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Trigo brasileiro enfrenta queda de produção, mas Rio Grande do Sul mantém foco nas exportações

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A produção de trigo no Brasil deve registrar uma retração de 6,48% na safra 2024/25, totalizando 7,38 milhões de toneladas, contra 7,88 milhões na temporada anterior. Os dados, divulgados pela TF Agroeconômica, indicam um cenário heterogêneo entre os estados, com algumas regiões sofrendo reduções expressivas, enquanto outras apresentam avanços importantes.

No Rio Grande do Sul, maior produtor do país, a colheita deve cair 18,24%, passando de 3,91 milhões de toneladas para 3,2 milhões. A redução também atinge Santa Catarina, que deve recuar 18,71%, com produção estimada em 374,5 mil toneladas. Já em estados do Centro-Oeste, como Goiás e Bahia, as perdas chegam a 25,4% e 34,21%, respectivamente, refletindo desafios climáticos e de manejo agrícola.

Por outro lado, o Mato Grosso do Sul deve se destacar com um crescimento expressivo de 88,19%, alcançando 84,5 mil toneladas. O aumento é atribuído às boas condições climáticas e aos investimentos em tecnologia. Paraná, Distrito Federal e Minas Gerais também registram crescimento, com elevações de 12,78%, 15,62% e 4,37%, respectivamente.

Rio Grande do Sul direciona produção para exportação

Mesmo com a expectativa de queda na colheita, o Rio Grande do Sul segue com o mercado voltado principalmente para exportações. Segundo a TF Agroeconômica, cerca de 140 mil toneladas já foram negociadas — volume considerado baixo diante do potencial produtivo estadual, estimado entre 2,7 e 3,2 milhões de toneladas.

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As operações ocorrem com valores próximos de R$ 1.160,00 por tonelada sobre rodas no porto de Rio Grande, o que equivale a R$ 1.000,00 no interior. A diferença, causada pelo aumento do frete, gera uma distorção nos preços da saca: enquanto o valor teórico deveria estar em torno de R$ 58,00 em Panambi, o mercado ainda opera a R$ 64,00.

Os moinhos permanecem retraídos nas compras, aguardando preços mais atrativos, enquanto produtores devem intensificar as vendas conforme a colheita avança. No mercado interno, há ofertas de R$ 1.050,00 por tonelada para embarques entre outubro e novembro, mas sem grande demanda. Assim, as cotações seguem em queda, com médias de R$ 61,00/saca nas Missões e R$ 64,00 em Panambi.

Condições climáticas favorecem avanço da colheita no Sul

O clima apresentou melhora entre terça e quarta-feira no Rio Grande do Sul, o que permitiu o avanço das colheitas antes da chegada de novas chuvas previstas para o fim de semana. A expectativa é que os trabalhos avancem de forma mais intensa nos próximos dias, ainda que com variações regionais.

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Em Santa Catarina, o trigo argentino recuou para US$ 207/t FOB Up River, enquanto produtores locais pedem cerca de R$ 1.250,00/t FOB, o que mantém o mercado interno pouco competitivo. No Paraná, as chuvas têm afetado a qualidade de parte da safra, com queda semanal de 2,04% nos preços ao produtor, para R$ 66,62/saca. Mesmo com custos médios de R$ 74,63/saca, o uso do mercado futuro ainda é apontado como uma alternativa para garantir rentabilidade em momentos estratégicos.

Perspectivas e desafios para o setor tritícola

O cenário nacional revela um mercado de trigo em transição, com produtores adaptando estratégias diante da queda de produtividade e das incertezas climáticas. A combinação de menor produção, retração da demanda interna e maior foco nas exportações deve definir o comportamento dos preços nos próximos meses.

Enquanto o Rio Grande do Sul concentra seus esforços no comércio exterior, estados do Centro-Oeste apostam em crescimento tecnológico para ampliar a competitividade. O equilíbrio entre oferta, qualidade e rentabilidade será determinante para o desempenho da safra e para o planejamento da próxima temporada.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Trump adia medidas para ampliar importação de carne bovina nos EUA e mercado acompanha impacto sobre Brasil e pecuária global

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiou a assinatura de decretos que poderiam ampliar temporariamente as importações de carne bovina para o mercado norte-americano e estimular a recomposição do rebanho bovino dos EUA. A informação foi divulgada pelo jornal The Wall Street Journal e movimentou o mercado internacional de proteínas animais nesta semana.

As medidas estavam previstas para serem anunciadas na segunda-feira (11), mas acabaram suspensas de última hora, segundo fontes da Casa Branca. O pacote tinha como principal objetivo conter a inflação da carne bovina nos Estados Unidos, que segue pressionando o consumidor norte-americano mesmo após desaceleração em outros alimentos.

Entre as ações em estudo estavam a suspensão temporária de contingentes tarifários para carne bovina importada, permitindo maior entrada do produto com tarifas reduzidas, além da ampliação de linhas de crédito para pecuaristas dos EUA e flexibilizações ambientais relacionadas à proteção de predadores que atacam rebanhos.

Brasil permanece no centro das atenções do mercado internacional

A possibilidade de aumento das importações norte-americanas colocou o Brasil novamente no foco do comércio global de proteínas animais. O mercado passou a especular sobre uma eventual ampliação da participação brasileira no abastecimento dos EUA, especialmente após o encontro recente entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As expectativas sobre maior entrada de carne bovina brasileira chegaram a pressionar os contratos futuros de gado nos Estados Unidos. Na Bolsa Mercantil de Chicago, os contratos de gado para agosto encerraram em queda de 0,5%, refletindo receios de aumento da oferta no mercado interno norte-americano.

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O Brasil já ocupa posição estratégica no fornecimento global de carne bovina e vem ampliando sua presença internacional diante da forte demanda externa e da competitividade do setor pecuário nacional.

Rebanho dos EUA atinge menor nível em 75 anos

O mercado pecuário norte-americano enfrenta um dos momentos mais delicados das últimas décadas. O rebanho bovino dos Estados Unidos atingiu o menor patamar em 75 anos, resultado de uma combinação entre seca prolongada, aumento dos custos de alimentação animal e descarte acelerado de matrizes.

Com preços elevados do gado, muitos produtores optaram por ampliar o abate em vez de manter animais para reprodução, reduzindo ainda mais a capacidade de recuperação do rebanho.

Diante desse cenário, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projeta importações recordes de carne bovina em 2026. A estimativa é que o país importe cerca de 5,8 bilhões de libras de carne bovina neste ano, avanço de aproximadamente 6% em relação a 2025 e crescimento de 25% frente a 2024.

Alta da carne bovina segue pressionando inflação nos EUA

Mesmo após medidas anteriores adotadas pela gestão Trump, os preços da carne bovina continuam em trajetória de alta no mercado norte-americano.

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Dados recentes do índice de preços ao consumidor mostram que a carne bovina ficou 12,1% mais cara em abril na comparação anual. Desde o retorno de Trump à presidência, em janeiro de 2025, o produto acumula alta superior a 16%.

No ano passado, o governo norte-americano já havia ampliado significativamente as importações de carne da Argentina e retirado tarifas adicionais aplicadas à carne bovina e ao café brasileiros. Apesar disso, o impacto sobre os preços finais ao consumidor foi considerado limitado.

Mercado avalia efeitos sobre pecuaristas e consumidores

Especialistas do setor acreditam que o aumento das importações pode ajudar parcialmente indústrias de hambúrgueres e redes de alimentação rápida, especialmente pela maior oferta de carne magra utilizada na produção de carne moída.

Ainda assim, analistas avaliam que a entrada adicional de produto importado dificilmente provocaria uma queda significativa nos preços ao consumidor final.

Entidades ligadas à pecuária norte-americana também demonstram preocupação com possíveis efeitos sobre os produtores locais. Representantes do setor afirmam que o aumento das importações pode reduzir o estímulo à recomposição do rebanho interno e pressionar pequenos pecuaristas.

O cenário mantém o mercado global de proteína animal em alerta, com impactos diretos sobre preços, exportações brasileiras, competitividade internacional e perspectivas para a cadeia pecuária nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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