Tribunal de Justiça de MT

Última sessão de Maria Erotides é marcada por homenagens e emoção no TJMT

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A manhã do dia 21 de maio foi marcada por emoção, reconhecimento e muitas demonstrações de carinho no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Antes da última sessão da desembargadora Maria Erotides Kneip nas Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo, magistrados, servidores, assessores e amigos participaram de uma homenagem repleta de memórias afetivas e gratidão por uma trajetória de mais de quatro décadas dedicadas à magistratura mato-grossense.

A sessão foi presidida pelo desembargador Márcio Vidal e contou com a participação da desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, dos desembargadores Rodrigo Roberto Curvo, Deosdete Cruz Júnior e Jones Gattass Dias, além do juiz convocado Antônio Veloso Peleja Júnior.

Ao longo da homenagem, colegas e servidores compartilharam histórias que revelaram não apenas a magistrada firme e respeitada, mas também a mulher acolhedora, sensível e profundamente humana.

Reconhecimentos e memórias

Durante a sessão, o desembargador Márcio Vidal destacou a importância da magistrada para o Judiciário mato-grossense. “A sociedade brasileira e mato-grossense está muito carente de pessoas da envergadura da desembargadora Maria Erotides Kneip. Uma mulher valente, inteligente, competente e com enorme estatura moral e ética”, falou.

O desembargador Jones Gattass Dias relembrou que a admiração pela colega começou ainda nos tempos da faculdade de Direito da UFMT, quando Maria Erotides já era referência na magistratura mato-grossense pela atuação firme no Tribunal do Júri de Várzea Grande. “Nós íamos assistir às sessões presididas por ela e aprendíamos muito. Aquilo nos enchia de entusiasmo para seguir a carreira da magistratura”, recordou.

Segundo ele, anos depois, a relação profissional evoluiu para uma convivência próxima no Judiciário e posteriormente no Pleno do Tribunal de Justiça. “O que começou com admiração tornou-se o privilégio de dividir a magistratura com uma colega exemplo de retidão, ética e dedicação. Sou muito grato pelo tempo de convivência”, disse.

Já a desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos destacou a amizade construída ao longo de décadas e que foi fortalecida na convivência diária entre gabinetes vizinhos dentro do TJMT.

“Ela foi uma grande incentivadora da minha trajetória na magistratura até eu chegar ao cargo de desembargadora. Tenho profunda gratidão pelos ensinamentos, pela amizade e pelo exemplo que sempre transmitiu. Ela tem o dom da magistratura e sempre foi uma juíza que lutou por todos”, contou emocionada.

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O juiz Antônio Veloso Peleja Júnior também ressaltou o legado deixado pela desembargadora. “Ela é um farol para a magistratura e para a sociedade. Sempre foi intensa, trabalhadora e comprometida com os mais necessitados e com a defesa dos direitos das mulheres”,

Ao final, visivelmente emocionada, Maria Erotides falou sobre o significado daquele momento. “Foi um momento de imensa alegria e gratidão. Passou um filme da minha vida profissional e eu concluí que fui muito privilegiada por Deus por ter pessoas tão boas na minha vida”, ressaltou.

Questionada sobre o conselho que deixaria para os novos magistrados, respondeu de forma simples e direta: “Respeito e estudo. Cada pessoa tem sua história e é preciso respeitar sempre. E no Direito, estudar todos os dias, sem exceção.”

Mais que chefe, uma mãe e professora

Dentro de seu gabinete, o sentimento é o mesmo: o grupo de servidores que ela escolheu para assessorá-la se tornou uma família sob o comando de uma líder maternal e amorosa.

Há 27 anos ao lado da desembargadora, o assessor administrativo Edson de Almeida falou sobre a admiração construída ao longo da convivência diária. “Ela sempre foi uma pessoa maravilhosa. É uma mãezona, como muitos dizem, e eu também penso assim.”

A revisora do gabinete, Fabiana Rodrigues, que trabalha há 13 anos com a desembargadora, resumiu a relação construída ao longo do tempo. “As pessoas já conhecem a magistrada atuante e justa que ela sempre foi. Mas eu queria falar da questão humana. Muitas vezes ela foi colo, foi apoio, foi uma verdadeira mãe no gabinete para mim”, disse.

O assessor técnico-jurídico Rodolfo Cézar Cassiano destacou o aprendizado acumulado em uma década de convivência. “Maria Erotides não é só uma chefe. Ela é uma professora, uma mestre que ensina não só Direito, mas também como ser humano e como ser justo.”

A atual gestora do gabinete, Flávia Christina da Silva Assunção, relembrou que trabalha com Maria Erotides desde 1999. “Aprendi muito com ela desde esse tempo e hoje posso declarar que, com a ajuda dela, estou pronta para a magistratura.”

Emocionada, a assessora Ângela Maria Guerra agradeceu pela confiança recebida. “Só tenho gratidão pela senhora e estarei sempre aqui para o que precisar.”

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A assessora jurídica Maryanna Ramos Campos Oliveira também destacou o acolhimento recebido em um momento especial da vida pessoal. “Logo que cheguei ao gabinete, descobri minha gravidez e fui muito bem acolhida. A desembargadora sempre apoiou e dizia que meu filho era uma bênção do gabinete. Ela abraça, acolhe e ensina.”

A assessora jurídica Emmanuele Sarat Baracat de Arruda falou sobre a oportunidade de trabalhar ao lado da magistrada tanto na vice-presidência quanto no gabinete. “A senhora mora no meu coração. Sou muito grata por tudo.”

Já Bianca Braga, que trabalha há sete anos com a desembargadora, relembrou que chegou ao gabinete em um período difícil da vida. “Meu pai tinha falecido recentemente e foi uma oportunidade gigantesca de voltar a viver e crescer profissionalmente. Não existe preço que pague tudo que aprendi nesses anos.”

Com 34 anos de convivência profissional, Neuza Miranda Corrêa Duarte emocionou os presentes ao lembrar dos trajetos diários feitos ao lado da magistrada, sempre acompanhados de orações. “Agora serão novas avenidas nas nossas vidas, mas eu vou continuar aqui, com o terço na mão, rezando”, afirmou.

O assessor jurídico Giovani Antônio Rodrigues, há 27 anos no gabinete, definiu Maria Erotides como uma referência de honestidade, lealdade e humanidade. “Eu nunca a vi apenas como chefe. Sempre vi como uma mãe.”

Trajetória

Maria Erotides formou-se em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em 1973 e ingressou na magistratura em 1985. Atuou em diversas comarcas do Estado, especialmente em Várzea Grande, onde presidiu o Tribunal do Júri por 19 anos. Em 2011, tornou-se desembargadora do TJMT, onde também atuou como corregedora-geral e vice-presidente do Tribunal de Justiça.

Referência na defesa dos direitos das mulheres, coordenou a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (Cemulher-MT) e teve atuação destacada em pautas ligadas ao enfrentamento da violência doméstica.

Autor: Ana Assumpção

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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