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Preço do trigo segue sustentado no Brasil com oferta restrita e câmbio valorizado

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O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana com preços sustentados pela baixa disponibilidade da safra velha e pelo câmbio valorizado, fatores que elevaram os custos de reposição do cereal importado. Apesar desse suporte, a paridade de importação continua limitando movimentos mais expressivos de valorização no mercado doméstico.

De acordo com análise da Safras & Mercado, a comercialização permaneceu lenta, com negociações concentradas em compras pontuais realizadas pelos moinhos. Do lado da oferta, produtores e detentores de estoques mantiveram postura firme, diante da escassez do produto disponível no mercado.

Oferta reduzida sustenta preços do trigo no mercado interno

A disponibilidade limitada da safra 2025/26 segue sendo o principal fator de sustentação dos preços no Brasil. Com os estoques remanescentes cada vez mais enxutos, especialmente nas mãos dos produtores, os compradores encontram dificuldades para ampliar o volume de aquisições sem elevar significativamente os preços.

No mercado físico, as referências apresentaram pouca variação em relação à semana anterior. No Paraná, principal estado produtor do cereal, as indicações ficaram próximas de R$ 1.430 por tonelada FOB. Já no Rio Grande do Sul, os negócios foram registrados ao redor de R$ 1.355 por tonelada FOB.

Ao longo da semana, o dólar oscilou entre R$ 5,09 e R$ 5,18, elevando o custo das importações e contribuindo para manter a competitividade do trigo nacional frente ao produto estrangeiro.

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Trigo argentino continua limitando avanços das cotações

Embora o cenário de oferta restrita favoreça preços mais firmes, a presença do trigo importado segue funcionando como um limitador para novas altas.

Segundo a Safras & Mercado, o cereal argentino continua competitivo nos principais centros consumidores brasileiros, reduzindo o espaço para reajustes mais expressivos nas negociações domésticas.

Atualmente, o trigo nacional mantém uma leve vantagem competitiva em algumas regiões, mas a diferença de preços em relação ao produto importado permanece estreita, o que impede movimentos mais fortes de valorização.

Principais praças registram estabilidade nos preços

Entre os principais mercados consumidores do país, os preços de compra apresentaram estabilidade ao longo da semana.

As indicações ficaram em:

  • Curitiba (PR): R$ 1.460 por tonelada;
  • Porto Alegre (RS): R$ 1.440 por tonelada;
  • São Paulo (SP): R$ 1.647 por tonelada;
  • Brasília (DF): R$ 1.590 por tonelada.

Na comparação mensal, os preços acumulam avanços entre 0,6% e 4,4%, refletindo a menor disponibilidade de produto no mercado interno. Já na comparação anual, o desempenho varia conforme a região analisada.

Mercado de balcão registra recuperação mais forte

Enquanto o mercado de lotes apresentou estabilidade, o segmento de balcão registrou valorização mais significativa nos últimos dias.

No Paraná, as cotações passaram da faixa entre R$ 63 e R$ 66 para aproximadamente R$ 70 por saca de 60 quilos. No Rio Grande do Sul, os preços avançaram de cerca de R$ 60 para R$ 69 por saca.

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O movimento reflete a dificuldade de reposição enfrentada por compradores locais e a redução dos volumes disponíveis da safra antiga.

Transição entre safras será determinante para o mercado

O setor acompanha agora a transição entre a safra velha, praticamente esgotada, e a nova temporada, que ainda está em fase de implantação nas principais regiões produtoras.

A expectativa é de que a combinação entre oferta restrita e dólar valorizado continue sustentando os preços no curto prazo. No entanto, com o avanço do desenvolvimento das lavouras e a aproximação da colheita da nova safra, o mercado poderá passar por ajustes.

Caso as condições climáticas permaneçam favoráveis e a produção se confirme dentro das expectativas, a entrada do novo trigo brasileiro tende a ampliar a oferta e exercer pressão sobre as cotações a partir do último trimestre do ano.

Perspectivas para o trigo em 2026

O mercado de trigo segue operando em equilíbrio delicado entre uma oferta interna reduzida e a competitividade do cereal importado. Enquanto os estoques remanescentes garantem sustentação aos preços, a proximidade da nova safra e a concorrência do trigo argentino limitam movimentos mais agressivos de valorização.

Diante desse cenário, produtores, moinhos e agentes da cadeia permanecem atentos ao comportamento do câmbio, ao desenvolvimento das lavouras e ao ritmo das importações, fatores que devem definir a trajetória dos preços nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Etanol de milho cresce 50% e leva agroindústria novo patamar

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A produção de etanol de milho deverá superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de litros em Goiás. A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, crescimento de 50,6% em relação aos 782,6 milhões de litros produzidos no ciclo anterior.

Os números constam do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar e biocombustíveis, divulgado em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em apenas uma temporada, a indústria goiana deverá acrescentar cerca de 396 milhões de litros à produção de etanol de milho.

A expansão muda o papel do cereal na economia estadual. Além de abastecer granjas, confinamentos, fábricas de ração e o mercado externo, uma parcela crescente da safra passa a ser processada dentro de Goiás. Com isso, o milho deixa de ser comercializado apenas como matéria-prima e passa a gerar combustível, óleo vegetal e produtos destinados à alimentação animal.

Somadas as produções provenientes da cana-de-açúcar e do milho, Goiás poderá fabricar aproximadamente 5,81 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. O volume representa crescimento próximo de 9% em relação ao ciclo anterior.

Quase todo esse aumento virá do milho. A produção de etanol de cana deverá avançar apenas 1,7%, de 4,55 bilhões para 4,63 bilhões de litros. A participação do milho no total do biocombustível produzido no Estado deverá subir de aproximadamente 15% para mais de 20% em apenas um ano.

Para o produtor rural, a ampliação da indústria representa a entrada de um comprador capaz de demandar grandes volumes durante todo o ano. O milho pode ser armazenado e processado continuamente, o que reduz a concentração das vendas no período da colheita e cria novas possibilidades de contratos diretamente com as usinas.

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A demanda local também reduz parte da dependência das exportações e do transporte do grão por longas distâncias. Em determinadas regiões, o custo do frete até os portos compromete uma parcela importante do preço recebido pelo produtor. A presença de unidades industriais mais próximas pode melhorar a concorrência pela produção e fortalecer os preços regionais.

O avanço ocorre em um Estado que deverá colher perto de 12 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. Goiás ocupa a terceira posição nacional na produção do cereal, segundo a Conab, e conta com uma oferta suficiente para atender simultaneamente às cadeias de proteína animal, à indústria de biocombustíveis e a outros compradores.

Considerando um rendimento industrial entre 420 e 460 litros por tonelada, a produção projetada de etanol poderá consumir aproximadamente 2,6 milhões a 2,8 milhões de toneladas de milho. O volume corresponderia a mais de um quinto da atual safra estadual, embora o consumo efetivo dependa da tecnologia utilizada pelas usinas e do período de operação das unidades.

A transformação do grão não termina no combustível. O processamento gera grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDGS, um ingrediente rico em proteína utilizado na fabricação de rações. O produto pode substituir parte do milho e do farelo de soja na alimentação de bovinos, aves e suínos.

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Essa integração é particularmente importante para Goiás, que possui cadeias consolidadas de produção de carnes e leite. A indústria retira o amido do milho para produzir etanol, mas preserva e concentra nutrientes que retornam ao campo na forma de alimento para os animais.

A produção de etanol de milho no Estado era de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19. Com a projeção atual, o volume terá crescido mais de seis vezes em oito safras. O avanço coloca Goiás entre os principais polos nacionais do segmento, ao lado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

No país, a Conab estima produção recorde de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho em 2026/27, alta de 17%. Goiás deverá responder por aproximadamente 10% desse total e crescer em ritmo quase três vezes superior ao da média nacional.

A expansão cria oportunidades, mas também exige atenção do produtor. O aumento da capacidade industrial não garante, sozinho, preços elevados para o cereal. O resultado dependerá da distância entre as fazendas e as usinas, dos custos de transporte, da oferta regional e das condições previstas nos contratos.

Ainda assim, a entrada de uma demanda permanente fortalece o mercado goiano de milho e amplia a agregação de valor dentro do Estado. Em vez de transportar apenas o grão, Goiás passa a vender combustível, óleo e nutrição animal, multiplicando os efeitos da produção agrícola sobre a indústria, os serviços e a geração de renda.

Fonte: Pensar Agro

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