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Trigo no RS mantém expectativa positiva de rendimento, apesar de danos pontuais causados pela chuva

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As lavouras de trigo no Rio Grande do Sul seguem com boas perspectivas de produtividade, segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na última quinta-feira (28). Embora chuvas fortes tenham provocado danos em algumas áreas, a maior parte do cultivo apresenta desenvolvimento satisfatório.

Chuvas irregulares afetam regiões produtoras

De acordo com a Emater, as precipitações tiveram comportamento irregular no estado. Na Região Sul, volumes elevados causaram perdas pontuais em áreas produtoras. Já no Noroeste e no Planalto — que concentram a maior parte da produção de trigo gaúcho — as chuvas foram moderadas e não prejudicaram o avanço das lavouras.

Atividades de manejo temporariamente suspensas

As operações de pulverização foram interrompidas em função do excesso de umidade no solo, medida adotada para evitar compactação e danos às plantas. A expectativa é de que os agricultores retomem as aplicações de fungicidas assim que as condições permitirem o trânsito de máquinas no campo.

Enquanto isso, produtores seguem atentos ao monitoramento de pragas e doenças. A Emater alerta que o período de floração exige cuidado redobrado, principalmente em áreas com maior umidade, onde há risco elevado de ocorrência de doenças fúngicas.

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Situação das lavouras e fases de desenvolvimento

O levantamento mostra que 82% das áreas de trigo estão em fase vegetativa, 15% em floração e 3% em enchimento de grãos. O boletim destaca que, de modo geral, o vigor vegetativo e a sanidade das plantas são considerados satisfatórios, sustentando uma expectativa positiva de rendimento.

Projeções de área e produtividade

A área cultivada com trigo no Rio Grande do Sul está estimada em 1.198.276 hectares. A produtividade média projetada pela Emater é de 2.997 quilos por hectare, reforçando a expectativa otimista para a safra, mesmo diante dos desafios climáticos pontuais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Crédito privado cresce e amortece recuo do Plano Safra

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O avanço dos instrumentos privados de financiamento está ajudando o agronegócio a cobrir parte do espaço deixado pela retração das linhas tradicionais de crédito rural. O estoque de Cédulas de Produto Rural (CPRs) chegou a R$ 576,4 bilhões em junho, crescimento de 12% em 12 meses, enquanto fundos e títulos ligados ao setor também ganharam participação.

Os saldos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) cresceram 81% em dois anos. No mesmo período, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) avançaram 9%. A expansão mostra que o financiamento da produção está se tornando mais diversificado e menos concentrado nos bancos.

Essa alternativa ganhou importância porque a área financiada pelas linhas de custeio do Plano Safra diminuiu 25,8% em 12 meses. O total passou de 34,2 milhões de hectares em julho de 2025 para 25,4 milhões no mesmo mês deste ano, segundo dados do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O valor liberado caiu em proporção menor, de R$ 205,8 bilhões para R$ 181,1 bilhões, retração de 12%. O número de contratos recuou 10,3%, de 867 mil para 777,8 mil.

Na prática, o financiamento médio aumentou de aproximadamente R$ 6 mil para R$ 7,1 mil por hectare. Isso mostra que o crédito disponível está cobrindo uma área menor e acompanhando, ao menos parcialmente, o aumento dos custos de produção.

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As CPRs permitem ao produtor levantar recursos tendo como referência a produção rural, com pagamento em produto ou dinheiro. O instrumento pode ser negociado com bancos, cooperativas, tradings, fornecedores e investidores, ampliando as possibilidades além das linhas oficiais.

As emissões de CPRs somaram R$ 377,8 bilhões durante a safra 2025/26. Embora o estoque continue crescendo, o ritmo das novas operações perdeu força, sinal de que o crédito privado também sente os efeitos dos juros elevados e da maior cautela dos financiadores.

O acesso a essas alternativas ainda é desigual. Grandes produtores, cooperativas e empresas com maior capacidade de oferecer garantias conseguem chegar com mais facilidade ao mercado privado. Pequenos e médios agricultores continuam mais dependentes dos bancos, das cooperativas de crédito e das linhas subsidiadas do Plano Safra.

A maior seletividade está relacionada ao crescimento das operações rurais com algum grau de dificuldade. Em julho, 23,5% da carteira ativa estava classificada como problemática, somando R$ 207,5 bilhões. Esse valor não representa apenas inadimplência: inclui contratos em atraso, renegociados ou prorrogados.

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As instituições financeiras também passaram a reconhecer antecipadamente possíveis perdas, conforme as regras da Resolução 4.966, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em vigor desde janeiro de 2025, a norma leva os bancos a aumentar as reservas quando identificam deterioração na capacidade de pagamento, o que reforça a cautela nas novas concessões.

No Rio Grande do Sul, onde sucessivas perdas climáticas elevaram o endividamento, a área financiada caiu 29,3%. O valor contratado recuou 18,3%, para R$ 23,1 bilhões, e o número de operações diminuiu 16,4%, para 189,6 mil.

Apesar da retração, os resultados atuais da produção, das exportações e dos preços dos alimentos permanecem sustentados por lavouras implantadas com recursos contratados anteriormente. O efeito da redução mais recente do crédito será conhecido com maior clareza durante a safra 2026/27.

O crescimento das CPRs, dos CRAs e dos Fiagros mostra que o setor encontrou novos caminhos para financiar a produção. Esses instrumentos ainda não substituem o crédito bancário, principalmente para pequenos e médios produtores, mas ampliam as fontes de recursos e reduzem parte da dependência do Plano Safra.

Fonte: Pensar Agro

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