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Porto de Santos bate recorde histórico e inicia 2026 com maior movimentação de cargas já registrada

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Porto de Santos registra melhor janeiro da história com alta de 9,5% na movimentação

O Porto de Santos, o maior complexo portuário da América Latina, começou 2026 com recorde histórico de movimentação, registrando 12,7 milhões de toneladas de cargas em janeiro. O volume é 9,5% superior ao mesmo mês de 2025 (11,6 milhões) e 6,8% acima do recorde anterior, de 2024, quando foram movimentadas 11,9 milhões de toneladas.

Mesmo sendo tradicionalmente o mês de menor atividade portuária — devido a fatores climáticos e à sazonalidade das exportações —, o desempenho surpreendeu e consolidou o melhor início de ano da história do porto administrado pela Autoridade Portuária de Santos (APS).

Agronegócio lidera expansão com soja e açúcar em alta

Os bons resultados de janeiro foram impulsionados principalmente pelo agronegócio, que manteve ritmo forte de embarques. O destaque ficou com o açúcar, que reverteu a tendência de queda observada em 2025, com alta de 36,8% no volume exportado, totalizando 1,57 milhão de toneladas.

Outro destaque foi o complexo soja (grãos e farelo), que registrou crescimento de 79,6% em relação a janeiro de 2025, alcançando 1,56 milhão de toneladas embarcadas. O desempenho reflete a maior disponibilidade do produto no mercado interno e a demanda internacional aquecida, especialmente da China, principal destino das exportações brasileiras do setor.

Movimentação de contêineres e atracações também batem recorde

Além dos granéis agrícolas, o movimento de contêineres também atingiu novo recorde. Foram 467 mil TEU movimentados em janeiro, 1,4% acima do resultado de 2024. O número de atracações cresceu de 435 para 446 embarcações, um avanço de 2,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

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Apesar do crescimento expressivo na movimentação total, a participação do Porto de Santos na corrente comercial brasileira teve leve recuo, passando de 29,6% para 29,5% — ainda assim, mantendo-se como o principal canal de escoamento do comércio exterior nacional.

Autoridade Portuária destaca planejamento e expansão da infraestrutura

O presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, comemorou os resultados e destacou o papel do planejamento estratégico na expansão da capacidade operacional.

“É mais uma boa notícia, que confirma que os bons resultados alcançados até o momento não foram sorte, mas fruto de planejamento”, afirmou Pomini.

“Acabamos de receber do governo federal a aprovação da ampliação da área do Porto de Santos, o que vai garantir que novos recordes continuem sendo alcançados nos próximos anos”, completou.

O projeto de ampliação integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e prevê novos investimentos em terminais e dragagem, reforçando o papel do porto como principal porta de saída das exportações brasileiras.

Cenário econômico: Banco Central projeta crescimento moderado e inflação sob controle

Segundo o Banco Central do Brasil, o país entra em 2026 com crescimento moderado da atividade econômica e inflação em trajetória de convergência para a meta. No Relatório de Inflação divulgado em fevereiro, a projeção de crescimento do PIB para o ano foi mantida em 1,8%, com inflação estimada em 4,2%, ainda ligeiramente acima do centro da meta (3%).

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A política monetária segue em ajuste gradual, com a taxa Selic em 9,25% ao ano, buscando equilibrar o controle de preços com o estímulo à produção e ao investimento. Esse contexto macroeconômico tende a favorecer as exportações e a logística portuária, especialmente em setores de maior competitividade internacional, como o agronegócio e a indústria química.

Perspectivas para 2026: continuidade do crescimento e foco em eficiência logística

Com recorde histórico já no primeiro mês do ano, as expectativas para 2026 são positivas. O Porto de Santos deve seguir crescendo em ritmo sustentável, impulsionado pela demanda global por commodities agrícolas e pelos novos investimentos em infraestrutura e tecnologia.

Os próximos meses também serão marcados pela entrada de novos terminais de contêineres e pelo avanço de projetos de descarbonização e digitalização das operações portuárias, reforçando o papel do porto como hub logístico estratégico para o Brasil e a América do Sul.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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