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Safra mundial recorde de trigo eleva estoques e mantém pressão sobre os preços globais

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Produção global de trigo deve atingir recorde em 2025/26

A safra mundial de trigo deve alcançar um recorde de 837,8 milhões de toneladas na temporada 2025/26, segundo estimativa divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O aumento expressivo da oferta tem impactado diretamente o mercado internacional, ampliando os estoques e pressionando as cotações em bolsas e contratos futuros.

De acordo com análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), os estoques finais globais estão projetados em 274,9 milhões de toneladas, o que representa acréscimo de 14,9 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior.

Estoques elevados e forte oferta reduzem preços internacionais

O aumento na produção e a recomposição dos estoques globais limitam a recuperação dos preços, especialmente para os países exportadores. Segundo o CEEMA, a maior disponibilidade de trigo no mercado internacional tem reduzido o interesse dos compradores e favorecido um cenário de competição acirrada entre exportadores.

A Argentina é um dos principais destaques, com colheita estimada em 25,5 milhões de toneladas, a maior da história do país. O desempenho consolida os argentinos como grandes fornecedores globais, ampliando a oferta na América do Sul e acentuando a pressão sobre os preços internacionais.

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Trigo recua na Bolsa de Chicago com tendência de baixa

Na Bolsa de Chicago (CBOT), as cotações do trigo encerraram a semana cotadas a US$ 5,34 por bushel, mantendo uma tendência de queda. Segundo analistas, as estimativas robustas de produção e os estoques elevados sustentam a pressão vendedora e diminuem o apetite dos compradores por preços mais altos.

Brasil deve importar mais e manter preços internos baixos

Com a ampla oferta internacional, o Brasil deve importar cerca de 7,3 milhões de toneladas de trigo em 2025, principalmente da Argentina e de outros grandes fornecedores. A entrada do cereal importado tende a manter os preços domésticos mais baixos, o que beneficia a indústria moageira, mas penaliza o produtor nacional, que enfrenta margens mais estreitas.

No curto prazo, o cenário global indica continuidade da pressão sobre os preços. Apenas fatores climáticos adversos ou problemas logísticos poderiam alterar essa dinâmica e sustentar uma reação nas cotações.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil tem até 28 milhões de hectares prontos para conversão produtiva sem desmatamento

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O Brasil reúne cerca de 28 milhões de hectares de pastagens degradadas com potencial imediato para conversão em áreas agrícolas, volume que pode elevar em até 52% a produção nacional de grãos sem necessidade de abertura de novas áreas. A estimativa consta em análise do Itaú BBA e reforça o país como uma das principais fronteiras globais de expansão sustentável.

Para dimensionar o tamanho dessa área, os 28 milhões de hectares equivalem a aproximadamente 3% do território brasileiro — que soma cerca de 851 milhões de hectares — e a quase um terço de toda a área hoje cultivada com grãos no país, que gira em torno de 80 a 90 milhões de hectares.

Esse potencial está distribuído principalmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e partes do Sudeste e Nordeste, onde a pecuária extensiva ocupa grandes áreas. Estados como Mato Grosso, Pará, Goiás, Minas Gerais e Tocantins concentram parte relevante dessas pastagens com algum nível de degradação.

Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária indicam que cerca de 57% das pastagens brasileiras apresentam algum grau de degradação, sendo uma parcela significativa passível de recuperação com tecnologias já disponíveis, como correção de solo, manejo intensivo e integração lavoura-pecuária.

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Do ponto de vista econômico, o aproveitamento dessas áreas pode gerar até R$ 904 bilhões em valorização fundiária, além de ampliar a produção sem pressionar novas fronteiras ambientais — um ponto cada vez mais relevante diante das exigências de mercado.

O principal entrave, no entanto, é financeiro. Segundo a Climate Policy Initiative Brasil, organização que estuda o fluxo de recursos para agricultura e uso da terra, menos de 2% dos recursos de financiamento climático no país são direcionados ao uso da terra, o que limita a escala de recuperação dessas áreas.

A transformação dessas pastagens exigiria investimentos entre R$ 188 bilhões e R$ 482 bilhões, dependendo do nível de degradação e da infraestrutura necessária. Ainda assim, o volume de crédito disponível segue distante da demanda. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária indicam que, dentro do Plano ABC+, apenas R$ 3,5 bilhões foram destinados à recuperação de áreas em 2022.

Para o produtor rural, o movimento representa uma oportunidade concreta de expansão produtiva sem aquisição de novas terras. A recuperação de áreas degradadas permite aumento de produtividade, diversificação da atividade e valorização do patrimônio, além de alinhar a produção às exigências ambientais do mercado.

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Na prática, a conversão dessas áreas tende a ganhar força à medida que surgem novos instrumentos financeiros, como CRA verde, CPR verde e modelos de investimento voltados à agricultura regenerativa. O avanço dessa agenda pode redefinir a expansão do agro brasileiro, com crescimento baseado em eficiência e recuperação, e não em abertura de novas áreas.

Fonte: Pensar Agro

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