A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) realizou, nesta sexta-feira (27.2), um treinamento sobre o módulo do Sistema Mato-Grossense de Cadastro Ambiental Rural (Simcar) para Assentamentos Rurais, voltado para técnicos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
O objetivo do treinamento foi demonstrar aos servidores federais o funcionamento do sistema, as informações necessárias para o preenchimento e a forma de inseri-las para validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
“A reunião foi muito positiva e a equipe da Sema trabalha nesse apoio para auxiliar o Incra neste trabalho de compreensão tanto da legislação ambiental quanto do sistema. O Simcar Assentamento funciona por meio do órgão fundiário e os assentados procuram o Incra para esta regularização. Por isso, é tão importante ter esse conhecimento”, avaliou o superintendente de Regularização e Monitoramento Ambiental da Sema, Felipe Klein.
A engenheira agrônoma e perita territorial federal do Incra, Luciana Martins, destacou que a equipe técnica da instituição estava com uma expectativa muito grande em relação ao lançamento do Simcar Assentamento.
“Como lidamos com assentamentos e pequenos produtores, a demanda que vem para nós é muito grande. Eles têm esta dificuldade de ter a regularização para conseguir acesso a crédito e a outros benefícios que só o CAR consegue oferecer”, destacou.
Os técnicos de Mato Grosso participaram de forma presencial do treinamento, enquanto servidores do Incra, do Distrito Federal, participaram virtualmente.
“Foi muito importante a participação da equipe de Brasília para que, em caso de necessidade, os técnicos de fora de Mato Grosso auxiliem na regularização dentro dos assentamentos, como forma de acelerar o processo”, destacou a engenheira Luciana.
Reuniões com assentamentos
A Sema tem realizado reuniões com representantes de assentamentos, com a presença de diversas instituições, como o Incra, o Ministério Público Estadual (MPE) e prefeituras de municípios envolvidos.
Na terça-feira (24.2), representantes dos assentamentos localizados nas proximidades do Rio Cuiabá — Sadia I, III e Dorcelina Fulador, que possuem mais de 300 lotes, segundo dados do Incra — estiveram na secretaria para discutir a regularização ambiental no Simcar Assentamentos.
Na quinta-feira (26.2), a Sema, o Incra e os municípios de Tangará da Serra, Barra do Bugres e Nova Olímpia articularam a efetivação de um Acordo de Cooperação Técnica para promover a regularização ambiental de oito assentamentos localizados na região. As instituições envolvidas no processo de regularização promoveram reuniões com moradores dos assentamentos para explicar como o projeto será executado.
Simcar Assentamento
Em novembro do ano passado, o Governo de Mato Grosso lançou o módulo Simcar Assentamento no Sistema Mato-Grossense de Cadastro Ambiental Rural.
Desde então, o novo módulo está disponível para que o profissional credenciado pelo órgão fundiário realize o cadastramento do projeto de assentamento e, posteriormente, a inclusão das informações da malha de lotes, com a individualização de cada beneficiário da reforma agrária.
Após a inclusão das informações e documentos, a Sema efetua a análise ambiental do assentamento como um todo e, após a aprovação, a emissão do CAR do lote individual ocorre de forma automática pelo sistema.
Representação apresentada por Iraci Ferreira de Souza acusa parlamentar de ataques pessoais, quebra de decoro e uso do mandato para desqualificar a gestora
A prefeita de Pedra Preta, Iraci Ferreira de Souza, apresentou uma representação disciplinar contra o vereador Carlos Fernando Pereira de Oliveira, o “Fernando do Galvileiro”, sob acusação de violência política de gênero e quebra de decoro parlamentar.
A denúncia foi encaminhada à Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal e, posteriormente, remetida à Presidência do Legislativo para análise e adoção das providências cabíveis. No documento de encaminhamento, a própria Procuradoria ressalta que não possui natureza investigativa ou poder para aplicar sanções, cabendo aos órgãos competentes da Câmara analisar o caso.
Segundo a representação, os episódios teriam ocorrido durante fiscalizações e manifestações públicas realizadas pelo vereador nos meses de junho, julho e agosto de 2026. A prefeita sustenta que as críticas ultrapassaram o debate administrativo e passaram a conter ataques pessoais e expressões consideradas ofensivas.
Entre os episódios citados está uma fiscalização realizada no Distrito Industrial, em junho, quando o parlamentar fez críticas à administração municipal. Outro fato apontado ocorreu às margens da Rodovia 459, em julho. A representação também relata um episódio ocorrido em 11 de agosto, na Farmácia Municipal, quando o vereador realizou uma transmissão ao vivo e questionou a falta de medicamentos. A defesa da prefeita afirma que, durante essas manifestações, foram utilizadas expressões como “incompetente”, “omissa” e “mentirosa”.
Na representação, Iraci argumenta que não pretende impedir a fiscalização do Legislativo ou críticas à administração, mas sustenta que houve uma sequência de manifestações direcionadas à sua pessoa e à sua condição de mulher ocupante do cargo de chefe do Executivo.
O documento fundamenta a denúncia na legislação que trata da violência política contra a mulher e também defende que a imunidade parlamentar não serviria para proteger eventuais ofensas pessoais sem relação direta com o exercício legítimo do mandato.
Ao final, a prefeita solicita o recebimento da representação, a análise preliminar dos fatos e o encaminhamento do caso à Mesa Diretora e à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Pedra Preta. Entre as medidas requeridas está a abertura de processo disciplinar que poderá, caso as acusações sejam comprovadas e observados o contraditório e a ampla defesa, resultar inclusive na cassação do mandato do vereador.
Iraci também pede o envio de cópia dos autos ao Ministério Público de Mato Grosso, para análise de eventuais ilícitos funcionais e crimes contra a honra. A representação foi protocolada na Câmara Municipal de Pedra Preta no dia 20 de agosto de 2026.
Até esta etapa, trata-se de uma representação com acusações formuladas pela prefeita, e não de uma decisão definitiva contra o parlamentar. Caberá aos órgãos competentes da Câmara avaliar o prosseguimento do caso e assegurar ao vereador o direito de defesa.
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