Todos os procedimentos eram executados pela investigada, que é enfermeira de formação.
Além disso, foram encontrados medicamentos vencidos, produtos de origem estrangeira sem registro no Brasil e substâncias proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como toxina botulínica de fabricação sul-coreana e outros fármacos utilizados de forma irregular. Os produtos eram armazenados em condições inadequadas, sem controle sanitário e parte deles teria sido importada ilegalmente.
“As fiscalizações também evidenciaram que a clínica funcionava sem alvará sanitário, sem controle adequado de resíduos e sem condições mínimas de biossegurança, expondo pacientes a riscos de contaminação por doenças graves”, afirmou o delegado titular da Decon, Rogério Ferreira.
Segundo o delegado, a manipulação de sangue em ambiente impróprio, especialmente nos procedimentos de PRP, aumentava significativamente o risco de contaminação cruzada, infecções severas, necroses e até morte.
Mesmo após a interdição do estabelecimento pela Vigilância Sanitária, a investigada teria continuado suas atividades de forma clandestina, retirando equipamentos do local interditado durante a noite e passando a atender pacientes em outros endereços, inclusive em clínicas não regularizadas, além de tentar abrir uma nova unidade com outro nome, também localizada no Jardim Europa, sem autorização dos órgãos competentes.
As investigações também apontaram que a suspeita se apresentava nas redes sociais como “Dra.”, divulgando procedimentos invasivos em regiões como rosto, glúteos e seios, atraindo pacientes mediante pagamento antecipado via Pix, sem qualquer comprovação de habilitação médica para tais práticas.
Além da prisão preventiva decretada pelo Poder Judiciário, a pedido do delegado titular da Decon, foram determinadas diversas medidas cautelares, incluindo o cumprimento de mandado de busca e apreensão, a interdição imediata da clínica de estética, a suspensão do registro da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), a suspensão das redes sociais da investigada e de seu registro profissional junto ao Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT).
A investigada também já possuía passagem pela polícia por tráfico de drogas e estava usando tornozeleira eletrônica no momento da prisão nesta sexta-feira (24.4).
Segundo o delegado Rogério Ferreira, as investigações continuam e outros profissionais da área de estética que estiverem praticando exercício ilegal da medicina, bem como utilizando ou comercializando medicamentos irregulares, especialmente produtos voltados para emagrecimento, poderão ser alvo de novas operações policiais, inclusive com representação por prisão preventiva.
Denúncias
Denúncias sobre exercício ilegal da medicina ou comercialização de medicamentos irregulares podem ser feitas pela população por meio do telefone 197, pela Delegacia Digital ou pessoalmente em qualquer delegacia de polícia.
Também é possível procurar diretamente a Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor – Decon, localizada na Rua General Otávio Neves, nº 69, bairro Duque de Caxias I, em Cuiabá, de segunda a sexta-feira, em horário comercial, ou pelo e-mail [email protected].
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