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Safra de soja no Brasil avança e alcança 184,7 milhões de toneladas após revisão do Rally da Safra

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A safra brasileira de soja 2025/26 foi revisada para 184,7 milhões de toneladas, segundo a Agroconsult, após a conclusão da etapa soja do Rally da Safra. O novo número representa um crescimento de 6,7% em relação ao ciclo anterior e alta de 0,9% frente à última estimativa divulgada no início de março.

A atualização reflete ajustes tanto na produtividade quanto na área plantada, consolidando o cenário de mais uma safra robusta no país.

Revisão da safra: aumento de produtividade e área plantada

A nova estimativa foi definida a partir da consolidação de levantamentos de campo e análises por satélite. Ao todo, cerca de 1.700 lavouras foram avaliadas em 14 estados, com mais de 60 mil quilômetros percorridos pelas equipes técnicas desde janeiro.

Com base nesses dados, a produtividade média nacional foi revisada de 62,5 para 62,7 sacas por hectare.

Já a área plantada foi estimada em 49,1 milhões de hectares, um aumento de quase 300 mil hectares em relação à projeção inicial. Com isso, a produção total cresceu 1,6 milhão de toneladas frente à estimativa anterior.

Na comparação com a safra passada, o aumento supera 11,5 milhões de toneladas, sendo:

  • 30% impulsionado pela expansão de área
  • 70% decorrente de ganhos de produtividade

Segundo André Debastiani, coordenador do Rally da Safra, o cruzamento de dados de campo com imagens de satélite amplia a precisão das estimativas e reforça a confiabilidade dos números.

Mato Grosso e Bahia lideram desempenho positivo

Entre os destaques da safra, o Mato Grosso mantém a liderança nacional. Com a colheita já finalizada, o estado deve produzir 51,3 milhões de toneladas, com produtividade média de 66 sacas por hectare — levemente acima da estimativa inicial.

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Apesar das chuvas intensas registradas em fevereiro, que geraram preocupação com a qualidade dos grãos, o desempenho final foi sustentado pelo bom número de grãos por hectare e peso adequado.

Na Bahia, os resultados também surpreenderam positivamente. Com 61% da área colhida, a produtividade foi revisada para 70,3 sacas por hectare — a maior do país. A produção estadual deve atingir 9,7 milhões de toneladas.

Rio Grande do Sul enfrenta perdas com estiagem

Por outro lado, o Rio Grande do Sul é o principal destaque negativo da safra. O estado sofreu com estiagem ao longo do ciclo e apresenta ritmo de colheita abaixo da média histórica, com apenas 11% da área colhida.

A produtividade, inicialmente estimada em 52 sacas por hectare em janeiro, foi reduzida para 47 em fevereiro e ajustada para 48,3 sacas na revisão final. A produção deve ficar ligeiramente abaixo de 20 milhões de toneladas.

Clima impacta produtividade em outros estados

Alguns estados também registraram revisões negativas na produtividade devido a desafios climáticos pontuais.

No Mato Grosso do Sul, a irregularidade das chuvas e o calor aceleraram a colheita e reduziram o potencial produtivo, com revisão de 62,5 para 60 sacas por hectare.

Em Goiás, apesar do bom desenvolvimento inicial, a qualidade e o peso dos grãos ficaram abaixo do esperado, reduzindo a produtividade para 66,2 sacas por hectare.

Já no Paraná, a combinação de chuvas irregulares e altas temperaturas afetou principalmente as áreas mais tardias, levando a uma leve queda para 66,1 sacas por hectare.

Minas Gerais e região do MATOPIBA apresentam ganhos

Entre os destaques positivos, Minas Gerais registrou produtividade recorde de 68 sacas por hectare, impulsionada por bom nível de investimento, condições climáticas favoráveis e ausência de replantios, mesmo com atrasos na semeadura.

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Na região do MATOPIBA, os resultados também foram positivos. O Maranhão alcançou produtividade de 64,2 sacas por hectare, enquanto o Piauí chegou a 65 sacas. Já Tocantins e Pará devem manter médias próximas de 60 sacas por hectare.

Milho safrinha entra em foco com risco climático

Com o encerramento da etapa da soja, o Rally da Safra passa a monitorar a segunda safra de milho, que apresenta maior risco climático em algumas regiões.

A área estimada é de 18,5 milhões de hectares, crescimento de 2,5% em relação ao ciclo anterior. A produtividade média está projetada em 103,1 sacas por hectare, com produção total de 114,5 milhões de toneladas — queda de 7,6% frente à safra passada.

Segundo André Debastiani, o desempenho final dependerá principalmente das condições climáticas em abril. Há divergência entre modelos meteorológicos: enquanto o europeu aponta chuvas mais regulares, o americano indica volumes abaixo da média.

Estados como Goiás dependem de chuvas até a primeira quinzena de maio, enquanto no Mato Grosso o volume de precipitações em abril será decisivo para o desenvolvimento das lavouras.

Perspectiva: safra robusta e atenção ao clima

A safra de soja 2025/26 se consolida como uma das maiores da história, sustentada pelo aumento de área e ganhos de produtividade. No entanto, o cenário para o milho safrinha exige cautela, com o clima sendo o principal fator de risco nas próximas semanas.

O mercado segue atento à evolução das condições climáticas, que devem definir o potencial produtivo das lavouras e o comportamento da oferta de grãos no país.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra de soja põe crédito rural à prova: custeio pode superar R$ 212 bilhões

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O Brasil começa a plantar uma safra de soja com potencial para alcançar entre 183,5 milhões e 185,6 milhões de toneladas, mas o resultado não dependerá apenas do clima. Antes de germinar no campo, a produção precisa caber no caixa do agricultor. Crédito restrito, aumento dos custos e dívidas acumuladas após sucessivas perdas regionais podem limitar o investimento justamente quando o país tenta renovar seu recorde.

O Plano Safra 2026/27 reservou R$ 610,3 bilhões para o financiamento da agropecuária. Desse total, R$ 525,1 bilhões são destinados à agricultura empresarial e R$ 85,2 bilhões à agricultura familiar. Dentro do programa empresarial, R$ 384,9 bilhões foram programados para custeio e comercialização, enquanto R$ 140,2 bilhões atendem investimentos.

O valor é o maior já anunciado, mas não representa dinheiro automaticamente disponível a qualquer produtor. Os recursos atendem todas as atividades agropecuárias, não apenas a soja, e sua liberação depende da modalidade, da fonte financeira, da existência de limite no banco, da análise de risco, das garantias e da capacidade de pagamento do interessado.

Também existe uma diferença entre o volume global do Plano Safra e o crédito oferecido com juros equalizados. A equalização ocorre quando o Tesouro Nacional cobre parte do custo financeiro para que o produtor contrate a operação com taxa inferior à praticada no mercado. Para o ciclo atual, as linhas abrangidas por esse mecanismo somam R$ 141,8 bilhões, dos quais R$ 97,5 bilhões são destinados a médios e grandes produtores e R$ 44,3 bilhões à agricultura familiar.

A dimensão da necessidade financeira pode ser percebida pela extensão das lavouras. O Brasil deverá plantar entre 49 milhões e 49,3 milhões de hectares de soja. Não existe um custo único para todo o país, pois os gastos variam conforme região, fertilidade do solo, produtividade pretendida e pacote tecnológico adotado.

Uma simulação ajuda a demonstrar a ordem de grandeza. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) calcula em R$ 4.315,29 por hectare o custeio da soja em Mato Grosso. Se esse valor fosse usado apenas como referência para a área nacional, a implantação das lavouras exigiria aproximadamente R$ 212 bilhões. A conta é ilustrativa e não inclui todos os custos com terra, depreciação, armazenagem, comercialização e encargos financeiros.

Em Mato Grosso, onde estão previstos 13,05 milhões de hectares, a aplicação dessa referência representa uma necessidade de cerca de R$ 56 bilhões apenas para o custeio da soja. Fertilizantes, corretivos e defensivos estão entre os itens que mais pressionaram o orçamento para a nova temporada.

No primeiro mês do Plano Safra, a agricultura empresarial contratou R$ 28,2 bilhões. As Cédulas de Produto Rural (CPRs) responderam por R$ 18,8 bilhões, ou 66,6% do total, enquanto o custeio bancário convencional alcançou R$ 6,5 bilhões. Os números mostram que o financiamento da produção já não depende predominantemente das linhas tradicionais anunciadas pelo governo.

Isan Rezende

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), engenheiro agrônomo Isan Rezende, as previsões para a soja são positivas, mas precisam ser examinadas além da perspectiva climática.

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“As projeções mostram que o Brasil pode colher outra safra extraordinária, próxima de 186 milhões de toneladas. Mas essa produção ainda está no papel. Para transformar potencial em colheita, o produtor precisa de chuva regular, sementes de qualidade, fertilizantes, defensivos, máquinas e crédito disponível no momento correto. Não é apenas o clima que decidirá o tamanho da safra”, afirma.

Segundo Rezende, o volume anunciado no Plano Safra é expressivo, mas o principal desafio está na chegada do recurso à propriedade. “O produtor não planta com o anúncio de bilhões de reais. Ele planta quando o financiamento é aprovado, o limite é liberado e o dinheiro chega antes da janela de semeadura. Se o crédito demora, exige garantias que ele já não possui ou aparece a um custo incompatível com a margem, o recurso existe na estatística, mas não na lavoura.”

O endividamento, na avaliação de Rezende, pode atingir principalmente agricultores que sofreram perdas em temporadas anteriores e precisam manter a atividade. “Muitos produtores não deixaram de pagar porque administraram mal. Foram atingidos por seca, excesso de chuva ou queda de preços depois de colocar uma safra cara no campo. Se a renegociação apenas alongar a dívida, mas não recuperar o acesso ao crédito novo, teremos produtores com prazo maior para pagar e sem dinheiro para continuar produzindo.”

Rezende defende a diversificação das fontes, acompanhada de planejamento. “CPR, barter, cooperativas, revendas, tradings, venda antecipada e recursos próprios são alternativas importantes, mas nenhuma deve ser contratada sem avaliar custo, garantias e volume de produção comprometido. Em uma safra com risco climático, vender ou entregar antecipadamente uma parcela excessiva da colheita pode transformar uma quebra de produtividade em um problema financeiro ainda maior.”

As CPRs podem ser emitidas com liquidação física, quando o compromisso é pago com a entrega do produto, ou financeira, quando o pagamento ocorre em dinheiro. O instrumento amplia o acesso a recursos privados, mas exige atenção aos juros, às garantias, ao preço de referência e às condições previstas para o vencimento.

O barter funciona como uma troca: o produtor recebe sementes, fertilizantes e defensivos e assume o compromisso de entregar determinada quantidade de soja depois da colheita. A operação permite travar a relação entre o custo do insumo e o preço do grão, reduzindo parte da incerteza. Em contrapartida, compromete antecipadamente uma parcela da produção.

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Cooperativas, revendas e tradings também oferecem financiamento vinculado à compra futura da safra. Produtores com estrutura maior podem acessar fundos de investimento nas cadeias agroindustriais, certificados de recebíveis e outras operações do mercado de capitais. Essas alternativas costumam exigir governança, documentação, garantias e escala superiores às cobradas nas linhas bancárias tradicionais.

A venda antecipada pode gerar caixa e assegurar preço para uma parte da produção, mas deve ser compatível com uma estimativa conservadora de produtividade. Em anos de instabilidade climática, comprometer uma quantidade próxima do potencial máximo da propriedade aumenta o risco de o produtor precisar comprar soja no mercado para cumprir o contrato.

O seguro rural e a proteção de preços não substituem o financiamento, mas ajudam a preservar a capacidade de pagamento. O seguro reduz o impacto financeiro de perdas cobertas, enquanto contratos futuros e opções podem limitar a exposição a quedas nas cotações. A combinação dos instrumentos tende a ser mais segura do que concentrar todo o risco em uma única fonte ou estratégia.

A situação dos produtores endividados aumenta a preocupação. O Banco do Brasil calcula que até R$ 100 bilhões de sua carteira agropecuária podem se enquadrar nas novas regras de renegociação. Desse montante, R$ 36,7 bilhões correspondem a créditos inadimplentes e R$ 63,5 bilhões a operações ainda em dia, porém já prorrogadas ou renegociadas. A estimativa envolve até 113 mil clientes e não representa todo o endividamento rural do país.

A Medida Provisória 1.376/2026 criou condições para refinanciar dívidas de produtores atingidos por perdas, mas o acesso continua condicionado à comprovação dos prejuízos e à aprovação dos bancos. Entidades do setor relatam demora, divergências na aceitação de laudos, exigência de novas garantias e cobrança de entrada em algumas operações.

Com margens menores, o efeito da restrição financeira pode aparecer dentro da lavoura. O agricultor sem capital suficiente tende a adiar compras, reduzir adubação, trocar produtos, diminuir investimentos em correção do solo ou limitar aplicações necessárias. Essas decisões preservam o caixa no curto prazo, mas podem retirar produtividade da safra que hoje aparece como recorde nas projeções.

O Brasil dispõe de um volume elevado de crédito e de um mercado privado mais diversificado do que no passado. O problema não é apenas quanto foi anunciado, mas quem conseguirá acessar, a que custo e em qual momento. A chuva continuará decisiva, mas, antes dela, será o financiamento que determinará quantos hectares receberão o pacote tecnológico necessário para alcançar as 186 milhões de toneladas projetadas.

Fonte: Pensar Agro

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