Agro News

Tecnificação da reprodução bovina impulsiona produtividade e competitividade da carne brasileira no mercado global

Publicado

A pecuária brasileira vem intensificando o uso de tecnologias voltadas à reprodução animal como estratégia para aumentar produtividade, melhorar a padronização dos rebanhos e atender às crescentes exigências dos mercados internacionais de carne bovina. O movimento ocorre em um cenário de maior rigor em critérios sanitários, ambientais e de rastreabilidade, especialmente por parte de grandes importadores globais.

O Brasil, um dos principais exportadores mundiais de carne bovina, deve manter sua liderança no comércio internacional em 2026, com embarques estimados em cerca de 4,27 milhões de toneladas equivalente carcaça (tec), segundo projeções do USDA. Apesar da posição de destaque, o setor enfrenta pressão crescente por maior eficiência produtiva e previsibilidade na cadeia pecuária.

Reprodução bovina se consolida como pilar estratégico da pecuária moderna

De acordo com o médico-veterinário Bruno Freitas, o avanço das tecnologias reprodutivas tem impacto direto sobre os indicadores zootécnicos e sobre a qualidade dos animais destinados ao abate.

“A reprodução animal exerce papel fundamental dentro da pecuária de cria moderna. Quando conseguimos aumentar a eficiência reprodutiva do rebanho, também avançamos em aspectos ligados à uniformidade dos lotes, ganho de desempenho, melhor aproveitamento genético e maior previsibilidade produtiva, fatores que impactam diretamente a qualidade da carne”, afirma o especialista.

Segundo ele, a evolução do manejo reprodutivo permite que a pecuária brasileira avance não apenas em volume de produção, mas também em qualidade e consistência do produto final, fatores cada vez mais valorizados pelos mercados compradores.

Leia mais:  Alta nos preços de alimentos e desafios do abastecimento
IATF lidera avanço tecnológico e já representa mais de 90% das inseminações no país

Entre as principais ferramentas adotadas nas propriedades brasileiras está a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), que se tornou um dos pilares da reprodução bovina moderna.

Dados da ASBIA indicam que a técnica já responde por mais de 90% das inseminações realizadas no Brasil, refletindo a rápida expansão da biotecnologia reprodutiva no campo.

Além da IATF, ganham espaço protocolos sanitários mais estruturados, programas de suplementação estratégica e ferramentas de gestão reprodutiva. Essas tecnologias permitem maior controle das estações de monta, melhor organização dos partos e aumento das taxas de prenhez, resultando em rebanhos mais produtivos e uniformes.

Pecuária orientada por dados avança em eficiência e sustentabilidade

A adoção de tecnologias reprodutivas também está associada à transformação da gestão pecuária, que passa a ser cada vez mais orientada por dados, planejamento e controle técnico.

Segundo Bruno Freitas, a reprodução deixou de ser uma etapa isolada do sistema produtivo e passou a integrar uma estratégia mais ampla dentro das fazendas.

“Hoje, a pecuária brasileira trabalha cada vez mais orientada por dados, planejamento e gestão técnica. A reprodução deixa de ser apenas uma etapa operacional e passa a integrar uma estratégia produtiva mais ampla, alinhada às demandas de sustentabilidade, rentabilidade e qualidade exigidas pelos mercados consumidores”, destaca.

Indústria veterinária amplia investimentos em inovação e biotecnologia

O avanço da reprodução bovina também tem sido impulsionado pelo setor de saúde animal, que vem ampliando investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Leia mais:  Produção de tomate avança no RS e mantém preços estáveis, aponta Emater/RS-Ascar

A Ourofino Saúde Animal, por exemplo, investe entre 7% e 8% da receita líquida anual em inovação, com foco em soluções voltadas à produtividade e saúde do rebanho.

O portfólio da empresa inclui tecnologias aplicadas à reprodução, como protocolos de IATF e transferência de embrião em tempo fixo (TETF), além de suplementação mineral e soluções de suporte ao desempenho produtivo.

Entre os destaques está o Sincromais, tecnologia voltada ao manejo reprodutivo que atua no metabolismo dos animais e contribui para o aumento da fertilidade em rebanhos de reprodução.

Eficiência reprodutiva será determinante para competitividade da carne brasileira

Para especialistas do setor, o fortalecimento da reprodução bovina deve seguir como prioridade estratégica da pecuária nacional nos próximos anos, especialmente diante da crescente exigência dos mercados internacionais por carne de maior qualidade e rastreabilidade.

Nesse contexto, a capacidade de aumentar produtividade sem ampliar área, reduzir ciclos produtivos e elevar a previsibilidade da produção será decisiva para manter a competitividade da carne brasileira no cenário global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Ação do MPT na Justiça Federal pede proibição do glifosato em todo o País

Publicado

O Ministério Público do Trabalho (MPT) protocolou na sexta-feira (22.05) uma ação civil pública contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a União pedindo a proibição imediata, em todo o território nacional, de produtos à base de glifosato. O composto é o herbicida mais comercializado no Brasil e o principal insumo utilizado no manejo de pragas nas safras de grãos, cana-de-açúcar e culturas perenes.

Por se tratar de uma ação proposta por um órgão de abrangência federal contra a União e uma autarquia regulatória, o processo tramita na Justiça Federal de Brasília. Uma eventual decisão favorável ao pedido terá efeito imediato sobre todo o território nacional, afetando diretamente as regras de comercialização em todos os estados produtores.

A petição exige o cancelamento de todos os registros vigentes e veda novas autorizações para produção, importação, comercialização e uso da substância e de seus derivados. Caso a Justiça Federal acate o pedido, a Anvisa e a União terão um prazo de transição de até 180 dias para aplicar o banimento, sob pena de multa diária de R$ 1 milhão. Representantes do setor produtivo apontam risco de impacto financeiro sobre o Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário e na competitividade das commodities brasileiras.

Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmam o volume do uso do defensivo no País: o glifosato lidera o ranking de ingredientes ativos mais vendidos no mercado doméstico, com 231,9 mil toneladas comercializadas no último ano consolidado.

Leia mais:  Logística e infraestrutura travam exportação de frutas no Brasil

Especialistas em agronomia afirmam que a retirada do princípio ativo geraria dificuldades técnicas no controle de plantas daninhas no sistema de plantio direto. O argumento do setor é que as alternativas químicas disponíveis hoje na indústria possuem custo superior, demandam maior número de aplicações e registram menor eficácia em lavouras geneticamente modificadas, o que elevaria o custo de produção.

O MPT fundamenta o pedido no princípio da precaução, apresentando relatórios sobre riscos à saúde ocupacional de trabalhadores rurais e contaminação de mananciais de água potável. A peça jurídica cita a classificação de 2015 da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), que enquadrou o herbicida como “provavelmente carcinogênico para humanos”.

O órgão também aponta a recente retratação acadêmica de um artigo científico do ano 2000 que atestava a inocuidade do produto, alegando que houve quebra de integridade na publicação original.

Leia mais:  Alta nos preços de alimentos e desafios do abastecimento

A Anvisa mantém o parecer de sua última reavaliação oficial do ativo, na qual concluiu que o glifosato não preenche os critérios legais para proibição total no mercado brasileiro. A agência optou por manter a liberação do ingrediente, mas estabeleceu restrições de dispersão e novos parâmetros de referência toxicológica para a proteção dos trabalhadores que manejam o produto no campo.

A disputa amplia a pressão jurídica sobre empresas do setor químico, com destaque para a alemã Bayer, detentora da marca Roundup, que enfrenta processos semelhantes nos Estados Unidos movidos por trabalhadores que alegam ter desenvolvido linfoma não-Hodgkin após exposição crônica ao produto. A companhia defende a segurança do defensivo quando utilizado de acordo com as instruções da bula.

No Brasil, o embate nacional soma-se a ações regionais movidas pelo Ministério Público em estados como Mato Grosso, maior produtor de grãos do País. Entidades como a Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) e a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) contestam as tentativas de restrição, apontando falta de alternativas exequíveis no curto prazo.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana