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Síntese do Dia – COP15 – 23 de março

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A 15ª Reunião da Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS, na sigla em inglês) foi aberta nesta segunda-feira (23/3), em Campo Grande (MS), sob o lema “Conectando a natureza para sustentar a vida”. Com quase 2 mil participantes, o encontro marca a primeira vez em que o Brasil assume a presidência da conferência voltada à proteção global das espécies migratórias.

O Pantanal foi destacado como símbolo da conectividade ecológica e da integração entre ciência, políticas públicas e saberes tradicionais. O início dos trabalhos também foi marcado por alertas sobre o agravamento da situação dessas espécies no mundo.

Relatórios recentes indicam aumento no risco de extinção e queda populacional, reforçando a necessidade de respostas coordenadas entre países. Autoridades e especialistas defenderam maior cooperação internacional e a transformação do conhecimento científico em políticas efetivas.

À frente da presidência da COP da CMS no próximo triênio, o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, defendeu uma agenda voltada à implementação, com ampliação de parcerias, mais investimentos e fortalecimento da cooperação internacional. A liderança brasileira foi bem recebida por representantes estrangeiros, que veem o encontro como uma oportunidade de avançar da negociação para resultados concretos.

Em sua fala durante a abertura, a ministra Marina Silva, reforçou o compromisso do país com o multilateralismo e a agenda ambiental global.

Sediar a COP15, segundo a ministra, é uma oportunidade para impulsionar a proteção de espécies listadas nos Anexos I e II da Convenção, ampliar iniciativas de cooperação e fortalecer ações integradas em temas como conectividade ecológica e mudança do clima.

A COP15 reúne mais de 100 itens na agenda de negociação, incluindo temas como combate à caça ilegal, perda de habitat e impactos da poluição e da mineração submarina. Também está em discussão a inclusão de 42 novas espécies nas listas de proteção da Convenção, como predadores marinhos, aves migratórias e grandes mamíferos, além do reforço da atuação conjunta entre países ao longo das rotas migratórias — as chamadas “ações concertadas”.

Como país-membro, o Brasil lidera – ou colidera – sete propostas de inclusão, com destaque para espécies de peixes, como o cação-cola-fina, o cação-anjo-espinhoso e o pintado, além de aves como o maçarico-de-bico-torto, o maçarico-de-bico-virado e o caboclinho-do-pantanal.

PRINCIPAIS MOMENTOS DO DIA

  • A COP15 foi aberta no Dia Mundial do Urso, com alerta para o declínio global da fauna migratória;

  • Dados indicam agravamento do cenário: relatório da ONU aponta que 24% das espécies listadas estão ameaçadas e 49% apresentam queda populacional;

  • A secretária-executiva da CMS, Amy Fraenkel, destacou que o relatório aponta o aumento do risco de extinção de espécies e cobrou maior cooperação internacional;

  • Cientistas alertaram sobre ameaças a baleias e albatrozes, cobrando políticas públicas em larga escala, mudanças na pesca e cooperação internacional;

  • A “Noite dos Campeões” homenageou iniciativas de destaque na proteção de espécies migratórias;

  • A programação também incluiu debates administrativos, análise de relatórios e questões orçamentárias da Convenção.

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Conversa com jornalistas

Durante a primeira conversa com jornalistas, autoridades, cientistas e representantes da ONU destacaram a gravidade do declínio global das espécies migratórias e a necessidade urgente de cooperação internacional por sua preservação. Reforçaram ainda que esses animais conectam ecossistemas e países, e sua proteção depende de ações conjuntas entre nações.

Estiveram presentes a ministra Marina Silva, o presidente da COP15, João Paulo Capobianco, a secretária-executiva da CMS, Amy Fraenkel, a subsecretária-geral das Nações Unidas e diretora executiva adjunta do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Elizabeth Mrema, e a chefe de Natureza Conservada do Centro de Monitoramento da Conservação Mundial do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-WCMC), Kelly Malsch.

O Brasil foi apontado como ator estratégico nesse esforço, tanto por sua biodiversidade quanto por sediar a COP15 e assumir a presidência da Convenção. Marina Silva destacou avanços recentes, como ampliação de áreas protegidas, redução do desmatamento e políticas públicas voltadas ao enfrentamento da mudança do clima, além do compromisso de fortalecer a cooperação internacional, ampliar investimentos e impulsionar a produção científica. Também foram apresentados novos estudos científicos e relatórios globais que orientam as decisões da Convenção.

Os representantes enfatizaram que, apesar do cenário preocupante, há espaço para avanços com base em ciência, políticas públicas e acordos multilaterais. A COP15 é vista como uma oportunidade para transformar compromissos em ações concretas e ampliar a proteção da biodiversidade em escala global.

A ministra Marina Silva destacou que a conservação da biodiversidade depende das populações tradicionais e do fortalecimento de políticas públicas. Segundo ela, o país ampliou áreas de uso sustentável, avançou no combate ao desmatamento e na proteção de territórios indígenas, além de expandir programas como o Bolsa Verde e o uso de instrumentos financeiros, como o Fundo Amazônia. Marina também defendeu maior cooperação internacional e a proteção de defensores ambientais, ressaltando que, apesar dos avanços, ainda é necessário ampliar os esforços.

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Inauguração do Espaço Brasil

A programação do Espaço Brasil na COP15 começou com debates sobre proteção de rotas, habitats e áreas críticas para espécies migratórias. Entre os destaques, estão painéis sobre conservação de baleias do Atlântico Sul, impactos climáticos sobre peixes amazônicos e a integração entre saúde ambiental e biodiversidade.

Representantes do Governo do Brasil reforçaram o compromisso com políticas públicas baseadas em ciência, cooperação e implementação. O encontro sobre baleias ganhou relevância após a criação recente do Parque Nacional Marinho do Albardão e da APA do Albardão, no litoral do Rio Grande do Sul, ampliando a proteção de ecossistemas marinhos estratégicos.

Animais silvestres e saúde

A integração entre saúde humana, animal e ambiental também foi destaque em evento paralelo do Governo do Brasil na COP15. O conceito de Saúde Única (One Health, em inglês) foi apresentado como estratégia essencial para prevenir crises sanitárias globais, a partir de uma abordagem integrada que permite antecipar doenças e até pandemias, como a COVID-19.

Especialistas ressaltaram que cerca de 75% das doenças infecciosas emergentes têm origem animal, reforçando a importância do monitoramento da fauna para detectar riscos antes de atingirem humanos. Exemplos como a gripe aviária evidenciam a necessidade de cooperação internacional e troca de informações.

Conexões Sem Fronteiras

A reinauguração da Casa do Homem Pantaneiro marcou a abertura do espaço Conexões Sem Fronteiras durante a COP15. Coordenado pelo MMA, o espaço reúne atividades culturais, científicas e gastronômicas ligadas ao Pantanal, aproximando a sociedade civil das discussões sobre conservação e mudança do clima.

Reaberto após mais de dez anos, o local amplia a estrutura da conferência e reforça a integração entre diferentes atores da agenda ambiental. A iniciativa ocorre em meio à ampliação de unidades de conservação no bioma, anunciada pelo Governo do Brasil, com foco no fortalecimento de corredores ecológicos.

(Com informações da Earth Negotiations Bulletin)

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
[email protected]
(61) 2028-1227/1051

Acesse o Flickr do MMA

Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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ABCS propõe novas linhas de crédito e ampliação do INOVAGRO para o Plano Safra 2026/27

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A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) encaminhou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) uma série de propostas para o Plano Safra 2026/2027. O documento reúne sugestões voltadas à ampliação do crédito rural, modernização das granjas e fortalecimento da competitividade da suinocultura brasileira.

As medidas defendidas pela entidade buscam adequar as linhas de financiamento às necessidades do setor, que demanda investimentos constantes em tecnologia, biosseguridade, automação e bem-estar animal.

Entre os principais pontos apresentados pela ABCS está a criação permanente de uma linha de crédito específica para retenção de matrizes suínas, com prazo de carência de dois anos para pagamento.

ABCS pede crédito específico para retenção de matrizes

Segundo a entidade, a suinocultura possui um ciclo produtivo mais longo em relação a outras cadeias pecuárias. O intervalo entre a inseminação da matriz e o abate dos animais gerados no ciclo reprodutivo pode chegar a nove meses.

Além disso, cada matriz permanece em produção, em média, durante cinco ciclos, totalizando aproximadamente 24 meses de atividade.

Com base em levantamentos da Embrapa Suínos e Aves referentes aos custos médios registrados em janeiro de 2026 nos estados da Região Sul, a ABCS calculou que o custo direto por matriz ao longo de 2,5 anos chega a R$ 6.791.

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O estudo considera despesas com aquisição de matrizes, alimentação, medicamentos e vacinas.

A associação estima que seriam necessários aproximadamente R$ 239 milhões em recursos para atender cerca de 5% dos produtores independentes do país por meio da nova linha de crédito proposta.

Entidade solicita ampliação dos limites do INOVAGRO

Outro ponto defendido pela ABCS é a ampliação dos limites de financiamento do Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (INOVAGRO).

A proposta prevê aumento do limite individual para R$ 4,5 milhões e do teto para operações coletivas para R$ 13,5 milhões.

Segundo a entidade, os investimentos são necessários para adequar as granjas às exigências previstas na Instrução Normativa nº 113/2020, que trata de bem-estar animal e práticas produtivas na suinocultura.

Os recursos seriam destinados principalmente para reformas em instalações de gestação, ampliação de maternidades, sistemas de climatização e automação das unidades produtivas.

A ABCS argumenta que as adequações são fundamentais para elevar a eficiência produtiva, reduzir o uso de antimicrobianos e atender exigências de mercado.

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Proposta também prevê atualização do limite do Pronamp

A associação também sugeriu mudanças no enquadramento do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp).

A proposta encaminhada ao Mapa prevê elevação do limite de renda bruta anual de R$ 3,5 milhões para R$ 3,75 milhões.

De acordo com a entidade, a atualização é necessária diante do aumento dos custos de produção e das mudanças econômicas registradas nos últimos anos no setor agropecuário.

Setor cobra linhas de financiamento mais alinhadas à realidade da produção

Segundo o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, as propostas têm como objetivo aproximar os mecanismos de crédito da realidade enfrentada pelos produtores rurais.

“A atividade exige investimentos contínuos em tecnologia, biosseguridade e bem-estar animal. Por isso, defendemos que os mecanismos de crédito acompanhem a dinâmica e as necessidades do setor”, afirmou.

As sugestões apresentadas pela ABCS reforçam a mobilização do setor produtivo em torno do Plano Safra 2026/2027, considerado estratégico para garantir competitividade, expansão da produção e modernização da agropecuária brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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