Agro News

Produção de Tomate no Brasil Bate Recorde em 2025, Mas Desafios Climáticos e de Mercado Persistem

Publicado

Produção nacional de tomate atinge novo patamar em 2025

Dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que a produção de tomate no Brasil alcançou 4,7 milhões de toneladas em 2025, consolidando um crescimento significativo em relação ao início da série recente e superando o histórico anterior de 4,4 milhões de toneladas registrado em 2011. Esse volume representa uma expansão de 27% em comparação ao nível de 3,7 milhões de toneladas em 2022, evidenciando a evolução da cultura no país e a posição do Brasil entre os maiores produtores mundiais de tomate.

A área cultivada também se expandiu, passando de 52,3 mil hectares em 2022 para 63,3 mil hectares em 2025, o que, combinado com ganhos na produtividade (de 71 para 74 quilos por hectare), contribuiu para a performance robusta do setor.

Condições climáticas adversas elevam riscos fitossanitários em 2026

Apesar da safra recorde em 2025, a expectativa para a produção de tomate em 2026 é marcada por desafios no campo. Períodos de altas temperaturas e umidade acima da média no início do ano têm favorecido a disseminação de doenças fúngicas e bacterianas nas lavouras, resultando em um maior número de frutos com manchas e descartes que reduzem a oferta de produtos de qualidade no mercado.

Especialistas em fitossanidade agrícola destacam a importância de um manejo mais rigoroso, com monitoramento constante das lavouras, programas integrados de proteção, rotação de culturas e uso adequado de defensivos registrados para a cultura, como formas de amenizar esses impactos e preservar a sanidade das plantas mesmo em condições climáticas adversas.

Leia mais:  Na Noruega, ministro André de Paula participa da Aqua Nor 2025
Preços variam nos principais centros atacadistas do país

No começo de fevereiro de 2026, as cotações do tomate longa vida mostraram comportamento misto nos principais mercados atacadistas brasileiros. Enquanto São Paulo e Belo Horizonte registraram estabilidade nos preços, outras praças como Rio de Janeiro e Campinas apresentaram aumentos de até 34% e 11%, refletindo oferta mais restrita em algumas regiões e custos de produção mais elevados.

A maior valorização observada foi no Rio de Janeiro, onde a caixa do vegetal chegou a registrar preços médios em torno de R$ 134,12, acima dos valores praticados em fevereiro de 2025.

Analistas da FGV Ibre apontam que, diante da oferta limitada e do custo elevado de insumos, o tomate pode registrar um aumento de cerca de 7% no preço ao longo de 2026, uma tendência que pode impactar tanto atacadistas quanto consumidores finais no varejo.

Principais regiões produtoras e perfil do mercado de tomate no Brasil

A produção brasileira de tomate é concentrada em alguns estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Goiás, São Paulo e Minas Gerais lideram o ranking nacional, respondendo pela maior parte do volume produzido, enquanto o Paraná figura em posição de destaque na sequência.

O mercado doméstico é segmentado entre o tomate de mesa, destinado ao consumo in natura e representando em média 60% da produção nacional, e o tomate industrial, que abastece a cadeia de processamento para molhos, extratos e outros derivados.

No contexto global, os maiores produtores de tomate continuam sendo China, Índia e países da União Europeia, com o mercado global estimado em cerca de US$ 217 bilhões em 2025, e projeção de chegar a US$ 273,8 bilhões até 2030, refletindo crescimento sustentado da demanda por frutas e hortaliças em escala mundial nos próximos anos.

Leia mais:  Brangus promove debate sobre o futuro da raça durante Expointer 2025
Juros elevados e cenário macroeconômico pressionam o setor agrícola

No cenário econômico mais amplo, o Banco Central do Brasil decidiu manter a taxa básica de juros Selic em 15% ao ano, patamar considerado elevado e com efeito direto sobre os custos de crédito para produtores rurais, investimentos e consumo interno. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) foi unânime e está alinhada com a estratégia de controle da inflação dominante no país.

Mercados financeiros monitoram a possibilidade de cortes graduais na Selic ao longo de 2026, mas os juros ainda se mantêm elevados, influenciando custos de financiamento e decisões de investimento no agronegócio, incluindo setores intensivos em capital como o de hortaliças.

Perspectivas para o mercado de tomates em 2026

A combinação de produção recorde em 2025, condições climáticas adversas em 2026 e um ambiente de juros elevados cria um cenário de incertezas para o setor. O equilíbrio entre oferta e demanda, o controle de doenças nas lavouras e a gestão eficiente de custos serão fundamentais para garantir a competitividade e a estabilidade dos preços ao longo do ano.

A expectativa é que os produtores e agentes da cadeia adaptem suas estratégias para enfrentar os desafios, aproveitando o histórico recente de crescimento produtivo e a demanda interna e externa por tomates de qualidade.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Brasil tem até 28 milhões de hectares prontos para conversão produtiva sem desmatamento

Publicado

O Brasil reúne cerca de 28 milhões de hectares de pastagens degradadas com potencial imediato para conversão em áreas agrícolas, volume que pode elevar em até 52% a produção nacional de grãos sem necessidade de abertura de novas áreas. A estimativa consta em análise do Itaú BBA e reforça o país como uma das principais fronteiras globais de expansão sustentável.

Para dimensionar o tamanho dessa área, os 28 milhões de hectares equivalem a aproximadamente 3% do território brasileiro — que soma cerca de 851 milhões de hectares — e a quase um terço de toda a área hoje cultivada com grãos no país, que gira em torno de 80 a 90 milhões de hectares.

Esse potencial está distribuído principalmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e partes do Sudeste e Nordeste, onde a pecuária extensiva ocupa grandes áreas. Estados como Mato Grosso, Pará, Goiás, Minas Gerais e Tocantins concentram parte relevante dessas pastagens com algum nível de degradação.

Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária indicam que cerca de 57% das pastagens brasileiras apresentam algum grau de degradação, sendo uma parcela significativa passível de recuperação com tecnologias já disponíveis, como correção de solo, manejo intensivo e integração lavoura-pecuária.

Leia mais:  Na Noruega, ministro André de Paula participa da Aqua Nor 2025

Do ponto de vista econômico, o aproveitamento dessas áreas pode gerar até R$ 904 bilhões em valorização fundiária, além de ampliar a produção sem pressionar novas fronteiras ambientais — um ponto cada vez mais relevante diante das exigências de mercado.

O principal entrave, no entanto, é financeiro. Segundo a Climate Policy Initiative Brasil, organização que estuda o fluxo de recursos para agricultura e uso da terra, menos de 2% dos recursos de financiamento climático no país são direcionados ao uso da terra, o que limita a escala de recuperação dessas áreas.

A transformação dessas pastagens exigiria investimentos entre R$ 188 bilhões e R$ 482 bilhões, dependendo do nível de degradação e da infraestrutura necessária. Ainda assim, o volume de crédito disponível segue distante da demanda. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária indicam que, dentro do Plano ABC+, apenas R$ 3,5 bilhões foram destinados à recuperação de áreas em 2022.

Para o produtor rural, o movimento representa uma oportunidade concreta de expansão produtiva sem aquisição de novas terras. A recuperação de áreas degradadas permite aumento de produtividade, diversificação da atividade e valorização do patrimônio, além de alinhar a produção às exigências ambientais do mercado.

Leia mais:  Brangus promove debate sobre o futuro da raça durante Expointer 2025

Na prática, a conversão dessas áreas tende a ganhar força à medida que surgem novos instrumentos financeiros, como CRA verde, CPR verde e modelos de investimento voltados à agricultura regenerativa. O avanço dessa agenda pode redefinir a expansão do agro brasileiro, com crescimento baseado em eficiência e recuperação, e não em abertura de novas áreas.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana