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Resíduos orgânicos se transformam em adubo enriquecido no Paraná

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Resíduos orgânicos domésticos estão ganhando um novo destino no Paraná: a produção de adubo orgânico enriquecido com microrganismos benéficos. A iniciativa faz parte do Projeto Compostagem, desenvolvido pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), em parceria com a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Estadual do Paraná (Funespar) e a empresa Ambiente Livre.

O projeto tem como objetivo validar um modelo sustentável de reaproveitamento de resíduos, criando um composto capaz de suprir as necessidades nutricionais das lavouras e contribuir para uma agricultura mais ecológica.

Compostagem com participação comunitária

A ação prevê a instalação de uma composteira experimental na Estação de Pesquisa em Agroecologia do IDR-Paraná, em Pinhais, além da distribuição de baldes entre colaboradores do Instituto e do CEEP Newton Freire Maia, para coleta de resíduos orgânicos domésticos.

Ao final do processo, os participantes receberão parte do composto produzido. Entre os materiais aceitos estão cascas de frutas, verduras, legumes, sementes, cascas de ovos e borra de café. Não serão utilizados resíduos de origem animal nem alimentos industrializados ou temperados.

“A proposta é envolver a comunidade no ciclo de reaproveitamento, mostrando que o lixo orgânico pode se transformar em um insumo agrícola de alto valor”, destacou o consultor ambiental Maurício Gikoski, da empresa Ambiente Livre, responsável pela execução técnica do projeto.

Monitoramento técnico e enriquecimento microbiológico

De acordo com Gikoski, todo o processo será acompanhado por sensores e análises laboratoriais, garantindo controle de qualidade e eficiência. Após a fase de compostagem, o material seguirá para o laboratório do IDR-Paraná, em Londrina, onde passará por enriquecimento com microrganismos selecionados.

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Serão utilizados três agentes biológicos principais:

  • Trichoderma sp (fungos);
  • Bacillus sp (bactérias);
  • Microalgas.

Segundo a pesquisadora Diva Andrade, especialista em microbiologia do solo no IDR-Paraná, esses organismos tornam o composto mais eficiente.

“Os microrganismos atuam liberando nutrientes essenciais para as plantas. Por exemplo, quando o fósforo está indisponível no solo, eles produzem ácidos orgânicos que o transformam em uma forma assimilável”, explica a pesquisadora.

Sustentabilidade e aproveitamento de resíduos

O coordenador do projeto e pesquisador do Programa Recursos Naturais e Sustentabilidade (PRNS), Arnaldo Colozzi, ressalta a importância do tema.

“A destinação inadequada do lixo é um desafio crescente. A compostagem, no entanto, é uma forma de devolver nutrientes ao solo e evitar problemas como o chorume, que prejudica o meio ambiente e a saúde humana”, destacou.

A proposta é que o projeto sirva como modelo replicável em outras regiões do Estado, contribuindo para a gestão sustentável dos resíduos orgânicos urbanos e rurais.

Próximos passos e ações educativas

A equipe técnica do IDR-Paraná também visitou a Fazenda Urbana de Curitiba, no bairro Cajuru, para conhecer o modelo de compostagem que será adotado na estação experimental.

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O projeto prevê ainda ações educativas com crianças e o desenvolvimento de um produto final de fácil aplicação, possivelmente em formato granulado, voltado para hortas domésticas e jardins.

A expectativa é que a tecnologia contribua para a redução de resíduos urbanos, o fortalecimento da agricultura sustentável e a formação de uma cultura de reaproveitamento ambientalmente responsável no estado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Nova cebola da Embrapa reduz riscos do cultivo no verão e pode elevar produtividade no Cerrado

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A Embrapa lançou uma nova cultivar de cebola desenvolvida especialmente para enfrentar os desafios do cultivo durante o verão brasileiro. Batizada de BRS Belatriz, a variedade híbrida foi criada para suportar altas temperaturas, excesso de umidade e pressão de doenças típicas do período chuvoso, cenário considerado de alto risco para a produção da hortaliça.

O lançamento oficial da nova cultivar ocorre durante a AgroBrasília 2026, realizada entre os dias 19 e 23 de maio, no Distrito Federal.

Cultivo de verão exige maior resistência da cebola

Tradicionalmente, a cebola é cultivada no inverno, período em que as temperaturas mais amenas favorecem o desenvolvimento dos bulbos e reduzem a incidência de doenças.

No verão, porém, o cenário muda significativamente. O calor elevado e os dias mais longos aceleram o processo de bulbificação, reduzindo o tamanho comercial das cebolas e comprometendo a produtividade da lavoura. Além disso, o ambiente quente e úmido favorece o avanço de doenças severas.

Foi justamente para enfrentar essas limitações que a Embrapa desenvolveu a BRS Belatriz.

Nova cultivar suporta calor acima de 33°C

Segundo os pesquisadores, a nova cebola mantém desenvolvimento adequado mesmo em temperaturas superiores a 33°C, consideradas críticas para a cultura.

Um dos principais diferenciais da cultivar é a resistência à bulbificação precoce sob calor intenso, fator que permite a formação de bulbos com padrão comercial adequado mesmo em condições climáticas adversas.

De acordo com o agrônomo Valter Oliveira, responsável pelo desenvolvimento da cultivar, produtores já realizavam o cultivo nesse período, mas utilizavam materiais genéticos voltados ao inverno, o que aumentava significativamente os riscos produtivos.

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Resistência a doenças fortalece segurança da lavoura

Além da adaptação ao calor, a BRS Belatriz apresenta resistência moderada a importantes doenças da cebola, especialmente em áreas de Cerrado.

Entre elas estão:

  • Queima foliar bacteriana
  • Antracnose
  • Mancha-púrpura
  • Raiz rosada

A cultivar também apresenta tolerância ao nematoide-das-galhas, problema que pode comprometer seriamente o desenvolvimento das plantas.

Segundo a Embrapa, em condições favoráveis de manejo, a produtividade pode alcançar cerca de 70 toneladas por hectare, com predominância de bulbos das classes 3 e 4, consideradas as mais valorizadas no mercado atacadista e varejista.

Mercado valoriza qualidade e pungência da nova cebola

A BRS Belatriz pertence ao grupo das cebolas amarelas de ciclo precoce destinadas ao consumo fresco, segmento responsável pela maior parte do consumo mundial da hortaliça.

Os bulbos apresentam formato arredondado, boa uniformidade de maturação e pungência mais elevada — característica relacionada ao sabor mais intenso da cebola, bastante valorizado pelo consumidor brasileiro.

Pesquisa focou adaptação ao Cerrado e produção nacional

O programa de melhoramento genético da cebola híbrida da Embrapa começou a ser reestruturado no início dos anos 2000.

Inicialmente, os trabalhos eram concentrados em materiais voltados ao cultivo de inverno, segmento historicamente dominado por empresas multinacionais.

Com o avanço das pesquisas, os cientistas identificaram no cultivo de verão uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento de cultivares nacionais mais adaptadas às condições brasileiras.

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O projeto reuniu centenas de combinações híbridas, cruzando linhagens nacionais e materiais estrangeiros em busca de produtividade, resistência a doenças, adaptação ao calor e qualidade comercial.

Os primeiros testes em áreas comerciais começaram em 2018 e mostraram desempenho superior da linhagem que deu origem à BRS Belatriz, principalmente sob elevada pressão de doenças.

Produção no verão pode reduzir dependência de importações

O cultivo de cebola no verão ocorre principalmente entre dezembro e janeiro, com colheita concentrada a partir de maio.

Nesse período, a oferta proveniente da região Sul do Brasil costuma diminuir, abrindo espaço para melhores preços no mercado interno.

Segundo a Embrapa, o fortalecimento da produção nacional nessa janela pode contribuir para reduzir oscilações de oferta e diminuir a dependência de cebolas importadas, especialmente da Argentina.

Manejo ainda exige atenção do produtor

Apesar dos avanços da nova cultivar, os pesquisadores ressaltam que o cultivo de verão continua sendo uma atividade de maior risco e altamente dependente das condições climáticas.

Chuvas excessivas ainda podem comprometer a emergência das plantas, aumentar a incidência de doenças e elevar os custos de manejo.

Por isso, os testes com produtores continuam em andamento para aperfeiçoar recomendações técnicas, principalmente relacionadas à adubação nitrogenada e ao manejo fitossanitário da nova cultivar.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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