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Tensões no Oriente Médio elevam preços globais de fertilizantes e preocupam produtores agrícolas

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Conflito no Oriente Médio provoca alta imediata nos fertilizantes

A recente escalada do conflito envolvendo o Irã e países vizinhos no Oriente Médio já começa a impactar o mercado global de fertilizantes, especialmente o da ureia, essencial para a agricultura mundial.

Segundo analistas ouvidos pela Reuters, as tensões na região aumentaram o risco logístico no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa grande parte das exportações de fertilizantes e petróleo. O resultado foi uma alta expressiva nos preços internacionais, puxada pela preocupação com possíveis interrupções no transporte marítimo.

Ureia sobe até 13% no Egito e reflete no mercado norte-americano

De acordo com Chris Lawson, analista da consultoria CRU Group, o preço da ureia subiu até 13% no Egito, saltando de US$ 485–490 para US$ 550 por tonelada. O Egito é um dos principais produtores mundiais do insumo, que é fabricado a partir do gás natural.

“Esperamos novos aumentos nos próximos dias”, afirmou Lawson, destacando que o conflito eleva custos de transporte e gera incertezas nas cadeias de suprimento.

Nos Estados Unidos, o impacto também foi sentido. Josh Linville, analista da StoneX, apontou que as importações na região portuária de Nova Orleans registraram um aumento de cerca de US$ 77 por tonelada, chegando a US$ 606.

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Dependência global do Estreito de Ormuz agrava cenário

Catar, Arábia Saudita e Irã — três dos dez maiores exportadores mundiais de ureia — utilizam o Estreito de Ormuz como rota de escoamento de suas exportações. Qualquer interrupção nesse corredor marítimo pode comprometer o abastecimento global de fertilizantes.

Segundo Linville, o mercado já vinha enfrentando dificuldades devido à redução do fornecimento de gás natural russo, essencial para a produção de fertilizantes na Europa. “O mundo já está com escassez de nitrogênio e acaba de sofrer um golpe enorme, no pior momento do ano”, alertou o analista.

Risco de atraso nas entregas e impacto no plantio

Os agricultores da América do Norte ainda conseguem receber ureia embarcada no Golfo Pérsico, mas o tempo médio de transporte — cerca de dois meses até o Meio-Oeste — preocupa o setor. Caso o estreito seja fechado ou bloqueado por mais tempo, os fertilizantes poderão chegar tarde demais para a próxima temporada de plantio.

Com isso, cresce o temor de que a oferta restrita e os preços em alta tornem o insumo inacessível para muitos produtores, especialmente os que já projetam margens apertadas e possíveis prejuízos na safra deste ano.

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Mercado em alerta e perspectivas de curto prazo

Especialistas apontam que o mercado global de fertilizantes deve permanecer volátil nas próximas semanas, à medida que os desdobramentos do conflito evoluem. Caso as tensões geopolíticas se agravem, novos aumentos de preços são esperados, com reflexos diretos na agricultura mundial, que depende fortemente do insumo para manter a produtividade das lavouras.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Escola de Enoturismo é lançada no Brasil e aposta na profissionalização do turismo do vinho

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O avanço do enoturismo no Brasil abriu espaço para uma nova etapa de profissionalização do setor. Com vinícolas ampliando experiências, fortalecendo marcas e diversificando receitas, surge agora a primeira Escola de Enoturismo das Américas, iniciativa criada para capacitar profissionais e preparar empreendimentos para o novo momento vivido pela vitivinicultura nacional.

O lançamento oficial da Escola de Enoturismo ocorrerá durante a Wine South America, em Bento Gonçalves (RS), reunindo representantes da cadeia vitivinícola brasileira em torno de uma proposta inédita de formação especializada. A iniciativa foi idealizada pelos especialistas Artur Farias, Ivane Fávero e Lucinara Masiero.

A primeira turma presencial terá apenas 20 vagas, com início previsto para julho, em um formato voltado à imersão prática e conexão direta com a realidade do mercado. As inscrições serão abertas durante a feira por meio das redes oficiais da escola.

Setor do vinho amplia importância econômica no turismo brasileiro

O crescimento do enoturismo vem transformando o vinho em um importante vetor econômico para regiões produtoras. Mais do que a comercialização da bebida, o setor passou a integrar atividades ligadas à hotelaria, gastronomia, transporte, cultura, comércio e hospitalidade.

A proposta da Escola de Enoturismo surge justamente para atender uma demanda crescente por mão de obra qualificada em um mercado que evoluiu rapidamente nos últimos anos. O projeto foi estruturado sobre três pilares centrais: Origem, Experiência e Negócio.

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Segundo Ivane Fávero, o enoturismo começa pela valorização do território e da identidade cultural das regiões produtoras.

“O vinho carrega paisagem, cultura, memória, tradição e pertencimento. A Escola nasce para ajudar profissionais e empreendimentos a traduzirem isso em experiências verdadeiras”, destaca.

Já Lucinara Masiero afirma que o perfil do consumidor mudou e passou a exigir experiências mais autênticas e emocionais.

“Hoje, o visitante não busca apenas degustar um vinho. Ele quer viver histórias, criar conexões e sentir pertencimento. O enoturismo contemporâneo exige profissionais preparados para transformar atendimento em experiência”, explica.

Para Artur Farias, o enoturismo deixou de ser apenas uma atividade complementar das vinícolas e passou a ocupar posição estratégica dentro dos negócios.

“Hoje ele impacta faturamento, posicionamento de marca, relacionamento com o consumidor e desenvolvimento regional. Isso exige gestão, visão de mercado e profissionalização”, afirma.

Formação terá aulas presenciais e programas online

Além da formação presencial em Bento Gonçalves, a Escola de Enoturismo também oferecerá programas online voltados a profissionais, empreendedores, vinícolas e destinos turísticos de diferentes regiões do país.

A proposta inclui capacitação contínua, atualização profissional e intercâmbio de experiências ligadas às transformações do enoturismo contemporâneo, incluindo módulos em diferentes níveis e formação em idiomas.

As aulas presenciais serão realizadas no Auditório Sicredi Agro, em Bento Gonçalves, com apoio do Sicredi Serrana, instituição que apoia projetos ligados ao desenvolvimento regional e ao fortalecimento do turismo do vinho.

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Mercado global do enoturismo deve ultrapassar US$ 100 bilhões até 2030

O lançamento da Escola de Enoturismo ocorre em um momento de forte expansão do turismo ligado ao vinho em escala global.

Dados da consultoria internacional Grand View Research apontam que o mercado mundial de turismo do vinho movimentou cerca de US$ 46,4 bilhões em 2023. A projeção é que o setor ultrapasse US$ 106 bilhões até 2030, com taxas de crescimento próximas de 13% ao ano.

No Brasil, o movimento já impacta diretamente as vinícolas. Informações do Sebrae indicam que mais de 85% das vinícolas brasileiras investem atualmente em experiências turísticas para ampliar receitas e fortalecer o relacionamento com consumidores.

Somente no Rio Grande do Sul, principal polo do enoturismo nacional, mais de 71 mil experiências enoturísticas foram comercializadas em 2025 pela plataforma Wine Locals. O volume representa crescimento próximo de 60% em relação ao ano anterior, enquanto o ticket médio das experiências atingiu R$ 510, reforçando o aumento do valor agregado do setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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