Turismo
“Todo mundo dizia que era perigoso para gays”, afirma jornalista que fez mochilão na Ásia
Publicado
2 de novembro de 2024, 05:30

Viajar demanda uma série de etapas, como, por exemplo, o planejamento de quantos dias, montar um itinerário e organizar o dinheiro para não passar perrengue. Quando falamos em viagens internacionais , montar uma viagem ganha outras questões, como entender a cultura local, costumes e, para alguns grupos, saber se você está seguro no país apenas por ser quem você é.
Um levantamento feito pela Human Trust Dignity em junho de 2024 aponta que 64 países membros ou observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) criminalizam a homossexualidade, com penalidades que vão desde prisão até a pena de morte. Entre os continentes com mais países que possuem legislações contra a comunidade LGBTQIAPN+ estão a África, com 32 países, e a Ásia, com 22 países.
Veja o mapa
Entretanto, ainda que a Ásia seja um dos continentes que mais possui países contra a comunidade LGBTQIAPN+, o continente também se destaca com países que apoiam fortemente seus artistas queers e que fazem avanços na medicina para melhor atender pessoas que buscam por cirurgias de afirmação de sexo. A rica diversidade cultural e a curiosidade por lugares não tão convencionais despertou uma vontade em Diogo Augusto para fazer um mochilão pelo continente.
Diogo é jornalista por formação, mas trabalha atualmente na área de marketing. Sua paixão por viajar começou desde pequeno, com ele adorando matérias como geografia e história na escola e se imaginando como seria visitar diversos dos lugares que ele lia nos livros didáticos. Ele cresceu e sua paixão também.
“Eu ficava lendo revistas de viagem e essas coisas, e sempre me imaginava nesses lugares. Quando tive a oportunidade de fazer minha primeira viagem, parece que fui mordido pelo ‘bichinho da viagem’. Toda vez que posso, gosto de ir para algum lugar novo, geralmente lugares que as pessoas não costumam visitar, sabe?”, afirma o jornalista ao iG Turismo .
Para Diogo, o importante não é fazer compras no local ou consumir coisas luxuosas, mas sim conhecer o lugar, explorar as possibilidades e conversar — mesmo que sem nem saber a língua — com as pessoas ao seu redor. Entrar de cabeça na viagem e se deixar levar. Foi então que, em uma de suas buscas por mais uma aventura, ele decidiu fazer um mochilão por 14 países da Ásia.
“Mochilão é muito tempo de viagem, são muitos lugares em que você para, então resolvi deixar as coisas meio em aberto, sabe? Tipo, se eu gostar de um lugar, fico mais tempo; se não gostar, vou embora, para ter um pouco mais de flexibilidade. Porque, se você deixa tudo muito planejado em um mochilão, acaba ficando tudo muito engessado”.
Sudeste asiático

Suas aventuras na Ásia foram muitas, mas as mais marcantes para ele, como um homem gay, foram no sudeste asiático, mais especificamente quatro países: Tailândia, Filipinas, Vietnã e Indonésia. O jornalista afirma que já tinha uma ideia do que esperar de alguns países asiáticos quando o assunto era ser uma pessoa LGBTQIAPN+.
“Sabia que a Tailândia é um lugar mais aberto, com pessoas amigáveis, inclusive com LGBTs. Tanto que, hoje, com a possibilidade das mulheres trans conseguirem a cirurgia pelo SUS aqui no Brasil, ficou mais acessível, mas, antes, muitas iam para a Tailândia, onde há profissionais experientes em cirurgias de redesignação e o custo é mais baixo. Outro lugar que eu também sabia que seria amigável para LGBTs foi nas Filipinas”, explica.
Ele afirma que foi muito interessante observar na Tailândia que pessoas trans e gays afeminadas, que são postas muitas vezes em posições marginalizadas, ocupam espaços que, tradicionalmente, são ocupadas apenas por pessoas hetero-cisgênero.
Entretanto, um choque foi quando visitou a Indonésia. “Todo mundo dizia que a Indonésia é perigosa para gays, que não se pode demonstrar afeto e que é preciso ser mais reservado. O problema é que a Indonésia é composta por várias ilhas, e algumas são muçulmanas. Nelas, realmente é preciso ter cuidado, mas a ilha mais visitada por turistas é Bali, que é hindu e famosa, por exemplo, pelo filme [ Ingresso para o Paraíso] da Julia Roberts . Bali é tolerante, vive do turismo; então, eles não fariam algo que prejudicasse isso.”

Mesmo que ele soubesse que, provavelmente, nada de ruim aconteceria com ele naquele país, alguns sinais ainda o deixavam em alerta quando estava a caminho do país. Um exemplo era o aplicativo Grindr — app de relacionamento utilizado, principalmente, por homens LGBTs — que avisa que é uma região perigosa, sem mostrar distâncias e misturando perfis.
Entretanto, tudo mudou quando pisou na ilha: “Chegando lá, vi que era diferente: tem hotéis gay-friendly , shows de drag queens até em bares héteros! Foi surpreendente. Vi que os gays andavam pela cidade, saíam à noite, e percebi que a realidade era bem diferente da que eu tinha ouvido. Mas isso foi em Bali. Quando fui para a ilha de Komodo, que é muçulmana, precisei ser mais cauteloso. Embora sejam parte do mesmo país, as realidades são completamente diferentes, não só em relação a LGBTs, mas também às mulheres, que são mais submissas e usam o hijab – véu que cobre os cabelos e o corpo das mulheres muçulmanas, por exemplo”.
Para ele, alguns países que antes tinham uma rejeição à comunidade LGBTQIAPN+ passou a “acostumar” devido ao turismo em massa. “O negócio dependendo do lugar fingir que não existe, sabe? Rola umas coisas assim”.
Apoio a arte queer

“É um país interessante, porque lá a maioria é católica, diferente do resto da Ásia, que é predominantemente muçulmana, hindu ou budista. Como sou mineiro, acabei me identificando, porque entrava naquelas igrejas barrocas com santos de peruca, bem exageradas e coloridas, iguais aos de Minas. Eles amam concurso de miss; o país literalmente para para assistir, e têm concurso de tudo, inclusive missas”, explica.
O jornalista conta que ficou hospedado em um hotel em que havia uma igreja próxima. Na época, ele conseguiu apreciar um desfile de misses da igreja em questão.
“Eles têm essa cultura forte de miss e drag queens, é como se fossem o Brasil da Ásia. Eles são festivos, abertos e nada envergonhados, diferente de outros países asiáticos, onde as pessoas são educadas e amáveis, mas reservadas. Nas Filipinas, as pessoas vêm falar com você na rua, te dão dicas sobre o que fazer”, diz ele as colocando no mesmo patamar das misses e drag queens venezuelanas, conhecidas por levarem a sério quando o assunto são concursos.
Tratamento diferenciado por ser gay?

Diogo afirma que sentiu uma diferença na maneira como ele era tratado. Entretanto, o motivo não era por ser um homem gay, mas sim por ser brasileiro: “ É engraçado, porque o Brasil é um país que as pessoas geralmente têm um carinho especial, sabe? Você fala ‘Brasil’ e elas dizem: ‘Nossa, Brasil? Que legal!’ Não é lenda, é verdade: falar que é brasileiro abre portas em muitos lugares.”
Para ele, a viagem abriu os olhos de como a Ásia pode ser para pessoas da comunidade LGBTQIAPN+. O jornalista destaca a para que visitem:
- Tailândia: país barato, comida boa e que pode agradar aos brasileiros, pessoas receptivas e uma vida noturna e diurna vasta, principalmente seguras para pessoas LGBTQIAPN+;
- Vietnã: país bonito, fácil de explorar, seguro acessível, porém sem um foco no turismo para pessoas LGBTs;
- Filipinas: ilhas maravilhosas, muito seguro para a população LGBT, com bastante diversidade;
- Indonésia: mais especificamente Bali, um país seguro, acessível, lindo e cheio de pessoas simpáticas, muito devido ao turismo local.
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Fonte: Turismo
Turismo
No Amapá, Ministério do Turismo promove linha de crédito de mais de R$ 1 bilhão para empreendedores do setor
Publicado
8 de junho de 2026, 20:59
O Ministério do Turismo (MTur) realizou nesta segunda-feira (8), em Macapá (AP), a 4ª edição do programa “Brasil Mais Crédito para o Turismo”, iniciativa que orienta empresários e prestadores de serviços sobre o acesso às linhas de financiamento do Fundo Geral de Turismo (Fungetur), que dispõe de mais de R$ 1 bilhão para operações em 2026.
Durante a agenda, o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, assinou ainda um protocolo de intenções com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) para ampliar ações conjuntas de desenvolvimento regional e facilitar o acesso ao crédito, com prioridade para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
O ministro destacou a importância dessa iniciativa. “O objetivo é claro: orientar empreendedores turísticos locais sobre como acessar financiamentos em condições extremamente vantajosas, por meio do Fungetur. Essa grande mobilização nacional chega com força total ao Amapá, dando continuidade a um circuito que percorrerá todo o país. O Fungetur é o combustível que o setor precisa. É uma linha de crédito desenhada para financiar capital de giro, a execução de obras e a aquisição de equipamentos”, afirmou.
O ‘Brasil Mais Crédito para o Turismo’ já passou por Salvador (BA), Fortaleza (CE), durante o Salão do Turismo, e João Pessoa (PB), como parte da programação do Fórum Internacional de Mulheres no Turismo, evento que debateu o protagonismo feminino no setor.
“Estamos falando de ‘recurso na veia’ para que principalmente os pequenos negócios – as pousadas, os restaurantes, as agências de viagens, os guias de turismo – possam promover melhorias reais nas suas atividades”, disse o ministro.
Também participam das agendas no Estado os ministros Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR); e Wellington Dias, do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
Sobre o protocolo, Gustavo Feliciano afirmou que o objetivo é fortalecer o setor. “Estamos assinando hoje, aqui, um Protocolo de Intenções com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, com meu amigo ministro Waldez Góes, para desenvolvimento do turismo regional. Vamos juntos construir políticas públicas para que mais empreendedores possam se desenvolver e oferecer o que o Brasil tem de melhor, que é a recepção calorosa do seu povo. Vamos facilitar o acesso ao crédito do Fungetur para que o turismo se fortaleça ainda mais”, complementou.
A parceria prevê a elaboração de planos de ação conjuntos e a indicação, em até 30 dias, dos responsáveis pela execução das iniciativas. O protocolo terá vigência inicial de 12 meses, com possibilidade de prorrogação.
A edição no Amapá do “Brasil Mais Crédito para o Turismo” foi realizada também no Oiapoque, onde o ministro cumpriu agenda pela manhã.
As ações do MTur nas duas cidades amapaenses preveem ainda orientações sobre o Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) – sistema oficial do Ministério do Turismo que cadastra e regulamenta pessoas físicas e jurídicas que atuam no setor turístico no Brasil (requisito para acesso aos financiamentos).
Em Macapá, o ministro falou ainda sobre uma política especial, implementada pelo Ministério do Turismo na semana passada, anunciada em João Pessoa (PB) e que dá apoio para mulheres empreendedoras do setor, que foram vítimas de violência doméstica.
“Sabemos o quanto é difícil se reconstruir após um episódio assim. Por isso vamos fortalecer as mulheres empreendedoras com crédito, para que elas possam voltar cada vez mais fortes e independentes”, disse.
Ele citou, também, o bom momento que o turismo brasileiro vive. “Estamos impulsionando o turismo local e reforçando o maior compromisso do governo do presidente Lula: a proteção e valorização da mulher, a geração de emprego, renda e inclusão social. Senhoras e senhores, o momento para o Amapá acelerar o turismo não poderia ser melhor. O desempenho positivo do setor no Estado acompanha os recordes nacionais que temos registrado em todo o Brasil, criando as condições perfeitas para que empreendedores apostem, invistam e acreditem no turismo como força econômica”, finalizou.
Fungetur
As linhas do Fungetur podem ser usadas para capital de giro, aquisição de equipamentos e obras, beneficiando principalmente pequenos negócios, como meios de hospedagem, restaurantes, agências de turismo, guias e demais empreendedores da cadeia turística.
Entre 2018 e 2026, o Fungetur acumulou 14.789 operações contratadas no país, movimentando R$ 5,1 bilhões em financiamentos. Apenas em 2026, até 2 de junho, foram registradas 719 operações, no valor de R$ 276,3 milhões em crédito concedido.
No Amapá, foram contratados treze financiamentos entre 2023 e 2026, totalizando R$ 4,04 milhões. Todos os recursos foram destinados a capital de giro. Macapá concentrou doze operações, equivalentes a R$ 3,3 milhões, beneficiando agências de viagens, organizadoras de eventos, restaurantes e empresas de transporte turístico. Em 2026, foram fechados dez contratos, todos na capital, que somaram R$ 3,03 milhões.
O Estado possui atualmente 555 prestadores de serviços turísticos regularizados no Cadastur. As atividades com maior número de registros são agências de turismo, com 140 cadastros; restaurantes, bares e similares, com 104; e meios de hospedagem, com 90 estabelecimentos. Em Macapá, há 381 prestadores cadastrados, liderados por agências de turismo (123), guias de turismo (66) e organizadoras de eventos (50).
Infraestrutura
Além das ações voltadas ao crédito, o Ministério do Turismo mantém doze contratos ativos de infraestrutura turística no Amapá, que somam R$ 65,5 milhões. Desde 2023, três obras foram concluídas, totalizando R$ 8,6 milhões em investimentos.
Em Macapá, os principais investimentos em execução incluem a construção do Centro de Convenções, com aporte de R$ 12 milhões; as obras no Parque do Centenário, de R$ 11,4 milhões; e a reforma do Teatro das Bacabeiras, com recursos de R$ 10 milhões.
Fluxo
Os indicadores do fluxo turístico também mostram crescimento do mercado internacional no estado. Em 2025, o Amapá recebeu 52 mil turistas estrangeiros, resultado 33% superior ao registrado em 2024 e o segundo maior da região Norte no período.
Turismo fronteiriço
Nesta segunda-feira (8), durante agenda em Oiapoque, o Ministério do Turismo também anunciou a elaboração de um diagnóstico e de um plano de ação para o turismo nas áreas de fronteira do Amapá e do Pará, que fazem divisa com a Guiana Francesa e o Suriname.
A iniciativa faz parte de um projeto de cooperação com a UNESCO voltado ao fortalecimento das relações turísticas entre o Brasil e os países vizinhos.
Por Isadora Lionço
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
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