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Trump retira tarifa de 40% sobre produtos agrícolas do Brasil após diálogo com Lula

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Estados Unidos anunciam retirada de tarifas sobre produtos brasileiros

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (20) um decreto que remove a tarifa de 40% sobre determinadas importações agrícolas do Brasil, segundo comunicado oficial da Casa Branca.

A medida passa a valer para produtos embarcados após 13 de novembro e inclui o reembolso das tarifas já cobradas sobre essas mercadorias.

Café, carne e frutas tropicais estão entre os produtos beneficiados

Entre os itens que deixam de ser taxados estão café, chá, frutas tropicais, sucos de frutas, cacau, especiarias, banana, laranja, tomate e carne bovina.

A decisão foi publicada em uma ordem executiva assinada por Trump, na qual o presidente explica que a medida foi tomada após uma conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante o diálogo, os dois líderes concordaram em iniciar negociações para tratar das questões levantadas no Decreto Executivo 14.323, que estabelecia as tarifas adicionais.

Decisão se baseia em avanços diplomáticos e recomendações internas

De acordo com o texto divulgado pela Casa Branca, a remoção das tarifas considera recomendações de autoridades americanas que acompanham as circunstâncias do estado de emergência declarado no Decreto 14.323.

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Segundo as avaliações apresentadas a Trump, “certas importações agrícolas do Brasil não deveriam mais estar sujeitas à alíquota adicional de 40%”, uma vez que houve progresso nas negociações com o governo brasileiro.

Casa Branca publica lista oficial dos produtos isentos

A lista completa dos produtos brasileiros que deixam de ser afetados pela tarifa foi divulgada em anexo ao decreto.

No documento, Trump afirma que “determinou que determinados produtos agrícolas não estarão mais sujeitos à alíquota adicional de imposto ad valorem”, destacando que as alterações são necessárias e adequadas para lidar com a emergência nacional declarada anteriormente.

Próximos passos nas negociações entre Brasil e EUA

As negociações entre Brasil e Estados Unidos permanecem em andamento e devem abordar os termos de cooperação agrícola e comercial que motivaram o decreto inicial.

A decisão é vista como um sinal de distensão nas relações bilaterais, especialmente para o setor agroexportador brasileiro, que vinha sendo afetado pelas tarifas impostas desde a publicação do Decreto 14.323.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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Alta de insumos, frete e diesel com guerra aperta margem e preocupa safra 2026/27

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Isan Rezende

“O produtor rural brasileiro define agora, entre maio e agosto, o custo da safra 2026/27 — cujo plantio começa a partir de setembro no Centro-Oeste — com uma conta mais pesada e fora do seu controle. A ureia subiu mais de US$ 50 por tonelada, o diesel segue pressionado e o frete internacional acumula altas de até 20%. Isso aumenta o custo por hectare e exige mais dinheiro para plantar”. A avaliação é de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), ao analisar os efeitos da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre o agronegócio brasileiro.

Segundo ele, o encarecimento não começou agora, mas se intensificou nas últimas semanas e pesa diretamente nas decisões do produtor. Em lavouras de soja e milho, o aumento dos insumos pode elevar o custo total entre 8% e 15%, dependendo do nível de investimento. “O produtor já vinha apertado. Agora, o custo sobe de novo e o preço de venda continua incerto”, afirma.

O avanço dos custos está ligado à tensão no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz levou o petróleo a superar US$ 111 o barril, mantendo o diesel em alta. Ao mesmo tempo, fertilizantes nitrogenados, que o Brasil importa em grande volume, ficaram mais caros e instáveis.

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Além do custo, há risco de perda de mercado. “O Irã comprou cerca de 9 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2025. Se esse volume diminui, sobra produto aqui dentro e o preço cai”, diz Rezende.

Na logística, o impacto já aparece nos números. O frete marítimo para a Ásia subiu entre 10% e 20%, com aumento do seguro e cobrança de prêmio de risco. Na prática, isso reduz o valor pago ao produtor. “Quando o custo de levar o produto sobe, alguém paga essa conta — e parte dela volta para quem está produzindo”, afirma.

O efeito mais forte deve aparecer nos próximos meses, quando o produtor for comprar fertilizantes e fechar custos da nova safra. Se os preços continuarem elevados, será necessário mais capital para plantar a mesma área.

Para Rezende, há medidas que podem reduzir esse impacto. “O governo pode ampliar o crédito rural com juros menores, reforçar o seguro rural e alongar dívidas em regiões mais pressionadas. Um aumento de alguns bilhões na equalização de juros já ajudaria a reduzir o custo financeiro da safra”, afirma.

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Ele também aponta que o Brasil começa a dar passos para diminuir a dependência externa de insumos, mas ainda de forma insuficiente. “A retomada da produção de nitrogenados com a reativação da unidade de Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Araucária, no Paraná, ajuda, mas ainda não resolve o problema. O país continua dependente do mercado internacional, especialmente do Oriente Médio. Sem ampliar essa capacidade e melhorar a logística, o produtor segue exposto a choques externos”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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