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Preço do leite recua com oferta elevada e demanda enfraquecida, aponta boletim do Cepea

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O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) divulgou nesta terça-feira (19) o Boletim do Leite de agosto, com uma análise detalhada do mercado lácteo brasileiro. O relatório mostra que a oferta segue em crescimento, enquanto a demanda permanece fragilizada, o que pressiona os preços pagos ao produtor e as cotações no atacado.

Produção em alta pressiona preços no campo

Segundo levantamento do Cepea, o preço do leite captado em junho ficou em R$ 2,6474/litro na chamada “Média Brasil”. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) avançou 3,31% entre maio e junho e acumula alta expressiva de 31,2% nos últimos 13 meses. O cenário atual indica que a oferta supera a demanda, mantendo pressão de baixa sobre os valores pagos ao produtor.

Demanda fraca mantém cotações contidas em julho

O levantamento do Cepea, realizado em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), mostra que o preço médio do leite UHT negociado entre indústrias e canais de distribuição em São Paulo foi de R$ 4,39/litro em julho, uma leve alta mensal de 0,93%, mas queda de 7,45% em relação a 2024.

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Já o leite em pó apresentou retração de 0,14% na comparação mensal e de 2,56% no anual, cotado a R$ 30,89/kg. No caso do queijo muçarela, as quedas foram de 0,86% no mês e de 2,05% no ano, com o quilo negociado a R$ 32,29 (valores deflacionados pelo IPCA de julho/25).

Comércio exterior de lácteos cresce, mas segue abaixo de 2024

As importações brasileiras de lácteos somaram 177,01 milhões de litros equivalente leite em julho, alta de 10,34% frente ao mês anterior. Já as exportações aumentaram 8,26%, totalizando 5,58 milhões de litros equivalente leite.

Apesar da expansão, o déficit da balança comercial de lácteos também cresceu, avançando 10,4% para 171,43 milhões de litros equivalente leite. Em valores, o aumento foi de 5,7%, chegando a US$ 76,34 milhões.

Custos de produção registram queda na “Média Brasil”

Os custos de produção voltaram a cair em julho. O Custo Operacional Efetivo (COE) recuou 0,59% na média Brasil, com resultados distintos entre as praças monitoradas. Houve alta em São Paulo e Santa Catarina, enquanto Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Goiás e Bahia registraram retração.

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Boletim do Leite do Cepea

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Receita das cooperativas do agro cresce R$ 49 bilhões

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As cooperativas agropecuárias brasileiras ampliaram a receita em aproximadamente R$ 49 bilhões em 2025, mas encerraram o ano com redução nas sobras destinadas aos associados. O resultado mostra que o crescimento das operações não foi suficiente para compensar o aumento dos custos financeiros, industriais e logísticos enfrentados pelo setor.

Os dados estão no Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, divulgado na sexta-feira (31.07) pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

A movimentação financeira das cooperativas do agro passou de aproximadamente R$ 438,2 bilhões em 2024 para R$ 487,3 bilhões no ano passado, crescimento de 11,2%.

As sobras fizeram o caminho inverso. O valor caiu de cerca de R$ 30,2 bilhões para R$ 29,2 bilhões, redução de 3,3%. Na prática, o setor movimentou mais dinheiro, mas terminou o exercício com aproximadamente R$ 1 bilhão a menos em resultados.

No cooperativismo, as sobras correspondem ao valor que permanece depois do pagamento dos custos, despesas e obrigações. A assembleia dos associados decide quanto será distribuído aos cooperados e quanto ficará na organização para reforçar o capital, formar reservas ou financiar novos investimentos.

O valor recebido por cada associado costuma ser calculado de acordo com sua movimentação. Podem ser considerados o volume de produção entregue, as compras realizadas e a utilização dos serviços oferecidos pela cooperativa.

A queda das sobras ocorre em um momento de margens apertadas no campo. Juros elevados, custos de armazenagem e transporte, despesas industriais e preços menores para algumas commodities pressionaram os resultados das cooperativas e dos produtores.

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A relação entre as sobras e a movimentação financeira caiu de aproximadamente 6,9% em 2024 para 6% em 2025. O indicador não equivale à margem de lucro de uma empresa convencional, mas ajuda a mostrar que uma parcela maior da receita foi absorvida pelas despesas.

Mesmo com a redução no resultado, o agro manteve ampla liderança dentro do cooperativismo nacional. O segmento respondeu por 57,4% de toda a movimentação financeira das cooperativas brasileiras.

O País encerrou 2025 com 1.254 cooperativas agropecuárias e 1,13 milhão de produtores associados. Essas organizações mantiveram 277,2 mil empregos diretos, quase metade dos postos de trabalho gerados por todo o sistema cooperativista.

A importância para o produtor vai além da comercialização. As cooperativas participam de 53% da produção brasileira de grãos, possuem 25% da capacidade nacional de armazenagem e respondem por 22% da carteira de crédito rural, segundo o anuário.

Essa estrutura permite que produtores negociem insumos em maior escala, armazenem a colheita, industrializem matérias-primas e vendam a produção de forma conjunta. Em regiões com pouca concorrência ou infraestrutura insuficiente, a cooperativa pode ser o principal canal de acesso a crédito, assistência técnica e mercado.

O segmento mantinha 10,7 mil profissionais de assistência técnica e extensão rural em 2025. São agrônomos, veterinários, técnicos agrícolas e outros profissionais que atendem os associados no planejamento das lavouras, na sanidade dos rebanhos e na gestão das propriedades.

Os ativos das cooperativas agropecuárias chegaram a R$ 340,1 bilhões, alta de 10,6%. O valor inclui armazéns, indústrias, máquinas, estoques, créditos e outros bens e direitos controlados pelas organizações.

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O crescimento patrimonial pode ampliar a capacidade de receber, processar e comercializar a produção. Ao mesmo tempo, exige capital para manter as estruturas em funcionamento, especialmente em um período de juros elevados.

No mercado externo, 140 cooperativas venderam aproximadamente R$ 96 bilhões em produtos em 2025. O volume representou 10,3% das vendas internacionais do agronegócio brasileiro.

Café, carnes de aves e suínos, farelo e óleo de soja ficaram entre os principais produtos comercializados. China, Japão, Estados Unidos, Alemanha e Países Baixos foram os maiores destinos.

A participação internacional, porém, está concentrada. Apenas dez cooperativas responderam por 67% do valor vendido ao exterior. O dado mostra que a maior parte das organizações ainda enfrenta dificuldades para alcançar outros países, seja por falta de escala, estrutura logística, certificações ou regularidade na oferta.

Para o produtor, o desempenho de uma cooperativa não deve ser avaliado apenas pelo faturamento. Preço pago pela produção, custo dos insumos, qualidade da assistência técnica, capacidade de armazenagem, nível de endividamento e sobras devolvidas ao associado são indicadores mais próximos do resultado efetivo dentro da propriedade.

Considerando todos os ramos, o cooperativismo brasileiro movimentou R$ 848,4 bilhões em 2025. O sistema reuniu 4.400 cooperativas, 29 milhões de associados e 613,4 mil empregados. O agro permaneceu como o principal responsável pelas receitas e pelos empregos.

Fonte: Pensar Agro

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