Educação

Último dia para IFs enviarem projetos ao PET Saúde

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Instituto Federais interessados têm até esta terça-feira, 8 de setembro, para submeter projetos ao Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde Informação e Saúde Digital (PET Saúde I&SD), do Ministério da Saúde (MS). As propostas devem estar alinhadas aos três eixos do Programa SUS Digital: cultura de saúde digital, formação e educação permanente em informação e saúde; soluções tecnológicas e serviços de saúde digital no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS); e interoperabilidade, análise e disseminação de dados e informações de saúde. 

As iniciativas selecionadas serão executadas em parceria com as secretarias de saúde e terão duração de até 24 meses. Cada uma deverá conter, no mínimo, três e, no máximo, dez grupos de aprendizagem tutorial, que atuarão na promoção de avanços na transformação digital do SUS. A atuação também deve se dar por meio da incorporação do campo da informação e saúde digital aos processos de ensino-aprendizagem, pesquisa e inovação das instituições participantes. 

A formação dos grupos tutoriais deverá contemplar docentes, na função de tutores; profissionais dos serviços de saúde do SUS, como preceptores; e estudantes dos cursos de graduação e de educação profissional técnica de nível médio, como monitores. Para o desempenho das atividades, os membros receberão bolsas do PET Saúde I&SD, de acordo com os valores estipulados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 

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As instituições selecionadas deverão atuar na integração entre ensino, serviço e comunidade, contribuindo para o processo de transformação digital do SUS. As atividades terão início em fevereiro de 2027 e, segundo o cronograma, a divulgação do resultado final está prevista para o dia 21 de outubro. Esclarecimentos e informações adicionais poderão ser obtidos pelo e-mail: [email protected]. 

Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) e do MS 

Fonte: Ministério da Educação

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Educação

Da EJA ao título de doutora honoris causa

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Frequentar a escola era um desejo que Creuza Oliveira, 68 anos, tinha desde criança, mas, devido à sua realidade, não pôde ser alcançado na idade regular. Aos dez anos, já trabalhava como doméstica em casa de família. Enquanto as crianças da casa onde trabalhava iam para a escola, Creuza permanecia nos afazeres domésticos, sem poder frequentar as aulas ou brincar como gostaria.  

Mas o sonho de Creuza permaneceu com ela até a vida adulta, quando não apenas voltou a estudar, mas também concluiu o ensino fundamental e o ensino médio, por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Essa trajetória também permitiu que Creuza pudesse iniciar uma luta pelos direitos das trabalhadoras domésticas. Essa iniciativa lhe rendeu, em 2023, o título de doutora honoris causa pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). 

A trajetória educacional de Creuza foi retomada quando ela se aproximou de um grupo de trabalhadoras domésticas. Nos encontros, conheceu novas possibilidades de acesso aos estudos e teve contato com o curso noturno do Colégio Antônio Vieira, então conhecido como supletivo. Após integrar o grupo, matriculou-se na escola. 

Estar em sala de aula significava realizar um desejo que havia sido negado na infância. Também permitia encontrar pessoas com experiências semelhantes às suas. “Eu estava aprendendo, mas estava também compartilhando várias situações com meus irmãos e irmãs iguais a mim”, conta. 

 Assista ao vídeo:

Nesse ambiente, o aprendizado se somava à possibilidade de conversar sobre a própria vida e ouvir outras histórias. A escola passou a integrar um percurso no qual a formação e a atuação coletiva se fortaleceram mutuamente. “A experiência e a vida de Creuza mostram a importância da educação de jovens e adultos”, afirma Marlene Souza Silva, ex-professora de Creuza e que acompanhou sua trajetória. 

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Para Marlene, a EJA contribui para formar pessoas que colocam o conhecimento a serviço de causas sociais. Ao lembrar o caminho de Creuza, ela destaca a construção gradual de vínculos com outras trabalhadoras, até que elas se reunissem para organizar uma associação. 

A atuação de Creuza na defesa das trabalhadoras domésticas ganhou reconhecimento também no meio acadêmico. Ao receber o título de doutora honoris causa pela UFBA, ela viu sua história de organização e participação social ser acolhida pela universidade. “A academia reconheceu essa luta histórica pelos direitos das trabalhadoras domésticas”, afirma. 

A homenagem reconhece uma contribuição construída ao longo da vida. Para Creuza, a conquista tem relação com um percurso que reúne a experiência no trabalho doméstico, a retomada dos estudos e o compromisso com outras mulheres da categoria. 

Sua história também permanece viva na memória de quem compartilhou essa caminhada. A amiga Valdirene Boaventura admira a facilidade com que Creuza recorda acontecimentos e fala sobre o que viveu. Por isso, insiste para que essas lembranças sejam registradas em um livro.  

Um convite a voltar à escola – Ao falar com quem ainda deseja estudar, Creuza parte da própria experiência. Lembra o que significa conseguir ler e interpretar um texto, perceber os conhecimentos adquiridos e reconhecer os avanços na própria trajetória. “Com certeza você vai ver a diferença quando você puder pegar um texto, ler, interpretar, quando você puder olhar e ver que você cresceu, que você avançou”, afirma. 

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Para ela, essa conquista alcança também as gerações seguintes. Retomar os estudos é uma realização pessoal que pode incentivar filhos e netos a construir seus próprios caminhos. 

A menina que observava outras crianças saírem para a escola tornou-se uma mulher que convida outras pessoas a buscar o direito de aprender. Uma história em que o acesso à educação se entrelaça com a participação social e a construção de uma voz pública. 

Números – De acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), o Brasil registrou, em 2025, a menor taxa de analfabetismo da série histórica: 4,9% entre a população com 15 anos ou mais. Em 2024, o índice era de 5,3%. Essa faixa etária integra o público atendido pelas políticas de educação de jovens e adultos nos estados. 

CadEJA – O Ministério da Educação (MEC) desenvolve uma série de ações vinculadas ao Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da EJA (Pacto EJA), conjunto de iniciativas colaborativas implementadas com a participação dos entes federativos, incluindo o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA), plataforma virtual criada para registrar o interesse em cursar a EJA e auxiliar o planejamento da oferta de vagas.  

Instituído pela Portaria nº 275/2026, o CadEJA funciona como uma ponte entre pessoas interessadas em retomar os estudos e as oportunidades de EJA disponíveis. Na plataforma, as pessoas podem manifestar interesse em voltar a estudar e receber orientação para encontrar uma oportunidade de matrícula. A iniciativa envolve quatro diferentes perfis de acesso: usuários, operadores, agentes de cadastro e gestores.  

Assessoria de Comunicação Social do MEC 

Fonte: Ministério da Educação

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