Tecnologia

Prêmio Mulheres das Águas reconhece contribuição feminina no setor de pesca

Publicado

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, participou, ao lado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, da cerimônia de entrega da 3ª edição do Prêmio Mulheres das Águas. O evento ocorreu na quarta-feira (18), no Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília (DF). A iniciativa do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) reconhece mulheres com atuações de destaque e trajetórias que contribuem para o fortalecimento do setor. Foram premiadas vencedoras em 11 categorias, entre 306 inscritas — número recorde em relação às edições anteriores 

A escolha das vencedoras foi feita com base na análise das histórias apresentadas no ato da inscrição. As candidaturas foram avaliadas por uma comissão formada por 42 mulheres, representantes do MPA, de outros ministérios e de entidades da sociedade civil ligadas aos setores da pesca e da aquicultura. 

Para a ministra Luciana Santos, o prêmio reforça o compromisso do Governo do Brasil com o desenvolvimento e empoderamento de mulheres em todo o País. “É importante reconhecermos a força e a contribuição das mulheres em uma área tão importante para a subsistência e o desenvolvimento social do povo brasileiro. Neste governo, temos um olhar especial para as mulheres e as comunidades que mais precisam”, afirmou.  

Leia mais:  Palestra sobre desastres climáticos e ações de prevenção abre programação do segundo dia da Casa da Ciência

Durante o evento, o ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, enfatizou a importância de reconhecer o papel desempenhado pelas trabalhadoras das águas. “Esse prêmio busca dar visibilidade às histórias de vida dessas mulheres, exemplos que devem se multiplicar e ser seguidos”, explicou.  

Pesca e pesquisa 

Em linha com o fortalecimento do setor, o MCTI anunciou, em março de 2026, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o MPA, uma nova chamada pública que aproxima ciência, educação e saberes tradicionais das comunidades pesqueiras artesanais brasileiras. O Programa Jovem Cientista Pesca Artesanal oferece até 700 bolsas de pesquisa, no valor de R$ 300 cada uma, que serão implementadas por meio de edital do CNPq, agência do MCTI. 

 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

Comentários Facebook
publicidade

Tecnologia

Pesquisas sobre endometriose, dor pélvica e saúde menstrual no Brasil terão investimento de R$ 60 milhões

Publicado

A pesquisa científica e o desenvolvimento de tecnologias em saúde menstrual, dor pélvica e endometriose no Brasil vão receber um incentivo de R$ 60 milhões. Desses, R$ 50 milhões serão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), via Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), para soluções aplicáveis ao Sistema Único de Saúde (SUS). As propostas serão selecionadas por chamada pública do CNPq. 

O Instituto Alana destinará R$ 10 milhões a uma iniciativa complementar, cujo objetivo é criar uma rede nacional estruturante de pesquisa em endometriose, dor pélvica e saúde menstrual — formada a partir dos projetos selecionados pela pasta, que contarão com uma infraestrutura compartilhada de comunicação científica, implementação de ciência cidadã, apoio ao pesquisador, educação e formação. 

O anúncio do investimento ocorreu nestterça-feira (9), na sede do MCTI, em Brasília (DF). “Estamos anunciando o maior investimento já feito pelo MCTI em pesquisas sobre a saúde da mulher”, disse a ministra Luciana Santos. De acordo com Ministério da Saúde, a endometriose e as dores pélvicas afetam milhões de brasileiras, impactam a qualidade de vida, a permanência na escola, a produtividade no trabalho e a saúde mental.  

“Quando uma menina falta à escola por causa da dor ou uma mulher leva anos para receber um diagnóstico, estamos diante de um problema de saúde pública que exige resposta do Estado. Esse investimento demonstra o compromisso do Governo do Brasil com a ciência como instrumento de cuidado, inclusão e promoção da qualidade de vida das mulheres brasileiras”, afirmou Luciana. 

A primeira-dama do Brasil, Janja Lula da Silva, participou do anúncio no MCTI e chamou a atenção para o fato de que, por muito tempo, questões relacionadas à saúde da mulher foram tratadas com invisibilidade ou minimizadas. “Muitas mulheres convivem com dores intensas sem receber diagnóstico ou acolhimento adequados, e a endometriose é um exemplo dessa realidade. Por isso, essa iniciativa do MCTI é tão importante, ela direciona atenção e investimentos para pesquisas sobre uma condição que afeta milhões de brasileiras”, afirmou Janja. 

Leia mais:  Nova instalação do Sistema Solar no Mast traz uma noção da imensidão do universo

Para a chamada pública do CNPq, as propostas deverão se encaixar em um dos cinco eixos temáticos: causa e prevenção; diagnóstico; tratamento; biorrepositório (reservatório de materiais biológicos, utilizado em pesquisas específicas); e impacto social. As pesquisas deverão contribuir para reduzir lacunas de conhecimento sobre a endometriose, doença crônica ainda subdiagnosticada, que afeta cerca de uma em cada dez meninas e mulheres e pode levar anos para ser identificada. 

“O Ministério da Saúde está muito satisfeito com essa parceria porque vamos tratar de um tema pouco debatido, inclusive no Sistema Único de Saúde. Nós temos o compromisso de construir uma política pública robusta para as mulheres”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o anúncio do investimento. “Certamente esse edital vai mobilizar muitos pesquisadores no País para trazer mais soluções tecnológicas para o SUS e cuidar das mulheres brasileiras”, completou. 

“O Alana complementa o investimento federal para estruturar uma rede de pesquisa que envolva e estimule a participação da sociedade civil e de meninas e mulheres afetadas diretamente pelo tema. A proposta é fortalecer a produção de evidências e criar condições para que o conhecimento científico se traduza em prevenção, diminuição de tempo de diagnóstico e cuidado desde a menarca”, disse a CEO do Alana, Flavia Doria.  

A primeira cooperação entre o MCTI e o Alana ocorreu em 2024, com a criação da Rede Buriti para pesquisa, desenvolvimento e inovação em Síndrome de Down. Agora, eles se unem novamente para atuar nos temas de saúde menstrual e endometriose. 

Para a secretária de Políticas e Programas Estratégicos (Seppe) do MCTI, Andrea Latgé, a construção de uma rede nacional de pesquisa é fundamental para ampliar o conhecimento sobre a doença, apoiar o desenvolvimento e acelerar soluções para a saúde das mulheres. “Estamos fortalecendo uma agenda de pesquisa que pode transformar a vida de milhões de mulheres, aproximando a produção científica das necessidades reais da sociedade. É fundamental avançarmos nessa pauta”, disse. Segundo ela, existe um potencial muito grande de pesquisadores que trarão resultados de impacto para que o Brasil avance em diagnósticos e tratamentos da endometriose. 

Leia mais:  Diretor do Instituto Internacional de Física da UFRN apresenta projetos ao MCTI

Desafio

Os dados ajudam a dimensionar o desafio que a iniciativa busca enfrentar. Estima-se que 8 milhões de brasileiras em idade reprodutiva convivam com endometriose — entre elas, há 2 milhões de adolescentes. Apesar da alta prevalência, a condição permanece subdiagnosticada e subtratada, com atraso médio de 7 anos para o diagnóstico. 

A naturalização da dor menstrual desde a primeira menstruação contribui para esse cenário. Dados inéditos divulgados pelo Alana e pelo Instituto Equidade.info mostram que seis em cada dez estudantes dos ensinos fundamental e médio que menstruam relatam ter cólicas fortes ou moderadas, que atrapalham a rotina e exigem uso de medicação. Mais do que um desconforto, a dor menstrual tem impacto direto na vida escolar: quatro em cada dez alunas faltam às aulas mensalmente por esse motivo. 

Os efeitos também se estendem à vida adulta. Além dos prejuízos à saúde física e mental, as cólicas fortes — principal sintoma da endometriose — podem levar mulheres a perder até 10,8 horas de trabalho por semana.  

Ainda assim, dores menstruais e pélvicas permanecem pouco visíveis nos registros oficiais de saúde. Análise de dados de 469 mil meninas e mulheres do Recife (PE) mostrou que apenas 0,5% delas tinham registro formal de dor menstrual ou pélvica. Ao interpretar os textos escritos por profissionais de saúde nos prontuários, porém, foram identificados mais de 41 mil casos relacionados a essas dores, o equivalente a 9% da base analisada. A pesquisa foi feita pela Vital Strategies Brasil, em parceria com o Laboratório FrameNet Brasil da Universidade Federal de Juiz de Fora, com financiamento do Alana. 

“Há muito tempo, a dor menstrual é tratada como algo normal, o que contribui para invisibilizar doenças como a endometriose e atrasar o acesso ao diagnóstico e ao cuidado. Quando a ciência olha para esse tema, ela também ajuda a reconhecer experiências que impactam a escola, o trabalho, a saúde mental e o desenvolvimento pleno de milhões de meninas e mulheres”, afirma Flavia Doria.  

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana