Agro News

Tilápia pode perder até 90% das exportações brasileiras com possível nova classificação ambiental

Publicado

A cadeia produtiva da tilápia no Brasil entrou em estado de alerta diante da possibilidade de a espécie ser classificada como exótica invasora pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio). A votação da proposta está prevista para o próximo dia 26 de maio e pode provocar impactos severos sobre as exportações brasileiras de pescado, segundo análise técnica divulgada pela PEIXE BR.

Setor prevê perdas superiores a US$ 38 milhões

De acordo com o estudo elaborado pela entidade, a eventual mudança de classificação pode comprometer diretamente a competitividade internacional da tilápia brasileira, especialmente no mercado norte-americano, principal destino do produto.

Atualmente, cerca de 85% das exportações brasileiras de tilápia são destinadas aos Estados Unidos, movimentando aproximadamente US$ 35 milhões por ano.

A PEIXE BR projeta que, caso a classificação seja aprovada, as exportações da espécie poderão sofrer uma retração de até 90% em apenas seis meses, gerando perdas superiores a US$ 38 milhões para o segmento.

Reconhecimento oficial de risco ambiental preocupa mercado internacional

Segundo a avaliação técnica da associação, o principal risco está na interpretação internacional da medida.

Leia mais:  Preço do feijão dispara no Brasil com geadas, escassez e retenção de oferta no campo

A classificação da tilápia como espécie invasora pelo próprio governo brasileiro poderia ser vista por importadores e órgãos reguladores internacionais como um reconhecimento oficial de risco ambiental, abrindo espaço para novas barreiras comerciais, exigências sanitárias e restrições ambientais.

O setor teme ainda o aumento da pressão regulatória em mercados estratégicos, dificultando certificações, auditorias e negociações comerciais futuras.

Caso da carpa asiática nos EUA acende alerta

A análise da PEIXE BR utiliza como referência o caso ocorrido nos Estados Unidos em 2010, quando a carpa asiática foi oficialmente classificada como espécie invasora.

Segundo o presidente da entidade, Francisco Medeiros, após a decisão, as exportações chinesas da espécie registraram queda de aproximadamente 97% em apenas um ano, sem recuperação posterior do mercado.

O precedente é considerado um dos principais fatores de preocupação para a aquicultura brasileira neste momento.

Impactos podem atingir toda a cadeia aquícola

Além da tilápia, o estudo alerta para possíveis reflexos negativos em outros segmentos da aquicultura nacional.

Espécies nativas como tambaqui e pintado também poderiam sofrer consequências indiretas devido ao aumento das exigências internacionais, intensificação de auditorias e possíveis desgastes à imagem ambiental do setor brasileiro.

Leia mais:  Brasil registra recordes históricos em exportações, importações e corrente de comércio em 2025

A projeção da entidade aponta que o chamado “efeito cascata” poderia gerar perdas anuais próximas de US$ 64 milhões para o setor pesqueiro exportador brasileiro.

Certificações internacionais também entram no radar

Outro ponto de preocupação envolve certificações internacionais relevantes para o comércio global de pescado, como BAP, ASC e Global G.A.P.

Esses protocolos possuem critérios rigorosos relacionados ao manejo ambiental e controle de espécies, o que pode elevar ainda mais o nível de exigência para produtores brasileiros caso a nova classificação seja confirmada.

Aquicultura brasileira vive momento estratégico

O debate ocorre em um momento de forte crescimento da aquicultura nacional, especialmente da produção de tilápia, que vem ampliando participação no mercado internacional e consolidando o Brasil entre os principais produtores globais da espécie.

Diante desse cenário, representantes do setor defendem cautela na análise da proposta e alertam para os impactos econômicos, produtivos e comerciais que a medida pode provocar em toda a cadeia aquícola brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

MPA participa da 3ª Cúpula da Pesca de Pequena Escala em Roma

Publicado

O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) participou, neste domingo (6), da 3ª Cúpula da Pesca Artesanal (SSF Summit 2026), realizada na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, Itália. O encontro reuniu governos, organizações de pescadores e pescadoras, sociedade civil e organismos internacionais para discutir a implementação das Diretrizes Voluntárias para a Sustentabilidade da Pesca em Pequena Escala.

O ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, participou da mesa de alto nível ao lado do diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, e de ministros de outros países. Em sua intervenção, destacou que a sustentabilidade da pesca deve caminhar junto com a conservação dos recursos pesqueiros e a garantia de condições dignas de vida para as comunidades que vivem da atividade.

Edipo apresentou iniciativas brasileiras voltadas à pesca artesanal, incluindo o reconhecimento dos territórios pesqueiros tradicionais, políticas para mulheres e jovens, a integração entre conhecimentos científico e tradicional, a extensão pesqueira e a ampliação do acesso ao crédito. Também ressaltou a importância do pescado para a segurança alimentar e nutricional e o combate à fome.

Leia mais:  Conab, Itaipu e ONU firmam parceria inédita para modernizar armazéns

“Não existe futuro para a pesca sem a conservação dos recursos pesqueiros, assim como não existe pesca sustentável sem garantir condições de vida dignas para as mulheres e os homens que vivem das águas. Incentivar o consumo de pescado é também uma estratégia de segurança alimentar e de combate à fome”, afirmou.

Plano Nacional da Pesca Artesanal

O diretor do Departamento de Territórios Pesqueiros e Ordenamento do MPA, Cristiano Quaresma, apresentou o Plano Nacional da Pesca Artesanal (PNPA) como principal instrumento brasileiro para transformar as Diretrizes-SSF em políticas públicas. Construído com a participação de pescadores e pescadoras de diferentes regiões do país, o Plano estabelece uma estratégia para os próximos dez anos e contempla temas como territórios tradicionais, gestão sustentável dos recursos pesqueiros, trabalho digno, igualdade de gênero, juventudes e mudanças climáticas.

“A nossa experiência demonstra que as Diretrizes tornam-se mais fortes quando transformamos participação em decisão, direitos em políticas públicas e pescadores e pescadoras em protagonistas de seu próprio futuro”, destacou Quaresma.

Reuniões bilaterais

Paralelamente à Cúpula da Pesca de Pequena Escala, a delegação realizou reuniões bilaterais com a Representação Permanente do Brasil e com a Direção de Pesca e Aquicultura da FAO. Entre os temas abordados, destacaram-se a reconstrução da estatística pesqueira marinha brasileira, projetos de cooperação internacional, mecanismos de financiamento e implementação do Acordo sobre Medidas do Estado do Porto (PSMA), voltado ao combate à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada.

Leia mais:  Brasil registra recordes históricos em exportações, importações e corrente de comércio em 2025

A participação brasileira reforça a estratégia do MPA de ampliar a cooperação internacional e fortalecer a presença do Brasil nos debates globais sobre pesca, aquicultura, segurança alimentar e sustentabilidade.

ASCOM
Ministério da Pesca e Aquicultura
[email protected]

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana