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Soja mantém alta internacional, mas preços internos sofrem com logística e custos no Brasil

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Soja em Chicago retoma ganhos e reage à alta do farelo e do óleo

Os preços da soja na Bolsa de Chicago voltaram a subir nesta sexta-feira (20), em mais um movimento de recuperação após uma semana marcada por intensa volatilidade. Por volta das 7h20 (horário de Brasília), os contratos de maio e julho eram negociados a US$ 11,72 e US$ 11,87 por bushel, respectivamente, com pequenas altas entre 4 e 5 pontos.

Parte do suporte vem de fatores técnicos, após perdas recentes, e do desempenho dos derivados. Após dois dias de baixa, o óleo de soja avançou mais de 1%, enquanto o farelo subiu mais de 3%, oferecendo suporte adicional às cotações do grão. No entanto, o mercado segue atento ao ritmo de comercialização da safra sul-americana e a fatores externos, como tensões geopolíticas no Oriente Médio e relações comerciais entre Donald Trump e Xi Jinping, cujo encontro foi adiado.

Oscilação internacional e impactos para o Brasil

Apesar da valorização em Chicago, os preços domésticos no Brasil permanecem pressionados. A combinação de um dólar em queda frente ao real e prêmios negativos nos portos limita a competitividade das exportações e reduz o poder de reação das cotações internas.

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Segundo a TF Agroeconômica, o avanço da soja na América do Sul foi sustentado principalmente pela alta do farelo, enquanto o óleo apresentou recuo devido à realização de lucros e à expectativa de anúncios sobre biodiesel nos Estados Unidos. Os contratos de maio e julho na CBOT fecharam em alta de 0,56% e 0,57%, respectivamente.

Safra brasileira e argentina sustentam preços internacionais

O cenário de oferta também ajudou a manter a sustentação das cotações. A safra brasileira foi revisada para 177,9 milhões de toneladas, enquanto a produção argentina mantém previsão de 48,5 milhões de toneladas, beneficiada pela melhora na umidade do solo. Mesmo com vendas externas abaixo do esperado, esses fatores forneceram base para a valorização internacional.

Avanço da colheita no Brasil é desigual e enfrenta entraves logísticos

No território nacional, o progresso da colheita ocorre de forma desigual:

  • Rio Grande do Sul: apenas 2% da área colhida, com paralisações causadas pela falta de diesel.
  • Santa Catarina: 21% da área colhida, com demanda firme da agroindústria, mas pressionada por custos elevados e cenário externo adverso.
  • Paraná: 70% da safra colhida, porém limitada por armazenagem e falhas no fornecimento de energia.
  • Mato Grosso do Sul: mais de 75% colhido, mas afetado por veranicos e déficit estrutural de armazenagem.
  • Mato Grosso: safra recorde praticamente concluída, mas gargalos logísticos geram longas filas de escoamento e pressão sobre preços internos.
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Desafios logísticos e custos elevam pressão sobre preços internos

A combinação de atrasos na colheita, problemas de transporte e custos elevados, incluindo a alta do diesel, limita a transmissão da valorização internacional para o mercado interno. Especialistas alertam que, apesar da alta em Chicago, a competitividade brasileira continua condicionada à logística, capacidade de armazenagem e oferta de insumos no campo.

O cenário reforça a importância de medidas estruturais para melhorar a eficiência do escoamento e permitir que os ganhos no mercado internacional sejam refletidos nos preços pagos aos produtores brasileiros.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Atacado e exportação estabelecem ritmo recorde em agosto

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Os preços da carne de frango voltaram a subir no mercado interno, enquanto as exportações brasileiras iniciaram agosto no maior ritmo diário já registrado. A combinação de estoques ajustados, recuperação do consumo doméstico e forte procura internacional dá sustentação às cotações neste começo de mês.

Na quinta-feira (13.08), o frango congelado foi negociado no atacado da Grande São Paulo a R$ 7,20 o quilo, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O valor acumula alta de 0,84% desde o início de agosto.

A reação ocorre depois de um período de pressão sobre os preços no fim de julho e nos primeiros dias deste mês. O recebimento de salários aumentou o poder de compra das famílias, enquanto a volta às aulas impulsionou a procura por uma proteína amplamente utilizada no consumo doméstico, em restaurantes e na alimentação escolar.

Os estoques também estão relativamente ajustados à demanda. Esse equilíbrio reduz a necessidade de concessão de descontos por atacadistas e frigoríficos e ajuda a conter a pressão provocada pela maior oferta nacional de carne de frango.

A melhora no atacado, entretanto, não significa necessariamente uma recuperação imediata e na mesma proporção para todos os elos da cadeia. O efeito sobre a remuneração dos avicultores depende dos contratos de integração, dos custos de produção e do comportamento dos preços do milho e do farelo de soja, principais componentes da alimentação das aves.

No mercado externo, os números indicam uma procura ainda mais forte. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Cepea, mostram que o Brasil embarcou, em média, 30 mil toneladas de carne de frango in natura por dia nos cinco primeiros dias úteis de agosto.

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É a maior média diária para o período desde o início da série histórica, em 1997. Considerada a parcial, aproximadamente 150 mil toneladas foram exportadas nos cinco primeiros dias úteis do mês.

O resultado deve ser interpretado com cautela, porque ainda não permite projetar o volume total de agosto. O ritmo dos embarques pode variar ao longo do mês devido à programação dos portos, à disponibilidade de navios, aos contratos dos frigoríficos e ao calendário dos países compradores.

A arrancada de agosto, porém, dá sequência a um julho de forte desempenho. No mês passado, o Brasil exportou 519,2 mil toneladas de carne de frango, considerando produtos in natura e processados, crescimento de 29,9% em relação a julho de 2025. A receita ficou próxima de R$ 5,2 bilhões, alta de 34,3% na comparação anual, medida originalmente em dólares.

O avanço elevado também reflete a base mais fraca de 2025, quando restrições sanitárias temporárias adotadas após a confirmação de influenza aviária em uma granja comercial afetaram as vendas brasileiras. O foco foi eliminado e o Brasil recuperou gradualmente o acesso aos mercados que haviam suspendido as compras.

No primeiro semestre de 2026, os embarques chegaram a 2,936 milhões de toneladas, alta de 12,9% sobre igual período do ano anterior e recorde para os seis primeiros meses do ano.

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O desempenho reforça a posição do Brasil como maior exportador mundial de carne de frango. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estima que o país poderá produzir entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas em 2026, crescimento de até 5,6% sobre as 15,289 milhões de toneladas de 2025.

As exportações podem alcançar 5,875 milhões de toneladas neste ano, avanço de até 10,3%. Mesmo com o crescimento dos embarques, a disponibilidade para o mercado interno está estimada em aproximadamente 10,275 milhões de toneladas, 3,1% acima do volume registrado no ano passado.

A presença simultânea de demanda doméstica mais aquecida e exportações em ritmo elevado tende a reduzir a pressão de oferta sobre o atacado. A continuidade da recuperação, contudo, dependerá do consumo após o período de pagamento de salários e da manutenção das encomendas internacionais.

Para produtores e agroindústrias, o cenário é favorável, mas exige atenção aos custos. A valorização da carne melhora a capacidade de absorver despesas, enquanto uma eventual alta do milho ou do farelo de soja pode limitar as margens. Nas próximas semanas, o mercado acompanhará se o recorde diário dos embarques será mantido e se a reação observada no atacado chegará aos demais elos da cadeia.

Fonte: Pensar Agro

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