Agro News

Setor produtivo do Paraná cobra ações do governo federal para renegociação de dívidas, seguro rural e crise do leite

Publicado

Representantes do agronegócio paranaense encaminharam, na última sexta-feira (7), um documento ao governo federal solicitando ações emergenciais para o setor rural. Entre as principais demandas estão a renegociação de dívidas de produtores afetados por intempéries, reforço no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural e apoio para conter a crise no setor leiteiro.

O ofício foi enviado à ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e aos ministros da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira. A proposta foi elaborada em conjunto pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), pelo Sistema Ocepar, Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes-PR).

Perdas climáticas provocam prejuízos generalizados no Estado

O documento destaca que os produtores rurais do Paraná vêm enfrentando grandes prejuízos causados por tempestades, ventos fortes e granizo, que atingiram praticamente todo o Estado. Os danos afetaram lavouras, aviários e estruturas de armazenagem, comprometendo a renda de centenas de famílias no campo.

Segundo as entidades, os prejuízos ainda estão sendo calculados, mas já justificam ações emergenciais de crédito e renegociação de dívidas. O objetivo é restaurar a capacidade produtiva dos agricultores e garantir a continuidade das atividades rurais.

Leia mais:  51ª Expocitros 2026 projeta inovação, sustentabilidade e avanços estratégicos na citricultura brasileira
Setor pede revisão de critérios da Medida Provisória 1.314/2025

Entre as reivindicações, as lideranças do setor solicitam que o governo federal restaure o propósito original da Medida Provisória (MP) 1.314/2025, que prevê o uso de recursos públicos para amortização ou liquidação de dívidas de produtores prejudicados por desastres climáticos.

De acordo com o documento, o Conselho Monetário Nacional (CMN) publicou a Resolução nº 5.247, em 19 de setembro de 2025, impondo critérios restritivos que excluem boa parte dos produtores paranaenses. Apenas 120 municípios do Estado se enquadraram nas condições exigidas e, destes, somente 50 atendem ao requisito adicional de perda mínima de 20% em dois dos três principais cultivos municipais.

As entidades pedem que o governo reavalie esses critérios e retome o escopo original da MP, permitindo que o auxílio alcance os produtores realmente afetados, sem entraves burocráticos.

“É necessário um novo mecanismo de socorro aos produtores atingidos, garantindo que o apoio chegue a quem mais precisa”, reforça o documento.

Seguro rural e crise do leite entram na pauta de reivindicações

O setor produtivo também cobra que o governo libere os recursos para o pagamento da subvenção ao prêmio do seguro rural já contratados, garantindo a cobertura das apólices e o funcionamento regular do programa.

Leia mais:  Mercado de Feijão Passa por Virada Estrutural em Fevereiro

Outro ponto sensível é a crise enfrentada pelos produtores de leite, que, segundo o documento, vivem uma combinação preocupante de fatores:

  • Queda acentuada do preço pago ao produtor;
  • Aumento dos custos de produção;
  • Concorrência desleal com produtos importados;
  • Falta de políticas públicas estruturantes para o setor.

As entidades ressaltam que o leite é base econômica de centenas de municípios paranaenses, mas o endividamento dos produtores cresce em ritmo acelerado, colocando em risco a sustentabilidade da atividade.

PRC300: mobilização integra plano estratégico do cooperativismo

A iniciativa de articulação liderada pelo Sistema Ocepar está inserida no Projeto 6 – Formas de Financiamento para o Cooperativismo, que compõe o Plano Paraná Cooperativo 300 (PRC300), o planejamento estratégico de desenvolvimento sustentável do cooperativismo paranaense.

O PRC300 é formado por 30 projetos distribuídos em 12 eixos estratégicos, como representação institucional, sustentabilidade, inovação, desenvolvimento humano, governança, infraestrutura e intercooperação.

A mobilização em torno da renegociação de dívidas e das medidas de apoio ao setor agropecuário reforça o compromisso das entidades com a defesa do produtor rural paranaense e a busca por políticas públicas que assegurem a continuidade da produção.

Carta conjunta na íntegra

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Brasil bate recorde de registros de defensivos agrícolas e avanço asiático transforma mercado de agroquímicos

Publicado

O mercado brasileiro de defensivos agrícolas e bioinsumos vive uma profunda transformação regulatória e comercial. O país registrou em 2025 o maior número de aprovações de pesticidas da história, enquanto cresce a presença de fabricantes asiáticos no setor nacional de agroquímicos.

O cenário será um dos principais focos da Brasil AgrochemShow 2026, marcada para os dias 3 e 4 de agosto, no Centro de Eventos São Luís, em São Paulo. O encontro deve reunir mais de 1.500 participantes, incluindo empresas, distribuidores, consultorias regulatórias, especialistas, importadores, indústrias químicas e representantes do agronegócio.

Brasil registra recorde histórico de aprovações de defensivos

Levantamento da AllierBrasil aponta que o Brasil aprovou 912 registros de pesticidas em 2025, o maior volume já registrado no país.

Do total liberado:

  • 323 foram produtos técnicos
  • 427 produtos formulados químicos
  • 162 produtos biológicos

O volume representa crescimento de 37,5% em relação ao ano anterior.

A expansão também impressiona no longo prazo. Entre 2006 e 2015, o Brasil aprovou 1.454 registros. Já no período entre 2016 e 2025, o número saltou para 5.442 aprovações, avanço de 274,3%.

Somente nos últimos cinco anos, foram liberados 3.344 registros, alta de 59,4% frente ao período anterior.

Especialistas alertam para morosidade regulatória

Apesar do crescimento expressivo no número de aprovações, especialistas afirmam que o sistema regulatório brasileiro continua lento, burocrático e altamente complexo.

Segundo Flávio Hirata, engenheiro agrônomo, especialista em registro de pesticidas e sócio da AllierBrasil, o aumento das liberações não significa necessariamente maior eficiência regulatória.

“O registro continua sendo burocrático, oneroso e sujeito a constantes mudanças de interpretação e exigências regulatórias”, afirma.

De acordo com a consultoria, o tempo médio de aprovação em 2025 foi de:

  • 63,4 meses para produtos formulados químicos
  • 67,4 meses para produtos técnicos equivalentes
Leia mais:  Mercado de Feijão Passa por Virada Estrutural em Fevereiro

Na prática, muitos processos levam mais de cinco anos para serem concluídos.

“O maior desestímulo ao investimento no setor é justamente o tempo necessário para acessar o mercado. Em alguns casos, quando o registro é aprovado, parte da eficácia agronômica já foi comprometida ou o ingrediente ativo se aproxima de restrições regulatórias”, explica Hirata.

Judicialização cresce no mercado de defensivos agrícolas

A lentidão nas análises regulatórias também impulsionou o aumento da judicialização no setor.

Atualmente, cerca de 2.830 processos de registros de produtos formulados químicos aguardam avaliação no Brasil.

Segundo a AllierBrasil:

  • 397 processos estão parados há sete anos ou mais
  • 94 registros aguardam análise há mais de dez anos

Entre 2019 e 2025, os deferimentos obtidos via ações judiciais cresceram:

  • 395% contra a Anvisa
  • 2.666% contra o Ibama

Somente até 22 de abril de 2026, 47 avaliações toxicológicas foram aprovadas por meio de decisões judiciais.

“O uso da judicialização deixou de ser exceção e passou a integrar a estratégia regulatória das empresas para acelerar o acesso ao mercado”, destaca Hirata.

Avanço da China e da Índia redefine mercado global de agroquímicos

Outro tema central do AgrochemShow será o avanço das empresas asiáticas no mercado brasileiro de defensivos agrícolas.

Segundo especialistas, a chamada “invasão asiática” representa uma reestruturação global da cadeia de produção de pesticidas.

“A China se consolidou como centro mundial de produção de defensivos agrícolas, enquanto o Brasil permanece como um dos maiores mercados consumidores do planeta”, afirma Hirata.

Nos últimos 15 anos, o mercado brasileiro registrou:

  • Crescimento de produtos pós-patente
  • Expansão de fabricantes chineses e indianos
  • Aumento de empresas nacionais com produção terceirizada na Ásia
  • Maior concorrência no setor de distribuição
Leia mais:  Preço do milho recua no Brasil em meio a mercado travado e atenção à safrinha

Atualmente, a China domina grande parte da produção global de ingredientes ativos utilizados nos defensivos agrícolas, enquanto a Índia amplia rapidamente sua participação.

Concorrência reduz custos, mas aumenta debate sobre segurança e rastreabilidade

O avanço asiático trouxe impactos diretos sobre preços, margens e competitividade no mercado brasileiro.

Entre os principais efeitos observados estão:

  • Redução nos preços de moléculas tradicionais
  • Pressão sobre margens das distribuidoras
  • Maior concorrência comercial
  • Crescimento da agricultura digital
  • Expansão dos bioinsumos e biossoluções

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação do setor com:

  • Rastreabilidade dos produtos
  • Pureza dos ingredientes ativos
  • Equivalência técnica
  • Dependência externa
  • Segurança regulatória e logística

No Brasil, os defensivos agrícolas precisam passar por aprovação de três órgãos:

  • Anvisa
  • Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)
  • Ibama

“Existe uma preocupação crescente sobre segurança de abastecimento e dependência externa. Por outro lado, a maior concorrência também ajudou a reduzir custos para o produtor rural e acelerou a modernização do setor”, avalia Hirata.

AgrochemShow 2026 reunirá indústria, distribuidores e especialistas

Além dos debates regulatórios, o Brasil AgrochemShow 2026 reunirá representantes da indústria química, empresas de biológicos, distribuidores, consultorias, importadores, revendas e fornecedores internacionais.

O evento terá foco em:

  • Inovação no mercado agrícola
  • Estratégias regulatórias
  • Tendências globais
  • Logística
  • Agricultura digital
  • Bioinsumos
  • Parcerias técnico-comerciais

As inscrições para participação estão abertas no portal oficial do evento, mediante doação de cestas básicas destinadas à ONG Crê-Ser, de São Paulo.

Na edição de 2025, a iniciativa arrecadou cerca de 14 toneladas de alimentos, reforçando o caráter social do encontro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana