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Soja volta aos US$ 12 em Chicago, impulsiona preços no Brasil e reacende otimismo no mercado

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O mercado internacional da soja iniciou esta sexta-feira (29) em alta na Bolsa de Chicago, com os contratos futuros voltando a testar o patamar psicológico de US$ 12 por bushel. O movimento reforça o ambiente positivo observado ao longo da semana e sustenta a recuperação dos preços no mercado físico brasileiro, especialmente nos portos.

Por volta das 7h20 (horário de Brasília), os principais vencimentos avançavam entre 3,75 e 4,50 pontos. O contrato julho era negociado a US$ 11,99 por bushel, enquanto o agosto retomava o nível de US$ 12,00, refletindo um mercado dividido entre fundamentos agrícolas e fatores geopolíticos globais.

Analistas apontam que o cenário internacional segue influenciando diretamente as commodities agrícolas, principalmente diante das incertezas envolvendo os conflitos no Oriente Médio e seus possíveis impactos sobre o fluxo comercial, energia e câmbio. Mesmo assim, a soja mantém sustentação técnica e fundamentalista, acompanhando também os ganhos registrados no farelo e no óleo de soja em Chicago.

Derivados fortalecem mercado da soja

Na sessão anterior, a oleaginosa encerrou o pregão em alta consistente na CBOT. O contrato julho fechou com valorização de 0,78%, cotado a US$ 11,9450 por bushel, enquanto o agosto avançou 0,95%, encerrando a US$ 11,9600.

O desempenho positivo foi puxado principalmente pelo mercado de derivados. O farelo de soja para julho subiu 1,06%, alcançando US$ 334,10 por tonelada curta. Já o óleo de soja registrou forte alta de 1,91%, cotado a US$ 76,70 por libra-peso.

Segundo analistas da TF Agroeconômica, o óleo de soja continua sendo sustentado pela maior demanda ligada à mistura obrigatória de biodiesel nos Estados Unidos e pelos incentivos estaduais destinados ao Combustível de Aviação Sustentável (SAF).

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Além disso, o mercado segue atento às vendas semanais para exportação divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), bem como às expectativas de novas compras chinesas de soja norte-americana da safra velha. Embora essas possíveis aquisições tragam suporte às cotações, especialistas avaliam que o impacto tende a ser moderado.

Clima nos EUA segue no radar

Outro fator relevante para a formação dos preços continua sendo o clima nos Estados Unidos. Dados recentes indicam que cerca de 27% das áreas agrícolas do país permanecem sob estresse hídrico, enquanto previsões apontam redução das chuvas em importantes regiões produtoras nos próximos dias.

Esse cenário adiciona prêmio climático às cotações e amplia a cautela dos investidores em relação ao desenvolvimento da safra norte-americana.

Preços da soja reagem no Brasil

No Brasil, o avanço de Chicago somado à volatilidade cambial devolveu fôlego ao mercado físico. Com o dólar novamente operando próximo dos R$ 5,00, os preços voltaram a superar os R$ 130 por saca nos portos.

No Rio Grande do Sul, o Porto de Rio Grande alcançou R$ 131,00 por saca. Em Passo Fundo, a cotação subiu para R$ 126,00, enquanto Santa Rosa registrou R$ 127,00. Já Ijuí e Cruz Alta trabalharam na faixa de R$ 124,00.

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No Paraná, o Porto de Paranaguá avançou para R$ 130,00 por saca, consolidando a reação do mercado. A safra 2025/26 no estado já foi totalmente colhida, com produção estimada em 21,78 milhões de toneladas, crescimento de 3% em relação ao ciclo anterior e produtividade média de 3.796 quilos por hectare.

Nas regiões produtoras do Centro-Oeste, os preços também apresentaram recuperação parcial. Em Mato Grosso do Sul, Dourados operou a R$ 115,00 por saca, enquanto Campo Grande, Maracaju, Chapadão do Sul e Sidrolândia mantiveram estabilidade após altas recentes.

Em Mato Grosso, Rondonópolis registrou R$ 113,00 por saca e Primavera do Leste chegou a R$ 111,70. O estado também acompanha o início do vazio sanitário da soja e as discussões sobre o avanço da Ferrogrão, projeto considerado estratégico para reduzir os custos logísticos do agronegócio brasileiro.

Mercado segue sensível ao cenário global

A combinação entre demanda internacional, clima nos Estados Unidos, valorização dos derivados e incertezas geopolíticas mantém o mercado da soja em um ambiente de elevada volatilidade.

Apesar das oscilações, o retorno da soja ao nível de US$ 12 por bushel em Chicago reforça uma melhora no sentimento do mercado e traz sustentação para os preços brasileiros em um momento importante para a comercialização da safra e planejamento do próximo ciclo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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