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Tensão entre EUA e Venezuela eleva volatilidade cambial e ameaça estabilidade comercial na América do Sul

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Crise diplomática reacende instabilidade nos mercados globais

A recente escalada nas tensões entre Estados Unidos e Venezuela voltou a acender o alerta nos mercados internacionais. O endurecimento das relações diplomáticas entre os dois países reaviva incertezas em torno de sanções econômicas e restrições comerciais, ampliando a volatilidade cambial e pressionando o comércio regional na América do Sul.

Em 2025, a combinação entre riscos geopolíticos e choques no mercado de energia tem provocado alta nos preços do petróleo e fortalecido o dólar, que se consolida como ativo de proteção em momentos de instabilidade. O movimento, porém, penaliza as moedas emergentes e aumenta o custo das transações financeiras no continente.

Produção venezuelana limitada amplia impacto sobre o petróleo

A Venezuela, que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, segundo a Opep, segue enfrentando limitações de produção por fatores políticos, financeiros e regulatórios. Em períodos de maior atrito com Washington, cresce o risco de redução adicional na oferta venezuelana, o que tende a elevar o preço do barril e intensificar a pressão sobre as economias dependentes de importação de energia.

Para Murillo Oliveira, especialista em investimentos e estruturação financeira internacional e Head of Treasury da Saygo, o impacto é rápido e direto.

“Sempre que o conflito entre Washington e Caracas ganha tração, o dólar se fortalece e o custo do capital sobe. Esse movimento afeta diretamente países da América do Sul, tanto pelo câmbio quanto pelo aumento da percepção de risco nas operações regionais”, destaca o executivo.

Volatilidade cambial preocupa investidores e empresas

Relatórios recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam que episódios de tensão geopolítica envolvendo grandes produtores de energia tendem a provocar forte volatilidade nas moedas emergentes em curtos períodos. Essa instabilidade se reflete em dificuldade de precificação, encarecimento de operações de hedge e redução do apetite de investidores por ativos regionais.

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Segundo Oliveira, empresas expostas a múltiplas moedas precisam reforçar a gestão de risco cambial.

“O erro é tratar esse tipo de tensão como algo distante. Ela altera taxas de câmbio, spreads financeiros, seguros internacionais e até a disposição das instituições em financiar operações com exposição regional”, explica.

Comércio regional sofre com alta de custos e riscos logísticos

Os efeitos da instabilidade também atingem o comércio intrarregional. Dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) indicam que as trocas entre países sul-americanos representam cerca de 15% das exportações totais da região. Quando há aumento de incerteza política, custos logísticos, prêmios de risco e exigências contratuais tendem a crescer — especialmente nas operações que envolvem fronteiras terrestres e mercados de menor liquidez.

“Quando há sanções ou ruído geopolítico, o custo da operação sobe quase automaticamente. Frete, seguro e câmbio ficam mais caros, e muitas transações deixam de ser viáveis do ponto de vista econômico”, ressalta o analista.

Gestão de risco e diversificação ganham importância

Em um ambiente de maior instabilidade global, especialistas recomendam que empresas reforcem suas estratégias de proteção financeira e diversifiquem mercados e fontes de receita.

“Empresas concentradas em regiões politicamente sensíveis ficam mais vulneráveis. O momento exige contratos mais flexíveis, políticas de proteção cambial bem definidas e leitura constante do cenário macroeconômico”, afirma Oliveira.

Ele acrescenta que o agravamento da tensão entre EUA e Venezuela serve de alerta estratégico para toda a América do Sul.

“Não se trata apenas de um impasse diplomático. É um fator que reorganiza fluxos de capital, altera preços relativos e exige decisões mais rápidas e técnicas de quem atua em comércio exterior e investimentos internacionais”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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Dependência de fertilizantes importados expõe agro brasileiro a riscos geopolíticos e acelera debate sobre transição verde

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A instabilidade geopolítica em regiões estratégicas para a produção de insumos agrícolas voltou a acender um alerta no agronegócio brasileiro: a forte dependência de fertilizantes importados. Conflitos recentes no Oriente Médio, somados aos impactos ainda sentidos da guerra entre Rússia e Ucrânia, afetam diretamente a oferta global desses produtos e pressionam os custos de produção no campo.

Atualmente, o Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que consome, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Esse percentual tem aumentado nos últimos anos, ampliando a exposição do país a riscos externos.

Brasil lidera importações globais de fertilizantes e amplia vulnerabilidade

Em 2025, o Oriente Médio respondeu por 16% dos fertilizantes nitrogenados importados pelo Brasil. Considerando também países em regiões sensíveis, como Rússia e Venezuela, esse volume chega a 32% das importações nacionais.

O Brasil é hoje o maior importador mundial de fertilizantes, com crescimento médio de 3,8% ao ano entre 2014 e 2023, enquanto a média global foi de 0,8%, segundo dados da International Fertilizer Association (IFA).

Para especialistas, a baixa produção doméstica torna o país especialmente vulnerável. Além disso, a demanda segue em expansão impulsionada pela conversão de pastagens degradadas em áreas agrícolas, pela expansão dos sistemas integrados e pelo avanço da segunda safra.

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Plano Nacional de Fertilizantes busca reduzir dependência até 2050

Diante desse cenário, o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), lançado em 2022, ganha relevância estratégica. O programa estabelece como meta reduzir a dependência externa para cerca de 50% até 2050.

Entre as diretrizes estão:

  • Incentivo à produção nacional de fertilizantes
  • Modernização da indústria do setor
  • Melhorias na infraestrutura logística
  • Estímulo à inovação tecnológica

Apesar das metas, o avanço do plano enfrenta desafios importantes, como o alto custo do gás natural, gargalos logísticos e a necessidade de maior coordenação entre órgãos públicos e privados.

Fertilizantes verdes surgem como alternativa para reduzir emissões

Os fertilizantes verdes são apontados como uma alternativa estratégica para o setor, tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental. Produzidos a partir de hidrogênio verde — obtido por eletrólise da água com energia renovável —, esses insumos podem reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa associadas à agricultura.

Segundo especialistas, além de diminuir a pegada de carbono, essa tecnologia pode aumentar a segurança no abastecimento ao reduzir a dependência de importações.

Tecnologia ainda enfrenta barreiras de custo e escala

Apesar do potencial, a escalabilidade dos fertilizantes verdes ainda enfrenta desafios relevantes. O principal deles é o custo de produção, que pode ser até oito vezes superior ao dos fertilizantes convencionais, baseados em combustíveis fósseis.

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A viabilização dessa tecnologia depende de políticas públicas de incentivo, contratos de longo prazo e mecanismos como o mercado de carbono.

Uso eficiente de fertilizantes pode reduzir emissões no campo

Além da substituição tecnológica, especialistas destacam que o uso mais eficiente dos fertilizantes no campo também é fundamental. O manejo adequado pode reduzir desperdícios e emissões de óxido nitroso (N₂O), um gás com potencial de aquecimento global 265 vezes superior ao CO₂.

No Brasil, esse gás representa cerca de 6% das emissões provenientes do setor agrícola.

Transição verde é vista como estratégica para o futuro do agro

Para especialistas do setor, a agenda de fertilizantes deve ser tratada como estratégica para o país. O Brasil possui matriz energética majoritariamente renovável e condições favoráveis para se tornar produtor global desses insumos.

No entanto, esse avanço depende de coordenação entre setores, investimentos consistentes e planejamento de longo prazo para reduzir a vulnerabilidade externa e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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