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Superávit global pressiona o açúcar, mas custos de produção podem limitar quedas mais acentuadas

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Os preços do açúcar voltaram a cair nos mercados internacionais, influenciados por novas projeções de superávit global para a safra 2025/26. Segundo estimativa da Covrig Analytics, o excedente mundial deve atingir 4,1 milhões de toneladas, número superior aos 2,8 milhões de toneladas previstos pela Stonex em setembro.

Esse cenário de maior oferta contribuiu para o recuo das cotações nas bolsas de Nova York e Londres. De acordo com a ADM Investor Services, o mercado deve se estabilizar próximo a 16,69 centavos de dólar por libra-peso, refletindo sinais técnicos negativos e ampla disponibilidade do produto no Brasil. Além disso, há expectativa de que a Índia amplie o uso do milho na produção de etanol, o que tende a reduzir a demanda por cana-de-açúcar no país asiático.

Cotações recuam em Nova York e Londres

Na ICE Futures, em Nova York, o contrato de março/26 encerrou a terça-feira (7) cotado a 16,63 centavos de dólar por libra-peso, queda de 18 pontos. Já o contrato de maio/26 recuou 17 pontos, para 16,14 centavos.

Em Londres, o açúcar branco também registrou retração. O contrato de dezembro/25 caiu US$ 6,40, negociado a US$ 458,00 por tonelada, enquanto o de março/26 recuou US$ 5,40, cotado a US$ 458,60 por tonelada.

No mercado físico brasileiro, o açúcar cristal apresentou leve alta de 0,37%, com a saca de 50 quilos negociada a R$ 117,99, segundo o Indicador Cepea/Esalq (USP). Já o etanol hidratado registrou baixa de 0,41%, sendo cotado a R$ 2.806,50 por metro cúbico nas usinas, conforme o Indicador Diário Paulínia.

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Tendência de estabilidade e resistência abaixo dos 16 centavos

Nesta quarta-feira (8), as cotações do açúcar mantiveram trajetória de baixa. Em Nova York, o contrato de março/26 caiu 1,56%, sendo negociado a 16,37 centavos de dólar por libra-peso. O contrato de maio/26 recuou 1,36%, a 15,92 centavos, enquanto o de julho/26 caiu 1,38%, para 15,77 centavos. Em Londres, a tonelada do contrato dezembro/25 foi negociada a US$ 453,20, baixa de 1,05%.

Segundo análise da Barchart, os contratos futuros globais de açúcar na Intercontinental Exchange (ICE) tiveram comportamento misto no terceiro trimestre de 2025 — alta de 4% no período, mas queda acumulada de 16,4% nos nove primeiros meses do ano. O preço médio no fim de setembro ficou em 16,10 centavos por libra-peso, mantendo-se estável desde agosto.

Queda acentuada desde 2023 e comparação com outras commodities

Historicamente, os preços do açúcar vêm sofrendo forte correção desde o pico registrado em novembro de 2023, quando atingiram 28,14 centavos por libra-peso. Desde então, houve queda de mais de 45%, atingindo mínima de 15,44 centavos em julho de 2025.

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Esse movimento contrasta com o desempenho de outras commodities agrícolas brasileiras — como o café arábica, o cacau e o suco de laranja concentrado congelado — que registraram máximas históricas no mesmo período. O Brasil, principal produtor mundial dessas culturas, enfrenta desafios como condições climáticas adversas, doenças nas lavouras, aumento de custos de produção e barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Custos de produção podem sustentar preços acima de 16 centavos

Apesar da pressão causada pelo aumento da oferta global, analistas destacam que o avanço dos custos de produção tende a limitar quedas mais acentuadas. Essa alta nos custos exerce uma pressão ascendente sobre as cotações e pode sustentar o mercado na faixa entre 16 e 17 centavos por libra-peso.

Além disso, uma eventual ruptura técnica em alta não está descartada, especialmente se houver mudanças nas políticas comerciais e regulatórias nos Estados Unidos — como ajustes nas regras sobre substitutos do açúcar, que podem impulsionar a demanda. Nesse cenário, o contrato de março/26 poderia atingir um preço próximo a 16,50 centavos ainda em outubro de 2025.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês

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Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.

A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.

A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.

O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.

Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.

O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.

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A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.

Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.

A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.

Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.

Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.

A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.

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Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.

A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.

É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.

Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.

A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.

Fonte: Pensar Agro

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