Palestra promovida pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso, na manhã de hoje (25), capacitou servidores para práticas de atendimento e acolhimento a pessoas autistas e suas famílias. A iniciativa pretende tornar os servidores aptos a identificar minimamente a pessoa diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), interagir mediante as técnicas aplicadas, além de promover a garantia da inclusão social tanto no ambiente de trabalho quanto nas interações sociais diárias.
A capacitação faz parte do projeto TEAr, desenvolvido pela Supervisão de Qualidade de Vida (Qualivida), e que pretende colaborar para o aperfeiçoamento dos serviços prestados a essa população. “O objetivo é trazer informações para sensibilizar e garantir o mínimo de conhecimento e de treinamento para atendimento e também interações sociais com pessoas com autismo no âmbito do Legislativo”, defendeu a superintendente do Qualivida, Ivana Mattos.
“A ideia é mostrar que algumas atitudes pequenas podem fazer uma grande diferença tanto na oferta de serviço, quanto na convivência com pessoas autistas”, defendeu a superintendente. “Quanto mais pessoas e profissionais tivermos na multiplicação do conhecimento sobre a melhor forma de nos portar, de adequar ações e espaços para que tenhamos um olhar empático sobre as limitações que afetam as pessoas autistas e também com outras que necessitam de um atendimento diferenciado, mais vamos fortalecer a sociedade para relações mais empáticas e humanas”, concluiu.
O projeto TEAr surgiu de uma preocupação do primeiro-secretário do Parlamento, deputado Max Russi (PSB), em trabalhar a acessibilidade e a inclusão das pessoas com autismo. “O TEAr vem justamente de criar conexões. Tear amor, tear carinho, tear acolhimento para aqueles que precisam de uma atenção diferenciada”, complementou Mattos.
A palestra foi conduzida pela neuropsicóloga Glauciele Oliveira Santos que prestou orientações e esclareceu dúvidas sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ela falou sobre as suas características, os sinais de alerta, as formas de intervenção precoce, além de leis e direitos dos autistas.
“Apesar de se falar muito sobre o autismo, nem sempre quem está no atendimento ao público está preparado para lidar com uma pessoa que tem essa particularidade. Então o objetivo é trazer informações para os profissionais que trabalham aqui sobre como atender, como acolher e também como lidar com situações que podem ocorrer principalmente referentes aos estímulos sensoriais”, explicou a neuropsicóloga.
A intenção, segundo Glauciele, é ensinar técnicas que ajudam identificar nuances de uma pessoa atípica e estratégias para dar mais conforto e segurança. “São pequenos sinais que podem passar despercebidos se não tiver esse conhecimento, como inquietação, incômodo com a iluminação, com barulhos ou dificuldade de permanecer em lugares com muitas pessoas”, descreveu. “Despertar esse olhar e essa sensibilidade é importante não só para atendimento de pessoas autistas como para qualquer outra pessoa atípica”, afirmou a neuropsicóloga.
Para Aline Fedatto, enfermeira da ALMT e mãe de criança com TEA, o trabalho de conscientização para identificação e atendimento a pessoas representa o fortalecimento da inclusão social. “Quando abordamos uma questão como essa, também se abrem os caminhos para buscar soluções que dão mais qualidade de vida para as pessoas autistas e as famílias”, defendeu.
A enfermeira compartilhou uma ferramenta que já é adotada em diversos países e ajuda na comunicação de pessoas que têm um grau elevado de autismo e não verbalizam. É um dispositivo eletrônico com aplicativo que traz um conjunto de informações, que tem um vocabulário que ajuda a formar frases, traz desenhos para melhor identificação e que passa todas essas informações vocalizadas pelo aparelho. “Seria muito útil a adoção de equipamentos como esse para atendimento nos órgãos públicos”, defendeu.
A servidora Ana Paula Carvalho explicou que a palestra trouxe informações novas, principalmente sobre as práticas. “Temos ouvido muito sobre autismo, sabemos o que é, mas ainda somos pouco preparados para lidar de fato com pessoas atípicas”, afirmou. “O que aprendemos aqui, hoje, faz muita diferença, como a forma de conversar com mais detalhes e ter recursos visuais que ajudam a entender melhor as informações. São exemplos de coisas simples que todos podemos fazer e que contribuem para um atendimento mais humanizado”, explicou.
A ONU estima que mais de 70 milhões de pessoas em todo o mundo sejam autistas. Os números representam a importância da promoção de uma sociedade mais inclusiva e preparada para acolher as diferenças.
Mês da Conscientização do Autismo
O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado no dia 2 de abril, foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2007, com o objetivo de levar informação à população para reduzir a discriminação e o preconceito contra os indivíduos que apresentam o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O TEA é uma condição de saúde caracterizada por desafios em habilidades sociais, comportamentos repetitivos, fala e comunicação não-verbal, entretanto, terapias adequadas a cada caso podem auxiliar essas pessoas a melhorar sua relação com o mundo.
O deputado estadual Valmir Moretto (Republicanos) participou neste sábado (13), em Jauru, da cerimônia de beatificação do Padre Nazareno Lanciotti. O evento reuniu milhares de fiéis para celebrar o reconhecimento oficial da Igreja Católica ao missionário que dedicou sua vida à evangelização e ao desenvolvimento humano da região Oeste de Mato Grosso.
A cerimônia contou com a presença do ex-governador Mauro Mendes; do governador Otaviano Pivetta; da ex-primeira-dama de Mato Grosso, Virgínia Mendes; do deputado federal Fábio Garcia; além de prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias e representantes da Igreja Católica de diversas regiões do estado. Entre as autoridades presentes estiveram os prefeitos Odair Vargas (Conquista d’Oeste), Mirim (Figueirópolis d’Oeste), Passarinho (Jauru), Odirlei Faria (Porto Esperidião), Pabollo Victor (Rio Branco), Mauto Espíndola (Salto do Céu) e Cláudio Scariote (Sapezal).
Acompanhado de sua mãe, Carmen Moretto, o parlamentar destacou a importância histórica da celebração para Jauru e para Mato Grosso. “Padre Nazareno deixou um legado que vai muito além da evangelização. Sua missão contribuiu para fortalecer a educação, a saúde, a assistência social e o cuidado com as pessoas. É um exemplo de fé e serviço que continua inspirando gerações”, afirmou Moretto.
Missionário italiano, Padre Nazareno chegou a Jauru na década de 1970 e se tornou uma das figuras mais importantes da história do município. Sua atuação marcou a vida de milhares de pessoas por meio do trabalho religioso, social e comunitário desenvolvido ao longo de décadas. Para Moretto, a beatificação representa não apenas o reconhecimento da trajetória do sacerdote, mas também da força da fé e da história construída pela população de Jauru. “Jauru preserva esse legado e demonstra como a fé pode caminhar junto com a solidariedade, a educação, a saúde e o cuidado com o próximo. É um momento de orgulho para toda a região Oeste”, destacou.
O reconhecimento da trajetória de Padre Nazareno também ganhou repercussão internacional. Durante a oração do Angelus deste domingo (14), no Vaticano, o Papa Leão XIV recordou a beatificação realizada em Jauru e destacou a missão do sacerdote. “Ontem, no Mato Grosso, foi beatificado Nazareno Lanciotti, sacerdote romano e missionário, mártir da fé”, afirmou o Pontífice. Para Moretto, a menção do Papa reforça a dimensão histórica do evento para Jauru, para a região Oeste e para todo Mato Grosso.
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