Política Nacional
Senadores divergem sobre PL da dosimetria
Publicado
17 de dezembro de 2025, 23:01
O PL da Dosimetria foi aprovado pelo Plenário do Senado, nesta quarta-feira (17), depois de muita discussão. O PL 2.162/2023, que agora segue para a sanção presidencial, reduz as penas dos condenados por envolvimento nos atos golpistas do 8 de janeiro de 2023, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro. Enquanto os defensores da redução de penas diziam que o projeto é uma forma de fazer justiça aos condenados, os críticos afirmavam que a matéria enfraquece a defesa da democracia. Do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), a matéria foi relatada pelo senador Esperidião Amin (PP-SC).
— Esta vitória não é pessoal de ninguém. Esta vitória é do bom senso e da busca da paz. É um passo nessa direção — afirmou Amin, após a aprovação do projeto.
Democracia
De acordo com o senador Renan Calheiros (MDB-AL), o projeto de redução de penas pode ser classificado como “infame”. Ele relembrou vários momentos históricos em que o Brasil sofreu tentativas de golpe contra a democracia e disse que os que lutaram contra a ditadura “ainda estão aqui”.
Segundo Renan, todos os direitos dos condenados pelo 8 de janeiro foram respeitados. Ele disse que tentativas legislativas de anistia ou da “PEC da Blindagem” são fruto da impunidade em outros casos de golpe. O senador ainda ressaltou que a anistia e o PL da dosimetria não são pautas da sociedade e elencou atos criminosos contra a democracia cometidos por bolsonaristas.
— Apesar do legado maldito da ditadura, eles tentaram de novo no 8 de janeiro. Agora, os responsáveis começam a pagar. O que pacifica o país é golpista cumprir pena. A anistia para golpistas atrofia a democracia, pune a sociedade que obedece a lei e estimula novas tentativas de sequestrar o estado — argumentou Renan.
O senador Marcelo Castro (MDB-PI) apontou que o maior crime que um homem público pode cometer é atentar contra a democracia, contra o Estado democrático de direito e contra os direitos humanos. Ele disse que a democracia brasileira tem convivido com várias tentativas de golpes. Assim, argumentou o senador, a redução de penas para golpistas não deveria prosperar.
— Recentemente, foi urdida uma trama e planejado um golpe de estado. Isso é gravíssimo. Houve até um plano para assassinar o presidente e o vice-presidente eleitos e o ministro Alexandre de Moraes. Aliviar para golpistas? Aliviar para quem atentou contra a democracia? Jamais! — declarou o senador.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), definiu o projeto como uma afronta à democracia. Ele disse que a situação de agora é incomparável com a anistia de 1979. Segundo o líder, no final da década de 1970, a anistia foi para quem estava lutando a favor da democracia — o que seria exatamente o contrário do que ocorreu em 2023.
Na visão da senadora Teresa Leitão (PT-PE), a oposição “mistura os assuntos” para tentar esconder a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. Ao pedir a rejeição do projeto, ela disse que os réus foram julgados dentro do processo legal, com todos os direitos respeitados. Teresa afirmou que a rejeição do projeto é uma forma de proteger o Congresso Nacional e a democracia.
— Temos a oportunidade histórica de rejeitar esse projeto e deixar a adolescente democracia brasileira avançar — declarou.
De acordo com o líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (PT-PE), o 8 de janeiro foi o resultado de uma conspiração para apoiar a ruptura democrática. O senador afirmou que as punições aos golpistas precisam ser mantidas para que o estado democrático de direito seja preservado. Os senadores Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) e Rogério Carvalho (PT-SE) também se manifestaram contra o projeto.
O senador Fabiano Contarato (PT-ES) se disse envergonhado do projeto, pois trata-se de uma norma com destinatários claros: o ex-presidente Bolsonaro e seu círculo de auxiliares mais próximos, todos condenados pelo STF por envolvimento com os atos golpistas. Ele lembrou que a Polícia Federal encontrou até minuta do decreto do golpe e identificou um plano para assassinatos.
— Estamos aqui legislando com endereço certo: o ex-presidente Bolsonaro e sua claque. Quando quer legislar de forma contundente, essa Casa o faz contra pobres e pretos. Perdoem meu desabafo. Estou envergonhado e quero pedir perdão à população brasileira pelo que o Senado está fazendo hoje — declarou Contarato, ao pedir a rejeição do projeto.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que o acatamento de uma emenda de redação na CCJ foi uma manobra regimental, para que o projeto não voltasse para a Câmara. No mesmo sentido, o senador Humberto Costa (PT-PE) disse que a emenda do senador Sergio Moro (União-PR), acatada pelo relator, não deveria ser considerada de redação, mas de mérito.
— Ao derrotar esse projeto, o Senado se mostra como o defensor da democracia e da Constituição — declarou Humberto.
Justiça
O líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que o projeto tem a ver “com a nossa própria brasilidade”. Segundo o senador, o projeto pode ser uma forma de fazer justiça e virar a página. Ele disse que toda a “balbúrdia” do 8 de janeiro não foi uma tentativa de golpe, mas uma desculpa para “tirar da vida pública o maior líder político da história recente do Brasil, que é Jair Bolsonaro”.
— Nós temos um desafio pela frente, que é restabelecer as prerrogativas dos Poderes. Precisamos nos dar ao respeito. Vamos deixar o ódio e a revanche de lado e focar no que interessa ao povo brasileiro — pediu Marinho.
Segundo o senador Magno Malta (PL-ES), o que é tido por tentativa de golpe foi, na verdade, uma “arapuca que foi montada por um consórcio infame de perversos formado por STF e Executivo”. Ao defender o projeto, ele disse que as pessoas chamadas de golpistas estavam armadas apenas “com terços, bíblias e algodão doce”. O golpe, acrescentou, só teria nascido “na cabeça doente da esquerda do Brasil”.
De acordo com o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), “houve excessos de várias formas” no 8 de janeiro, inclusive da Justiça. Ao apoiar a redução de penas, ele disse que o perdão é uma tradição política na história do país.
Os senadores Carlos Portinho (PL-RJ), Alan Rick (Republicanos-AC), Jayme Campos (União-MT), Efraim Filho (União-PB) e Izalci Lucas (PL-DF) também se manifestaram a favor do projeto. Já a senadora Tereza Cristina (PP-MS) reconheceu que houve crimes no 8 de janeiro, mas afirmou que as penas impostas pelo STF são desproporcionais.
— Iremos reparar injustiças graves cometidas contra pessoas que receberam penas abusivas — argumentou a senadora.
Anistia
Para o senador Marcos Rogério (PL-RO), o projeto é uma forma de levar um pouco de alento para muitos brasileiros que sofreram com a prisão e com a separação da família desde janeiro de 2023. Ele registrou que preferia votar a anistia, mas admitiu que a redução de pena é o ganho possível para o momento.
Na mesma linha, o senador Marcio Bittar (PL-AC) disse que não houve tentativa de golpe de estado. Ele afirmou que o ideal seria a anistia, mas definiu o projeto como “um degrau a mais” e uma possibilidade dentro do pragmatismo. O senador Sergio Moro (União-PR) também se disse a favor da anistia, mas apontou que a redução da pena já ajudaria a retirar da cadeia os manifestantes que foram apenados de forma excessiva.
Acordo
Na CCJ, mais cedo, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), disse temer a sinalização que o projeto está passando para a sociedade. Ele afirmou que fez um acordo de procedimento para a votação da matéria, mas fez questão de deixar claro que é contra a redução de penas.
No Plenário, ele disse repelir a tentativa de imputar ao governo a responsabilidade por uma suposta negociação para viabilizar a votação do projeto. Segundo Jaques Wagner, ele apenas pediu prioridade para a votação do PLP 128/2025, que reduz benefícios fiscais. A matéria deve ser votada ainda nesta quarta-feira no Plenário.
— Se muitos aqui são defensores da democracia, não são mais do que eu. O que foi feito é o que se faz normalmente no Congresso Nacional: a negociação entre quem pensa diferente. Respeito a todos e quero respeito também — afirmou o senador.
Na opinião do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), alguns discursos no Parlamento parecem desconectados da realidade do povo brasileiro. Ele criticou a rapidez com que a matéria foi votada na Câmara e no Senado. Segundo Alessandro, o ministro Alexandre Moraes, relator dos processos contra os golpistas no STF, é publicamente contrário ao projeto, mas fez sugestões ao texto que tramita no Congresso. Ele disse que é preciso transparência para fazer acordos, fez ressalvas ao texto, mas votou favorável ao projeto.
O senador Renan Calheiros afirmou que sua geração política não permite acordo com quem tenta golpe contra a democracia. Ele criticou quem não guarda coerência de posição histórica contra os golpes.
Renan relatou que Jaques Wagner o chamou para uma reunião particular, pela manhã, e contou sobre um acordo para votar o projeto da dosimetria e também o projeto que reduz benefícios fiscais. Renan disse que recusou e continua recusando qualquer acordo para votar o PL da Dosimetria.
— Eu nunca vi, em uma questão como essa, alguém do governo fazer um acordo e dar um peru de Natal a golpistas. Eu confesso: hoje foi um dia muito difícil para mim — declarou.
Em entrevista coletiva à imprensa, o líder do governo no Congresso Nacional, Randolfe Rodrigues, negou que tenha existido algum acordo para a aprovação do PL da Dosimetria em troca de pautas econômicas. Para Randolfe, o projeto é fadado ao veto.
— É um projeto lamentável, que nasceu errado, pois é uma espécie de “anistia Nutella” — afirmou.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também negou a existência de um acordo entre governo e oposição para aprovação de matérias. De acordo com Damares, o projeto é uma resposta do Senado para a sociedade.
— Nós não nos omitimos e não estamos sendo covardes — registrou Damares.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (22) projeto de lei que cria o Estatuto do Aprendiz, reformulando regras para o contrato de aprendizagem e garantindo direitos do público-alvo, jovens de 14 a 24 anos e pessoas com deficiência. A matéria será enviada ao Senado.
De autoria do ex-deputado André de Paula e outros, o Projeto de Lei 6461/19 foi aprovado na forma do substitutivo da deputada Flávia Morais (PDT-GO).
Segundo o texto, caso a empresa demonstre que não é possível realizar as atividades práticas de aprendizagem em seu ambiente de trabalho ou em entidades concedentes de experiência prática, ela poderá deixar de contratar aprendizes e pagar parcela em dinheiro à Conta Especial da Aprendizagem Profissional (Ceap) no âmbito do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) por, no máximo, doze meses, contados a partir da assinatura de termo de compromisso.
O valor mensal será equivalente a 50% da multa por não contratação de aprendiz, fixada em R$ 3 mil pelo projeto (portanto, R$ 1,5 mil por aprendiz que deixou de ser contratado).
Quando se tratar de empresas que prestem serviços a terceiros, seus empregados serão mantidos na base de cálculo dessa prestadora, a menos que o contrato com a tomadora dos serviços preveja o cumprimento da cota da prestadora pela contratante.
Direitos
O substitutivo deixa explícitos vários direitos dos aprendizes aplicados aos contratados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Além do vale-transporte, o texto assegura à aprendiz gestante o direito à garantia provisória do emprego desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.
Durante o período da licença, a aprendiz deve se afastar de suas atividades, com garantia do retorno ao mesmo programa de aprendizagem caso ainda esteja em andamento. A certificação do aproveitamento deverá ser por unidades curriculares, módulos ou etapas concluídas.
Caso o prazo original do contrato se encerre durante a garantia provisória, ele deverá ser prorrogado até o último dia dessa garantia, mantidas as condições originais, como jornada e horário de trabalho, função e salário, devendo ocorrer normalmente o recolhimento dos respectivos encargos.
As únicas alterações permitidas serão aquelas em benefício da aprendiz e em razão do término das atividades teóricas do curso de aprendizagem.
Acidente de trabalho
Para o aprendiz que tenha sofrido acidente de trabalho, o projeto garante o emprego nos doze meses após o fim do pagamento do auxílio, aplicando-se regras de adaptação semelhantes às da aprendiz grávida.
Férias
Quanto ao período de férias, elas deverão ser concedidas coincidentemente ao de férias escolares para o aprendiz com menos de 18 anos. A critério do aprendiz, elas poderão ser parceladas.
Se forem férias coletivas em períodos não coincidentes com férias escolares ou com as férias estabelecidas em programa de aprendizagem, a empresa poderá dispensar o aprendiz de comparecer ao serviço sem prejuízo do salário e das férias normais se o afastamento coletivo inviabilizar a realização de atividades práticas.
Serviço militar
Na hipótese de afastamento do aprendiz por causa do serviço militar obrigatório ou outro encargo público (como participação em júri, p. ex.), para que esse período não seja contado no prazo de duração do contrato de aprendizagem deverá haver acordo entre as partes interessadas, inclusive a entidade formadora, e reposição das atividades teóricas do curso de aprendizagem.
Ao aprendiz não será permitido se candidatar a cargos de dirigente sindical nem de direção de comissões internas de prevenção de acidentes de trabalho.
Bolsa-família
O PL 6461/19 deixa o rendimento recebido pelo aprendiz de fora do cálculo de renda familiar média mensal para acesso ao benefício do programa Bolsa-família.
Acima de 18 anos
O estabelecimento pode contratar o aprendiz para a ocupação que entender mais adequada, mas terá de matriculá-lo em curso de aprendizagem profissional correspondente à ocupação escolhida, preferencialmente nos serviços nacionais de aprendizagem do Sistema S.
Caso o Sistema S não oferecer vaga suficiente para atender à demanda, a matrícula poderá ocorrer em instituições públicas federais, estaduais, municipais e distrital de ensino profissional técnico de nível médio, em entidades de prática desportiva filiada ao Sistema Nacional do Desporto ou em entidades sem fins lucrativos destinadas a prestar assistência ao adolescente e à educação profissional registradas no conselho municipal dos direitos da criança e do adolescente.
A prioridade será para o público entre 14 e 18 anos incompletos, exceto quando as atividades práticas sujeitem os aprendizes a condições insalubres ou perigosas sem a possibilidade de diminuição desse risco ou de realização dessas atividades integralmente em ambiente simulado.
Outras situações de exclusividade de aprendiz maior de 18 anos são quando assim a lei o exigir (carteira de motorista, p. ex.) ou quando a natureza das atividades práticas for incompatível com o desenvolvimento físico, psicológico e moral dos adolescentes aprendizes.
Contratação facultativa
O substitutivo aprovado prevê que será facultativa a contratação de aprendizes nos seguintes casos:
- se desejarem, estabelecimentos com menos de sete empregados poderão contratar um aprendiz;
- microempresas e empresas de pequeno porte, inclusive as optantes pelo Simples Nacional;
- entidades sem fins lucrativos que tenham por objetivo a educação profissional e tenham habilitação na modalidade aprendizagem profissional com turma de aprendizagem profissional em andamento;
- empresas cuja atividade principal seja de teleatendimento ou telemarketing se ao menos 40% de seus empregados tenham até 24 anos, conforme regulamento;
- órgãos e entidades da administração pública direta, autárquica e fundacional de entes federativos que adotem regime estatutário para seus servidores públicos; e
- empregador rural pessoa física.
Debates
Segundo a relatora, deputada Flávia Morais, a aprendizagem é um instrumento decisivo para estimular os jovens a continuarem estudando, os inserir no mundo do trabalho e também combater o trabalho infantil. “A consolidação de um Estatuto do Aprendiz tem especial relevância para a sociedade brasileira”, afirmou.
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentados na Síntese de Indicadores Sociais (SIS) no fim de 2023, 48,5 milhões de brasileiros são jovens de 15 a 29 anos, dos quais 10,9 milhões (22,3%) nem estudam nem trabalham (os chamados “nem-nem”). Nesse grupo, as mulheres negras correspondiam a 43,3% e as brancas a 20,1%, somando 63,4% do segmento.
“A nossa proposta tem como objetivo atacar situações como essa e dar melhores oportunidades de trabalho, em especial para as jovens, que tanto contribuem para o país e tão pouco recebem da sociedade”, disse Morais, lembrando que, em geral, essas jovens se dedicam a tarefas domésticas ou cuidado de parentes.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a aprovação da proposta que institui o Estatuto do Aprendiz irá ajudar bastante a juventude brasileira na sua inserção no mercado de trabalho.
“Talvez esse tenha sido, na nossa gestão, o projeto que mais entrou e saiu da pauta da Ordem do Dia. E hoje, em demonstração de articulação política e muito compromisso com o Brasil e com a nossa juventude, aprovamos esse projeto que irá fortalecer o programa do jovem aprendiz”, disse, ao ressaltar a articulação da relatora para viabilizar a votação do texto.
Reportagem – Eduardo Piovesan e Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
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