Agro News

Soja avança com suporte do câmbio e prêmios nos portos, mas incertezas globais limitam ganhos

Publicado

Situação nos estados produtores

O mercado de soja no Brasil apresenta cenários distintos entre os estados, com produtores adotando estratégias variadas de armazenagem e comercialização.

No Rio Grande do Sul, as negociações seguem lentas, pressionadas por limitações de armazenamento. Os preços no porto foram reportados em R$ 141,50/saca (pagamento em 29/08), enquanto no interior variaram de R$ 122,00 a R$ 134,00 por saca, a depender da praça.

Em Santa Catarina, a atenção está voltada para a capacidade de estocagem e para a mão de obra disponível. A soja compete espaço com outras culturas e a logística de armazenagem se mantém como desafio. No porto de São Francisco, a cotação atingiu R$ 142,84/saca (+1,31%).

No Paraná, a comercialização avança em ritmo mais firme. Parte da produção segue estocada, mas cooperativas e tradings têm acelerado os embarques. Em Paranaguá, a saca foi negociada a R$ 144,83 (+0,93%). Em outras praças: Cascavel, R$ 128,79 (-0,80%); Maringá, R$ 130,89 (+0,58%); Ponta Grossa, R$ 131,55 (-0,86%); e Pato Branco, R$ 142,84 (+1,31%).

No Mato Grosso do Sul, produtores mantêm volumes estocados em propriedades e cooperativas, enquanto observam o mercado para vendas futuras. Em Dourados, Campo Grande e Sidrolândia, a saca foi cotada a R$ 123,83, com leves oscilações negativas.

Já no Mato Grosso, a suspensão da Moratória da Soja trouxe dinamismo às negociações. Os preços variaram entre R$ 121,96/saca em Campo Verde, Primavera do Leste e Rondonópolis (-1,37%) e R$ 122,82/saca em Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso (+1,42%).

Leia mais:  Chuvas irregulares no Cerrado freiam o plantio da soja e preocupam produtores, aponta AgRural
Preços internos sustentados por câmbio e prêmios nos portos

Apesar das pressões externas, o mercado doméstico se mantém aquecido. Segundo dados da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), a média no Rio Grande do Sul encerrou a semana em R$ 125,22/saca. No restante do país, as cotações oscilaram entre R$ 116,00 e R$ 126,50.

O câmbio, com o dólar a R$ 5,49 no dia 21/08, somado aos prêmios firmes nos portos, sustentou os preços no Brasil. Comparado a 2024, os valores atuais estão de 5,4% a 9% mais altos, superando inclusive a inflação acumulada de 5,23%.

Cenário internacional: incertezas e demanda chinesa ausente

Na Bolsa de Chicago (CBOT), a soja encerrou a quinta-feira (21) em forte alta, impulsionada por vendas externas expressivas da nova safra dos EUA e pela valorização do óleo de soja, que disparou 4,77%, cotado a US$ 53,64/libra-peso. O contrato de setembro fechou a US$ 1.034,50/bushel (+1,92%), enquanto o novembro encerrou em US$ 1.056,00/bushel (+1,93%).

Na sexta-feira (22), entretanto, o mercado mostrou leve acomodação, com ganhos moderados de pouco mais de 1 ponto nos principais vencimentos. O setembro era negociado a US$ 10,35 e o novembro a US$ 10,57/bushel.

Leia mais:  MMA lança projeto Periferias Verdes Resilientes para fortalecer adaptação climática em Contagem (MG)

O farelo de soja também encerrou em alta, com valorização de 11% em agosto, enquanto o óleo acumulou queda de 6,4% no mesmo período.

Exportações dos EUA e disputa com a China

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou vendas da nova safra de 1,142 milhão de toneladas, acima das expectativas, reforçando o viés positivo. Ainda assim, a ausência da China nas compras diretas permanece como fator limitador. Analistas especulam que parte dos registros de “destinos desconhecidos” possa estar vinculada a compradores chineses.

O impasse comercial entre EUA e China segue como variável-chave. Desde a imposição de tarifas por Donald Trump, os chineses reduziram drasticamente suas compras dos EUA, ampliando as importações de Brasil e Argentina. Esse movimento abriu espaço para o Brasil atingir cerca de 120 milhões de toneladas negociadas até agosto, garantindo liquidez interna.

Estoques elevados limitam altas expressivas

Apesar do ambiente favorável, os estoques finais brasileiros, estimados pela Conab em 3,9 milhões de toneladas — mais de quatro vezes acima do registrado no ano passado —, têm impedido valorizações mais robustas. Esse fator sugere que os preços devem se manter sustentados, mas sem grandes disparadas no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Confinamento de bovinos deve crescer 5,7% em 2026 e reforça avanço da tecnologia na pecuária brasileira

Publicado

A pecuária intensiva brasileira segue em trajetória de crescimento e modernização. Resultados preliminares do Censo de Confinamento 2026 e do Tour de Confinamento 2025, apresentados pela dsm-firmenich, indicam expansão da atividade, aumento da eficiência produtiva e maior adoção de tecnologias voltadas à gestão e à rentabilidade das propriedades.

Os dados reforçam uma tendência cada vez mais presente no setor: a integração entre nutrição, tecnologia, análise de dados e gestão estratégica para elevar a produtividade dos sistemas de produção de carne bovina.

Brasil deve alcançar quase 9,8 milhões de cabeças confinadas

De acordo com a prévia do Censo de Confinamento 2026, realizada com o apoio de mais de mil técnicos e parceiros de campo, o Brasil deverá registrar aproximadamente 9,78 milhões de bovinos confinados neste ano.

O volume representa crescimento de 5,7% em comparação com 2025, quando foram contabilizadas 9,25 milhões de cabeças.

Os estados líderes em confinamento continuam concentrando grande parte da produção nacional:

  • Mato Grosso: 2,4 milhões de cabeças (+7,7%);
  • São Paulo: 1,4 milhão (+4,9%);
  • Goiás: 1,4 milhão (+2,0%);
  • Mato Grosso do Sul: 900 mil (+5,2%);
  • Minas Gerais: 800 mil (+7,9%).

Juntos, esses cinco estados respondem por cerca de 70,6% de todo o rebanho confinado estimado para o país, consolidando sua importância estratégica para a pecuária intensiva brasileira.

Segundo Luiz Fernando Magalhães, presidente de Nutrição e Saúde Animal para a América Latina da dsm-firmenich, o levantamento permite compreender transformações estruturais que vêm ocorrendo na atividade.

“A pecuária brasileira está cada vez mais profissionalizada, com decisões baseadas em tecnologia, gestão e indicadores produtivos que contribuem para maior eficiência e competitividade”, destaca.

Tour de Confinamento revela ganhos de produtividade e retorno financeiro

O Tour de Confinamento 2025 avaliou sistemas produtivos em propriedades distribuídas por diferentes regiões do país, analisando indicadores técnicos, econômicos e zootécnicos.

Leia mais:  Preço da arroba do boi reage no início de 2026, enquanto exportações batem recorde histórico em 2025

Os resultados apontaram desempenho consistente dos sistemas acompanhados:

  • Ganho médio de 7,22 arrobas por animal;
  • Ciclo médio de confinamento de 98 dias;
  • Peso médio de entrada de 12,7 arrobas;
  • Peso médio de saída de 19,92 arrobas;
  • Retorno médio sobre investimento (ROI) de 16,31%, podendo atingir até 26,8%.

Os números demonstram que a busca por eficiência operacional tem contribuído para melhorar os resultados econômicos da atividade, mesmo em cenários de custos elevados e margens mais apertadas.

De acordo com Walter Patrizi, gerente de Confinamento para a América Latina da dsm-firmenich, tecnologias nutricionais e estratégias de gestão têm papel fundamental na sustentabilidade financeira dos confinamentos.

Pecuária de precisão amplia uso de dados no campo

Outro destaque apresentado pela companhia foi o avanço da digitalização no setor pecuário.

A plataforma FarmTell® Beef, voltada para gestão da pecuária de corte, já acompanha aproximadamente 1,4 milhão de animais distribuídos em 410 confinamentos localizados em 12 estados brasileiros.

A ferramenta reúne informações zootécnicas, produtivas e operacionais, permitindo que os produtores tomem decisões mais rápidas e assertivas com base em indicadores de desempenho.

Leia mais:  Chuvas irregulares no Cerrado freiam o plantio da soja e preocupam produtores, aponta AgRural

Além disso, a empresa vem ampliando a utilização da Lore™, inteligência artificial desenvolvida para gerar análises e recomendações personalizadas aos pecuaristas, contribuindo para ganhos de eficiência e controle dos sistemas produtivos.

Segundo Vanessa Porto, diretora de Pecuária de Precisão da dsm-firmenich, o uso de tecnologia passou a ser um fator estratégico para a competitividade da atividade.

“O produtor continua valorizando o suporte técnico e a proximidade com especialistas, mas também busca ferramentas capazes de transformar grandes volumes de dados em informações práticas para a tomada de decisão”, afirma.

Tecnologia, gestão e sustentabilidade moldam o futuro da pecuária

Os resultados preliminares do Censo de Confinamento 2026 e do Tour de Confinamento 2025 evidenciam uma mudança estrutural na pecuária brasileira. O foco não está apenas na ampliação da produção, mas na capacidade de produzir mais com eficiência, sustentabilidade e rentabilidade.

A combinação entre ciência, inovação, gestão e ferramentas digitais vem se consolidando como um dos principais pilares para o crescimento do setor, permitindo que os produtores enfrentem desafios de mercado e aumentem sua competitividade nos próximos anos.

Nesse cenário, a pecuária de precisão e o uso estratégico de dados tendem a ganhar ainda mais relevância, impulsionando uma nova fase de desenvolvimento da produção de carne bovina no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana