Agro News

Produção de carne bovina no Brasil bate recorde no 1º trimestre de 2026, com avanço de 4,7%

Publicado

A produção de carne bovina no Brasil registrou desempenho recorde no primeiro trimestre de 2026, atingindo o maior volume da série histórica para o período. Os dados são da análise semanal do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), com base nas estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No período, o país produziu 2,62 milhões de toneladas de carne bovina, alta de 4,71% em relação ao mesmo trimestre de 2025. Os abates também cresceram, somando 10,24 milhões de cabeças, avanço de 3,21% na comparação anual.

Recorde histórico no setor e forte demanda externa

Segundo a análise do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), os resultados representam o maior volume já registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 1997.

O desempenho positivo está associado principalmente ao aumento da demanda, com destaque para o mercado externo, que segue sustentando o ritmo de escoamento da produção brasileira.

Com o crescimento da produção em ritmo superior ao avanço dos abates, o rendimento médio das carcaças também apresentou melhora. O indicador subiu 1,45% no período, alcançando 255,90 quilos por cabeça.

Leia mais:  Alta do diesel pressiona custos do agronegócio e reduz margens do produtor no Brasil
Mato Grosso amplia participação e reforça liderança no setor

Em Mato Grosso, maior produtor de carne bovina do país, o cenário também foi de recorde no primeiro trimestre de 2026. O estado registrou o abate de 1,80 milhão de bovinos, crescimento de 8,10% em relação ao mesmo período de 2025.

A produção estadual de carne atingiu 492,64 mil toneladas, alta de 12,93% na comparação anual. Com esse desempenho, Mato Grosso respondeu por 18,8% de toda a produção nacional no período.

Rendimento das carcaças cresce com maior participação de machos

O rendimento médio das carcaças no estado chegou a 273,20 quilos por cabeça, avanço de 4,46% em relação ao ano anterior. De acordo com o Imea, o resultado está relacionado ao aumento da participação de machos entre os animais abatidos, categoria que geralmente apresenta maior peso médio de carcaça.

Perspectivas para o setor

O desempenho recorde reforça a força da cadeia da carne bovina brasileira no cenário global, com ganhos simultâneos em produção, produtividade e eficiência industrial. A tendência de demanda externa aquecida segue como fator determinante para a sustentação dos preços e do ritmo de abates ao longo de 2026.

Leia mais:  Agricultores do Leste de Minas Recebem Kits de Irrigação e Reforçam Produção Sustentável

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Pecuária leiteira enfrenta desafio de rentabilidade em meio a custos elevados e mudanças climáticas

Publicado

A pecuária leiteira brasileira atravessa um momento de desafios para transformar produção em rentabilidade. Embora o Brasil tenha ultrapassado a marca de 38 bilhões de litros de leite produzidos em 2025, consolidando-se entre os maiores produtores mundiais, a rentabilidade das fazendas continua pressionada por custos elevados, oscilações climáticas e necessidade crescente de eficiência produtiva.

Segundo análise da médica-veterinária Vanessa Amorim Teixeira, mestre e doutora em Zootecnia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e analista de mercado agro da Belgo Arames, o cenário exige que o produtor vá além do aumento da produção e concentre esforços na gestão da propriedade e na otimização dos recursos.

Preço do leite reage, mas ainda não recupera margens

Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que o preço médio nacional do leite cru pago ao produtor alcançou R$ 2,66 por litro em abril de 2026, demonstrando recuperação em relação aos meses anteriores.

Apesar da melhora, a remuneração permanece inferior aos R$ 2,74 registrados em abril de 2025 e distante do recorde histórico de R$ 3,57 por litro, alcançado em julho de 2022.

Ao mesmo tempo, despesas com energia elétrica, mão de obra, suplementação alimentar e outros custos operacionais continuam reduzindo as margens da atividade.

Leia mais:  Alta do diesel pressiona custos do agronegócio e reduz margens do produtor no Brasil
Clima aumenta pressão sobre os sistemas de produção

Outro fator de preocupação é o comportamento climático. A formação do fenômeno El Niño pode provocar temperaturas mais elevadas e maior irregularidade das chuvas em diversas regiões produtoras, comprometendo a disponibilidade e a qualidade das pastagens.

Como grande parte da pecuária leiteira brasileira depende do pastejo, a redução da oferta de forragem tende a impactar diretamente o consumo de nutrientes pelos animais, reduzindo a produção de leite.

Além disso, a menor disponibilidade de água e alimento pode aumentar o estresse do rebanho, comprometendo o bem-estar animal, a saúde e o desempenho produtivo.

Planejamento torna-se fator decisivo para a rentabilidade

Diante desse cenário, especialistas destacam que a sustentabilidade econômica da atividade depende cada vez mais da eficiência da gestão.

Entre as principais estratégias recomendadas estão:

  • planejamento da alimentação para os períodos de seca;
  • formação de reservas estratégicas de forragem;
  • monitoramento constante dos indicadores técnicos e financeiros;
  • controle rigoroso dos custos de produção;
  • manejo adequado das pastagens;
  • adoção de sistemas de pastejo rotacionado.

Essas práticas permitem aumentar o aproveitamento dos recursos da propriedade e reduzir a vulnerabilidade diante das oscilações de mercado e do clima.

Infraestrutura pode elevar produtividade e reduzir custos

Os investimentos em infraestrutura também ganham importância dentro das propriedades leiteiras. Um dos exemplos é o cercamento estratégico das áreas de pastejo, que possibilita a divisão das pastagens em piquetes para manejo rotacionado.

Leia mais:  Cotonicultura está entre as cinco principais lavouras do Brasil

Esse sistema favorece a recuperação das forrageiras, melhora a utilização da área disponível, aumenta a capacidade de suporte da propriedade e reduz a necessidade de suplementação alimentar, um dos principais componentes do custo de produção.

Como consequência, os produtores podem obter ganhos como:

  • aumento da produção de leite por hectare;
  • maior produtividade por animal;
  • redução dos gastos com alimentação suplementar;
  • melhor aproveitamento das pastagens;
  • menor custo de manutenção das áreas de manejo.
Tecnologia e gestão fortalecem a competitividade

Segundo Vanessa Amorim Teixeira, investir em infraestrutura de qualidade e em tecnologias voltadas para o manejo do rebanho e das pastagens deixou de ser apenas uma melhoria operacional e passou a representar uma estratégia de gestão.

A especialista destaca que soluções como cercas elétricas de alta durabilidade facilitam a implantação do pastejo rotacionado, exigem menos manutenção e contribuem para aumentar a eficiência dos sistemas produtivos.

Em um cenário marcado por custos elevados e maior instabilidade climática, propriedades que investem em planejamento, tecnologia e infraestrutura tendem a construir sistemas mais resilientes, sustentáveis e competitivos, preparados para enfrentar os desafios da pecuária leiteira nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana