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Uso de bioinsumos pode elevar a receita obtida com a soja em R$ 28,5 bilhões por safra

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A adoção em larga escala de microrganismos capazes de aumentar a disponibilidade de fósforo no solo pode acrescentar R$ 28,5 bilhões à receita anual da soja brasileira e reduzir em até R$ 15,7 bilhões os gastos com fertilizantes químicos. A estimativa consta de um estudo publicado na Revista de Política Agrícola por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.
O trabalho avaliou o impacto potencial da solubilização biológica de fosfatos, tecnologia que utiliza microrganismos para tornar parte do fósforo existente no solo mais acessível às raízes. O nutriente é essencial ao desenvolvimento das plantas, mas uma parcela considerável pode permanecer retida no solo e indisponível para a cultura.
Os pesquisadores projetaram os resultados experimentais para a área nacional de soja. O cálculo considerou ganho médio de produtividade de 8,6%, além da possibilidade de reduzir a aplicação de fertilizantes fosfatados sem comprometer o desempenho da lavoura.
Os valores representam um cenário de adoção em escala nacional, e não um resultado já obtido pelo conjunto dos produtores. O impacto em cada propriedade depende das condições do solo, da cultivar, do clima, do histórico de adubação e do manejo adotado. O bioinsumo também não elimina automaticamente a necessidade de fertilizantes.
Mesmo com essas ressalvas, o estudo dimensiona um benefício que começa a pesar nas decisões do produtor. Somados, o aumento potencial da receita e a economia com fertilizantes poderiam superar R$ 44 bilhões por safra. Os pesquisadores estimaram ainda em até R$ 1 bilhão o valor associado à redução das emissões de gases de efeito estufa.
A tecnologia ganha importância porque o Brasil depende do mercado externo para atender grande parte do consumo de fertilizantes. Produtos capazes de melhorar o aproveitamento dos nutrientes disponíveis no solo podem reduzir a exposição do produtor às oscilações cambiais, aos custos do transporte internacional e às interrupções no fornecimento.
A solubilização biológica de fosfatos já deixou a fase exclusivamente experimental. Um inoculante desenvolvido pela Embrapa Milho e Sorgo em parceria com empresas privadas estava presente em mais de 5 milhões de hectares na safra 2022/23. A instituição calculou em aproximadamente R$ 2,7 bilhões os benefícios econômicos acumulados pelos produtores até 2022.
O avanço da pesquisa ocorre ao mesmo tempo que o mercado de produtos biológicos ganha escala. Levantamento da CropLife Brasil mostra que as vendas de bioinsumos movimentaram R$ 1,82 bilhão no primeiro semestre de 2026, crescimento de 9,6% sobre o mesmo período do ano passado.
As aplicações somaram o equivalente a 46 milhões de hectares, alta de 18,3%. Esse número não representa 46 milhões de hectares diferentes. Como uma mesma lavoura pode receber mais de um produto ou várias aplicações, a área é contabilizada novamente a cada tratamento.
Os bioinseticidas responderam por R$ 858,2 milhões, ou 47% das vendas do semestre. A utilização desses produtos foi impulsionada principalmente pelo milho de segunda safra, em combinação com defensivos químicos no controle de lagartas e outras pragas.
Bionematicidas, biofungicidas, inoculantes e produtos destinados à disponibilidade de nutrientes completam o mercado. A procura tende a aumentar no segundo semestre, acompanhando a compra de insumos e o plantio da soja da safra 2026/27.
O crescimento comercial, porém, não substitui a validação agronômica. Microrganismos são sensíveis às condições de armazenamento, à temperatura, ao momento da aplicação e à mistura com outros produtos. A escolha precisa considerar o alvo, as características da área e a recomendação técnica, e não apenas a promessa de redução dos custos.
A pesquisa mostra que os bioinsumos podem deixar de ser apenas uma ferramenta complementar e assumir papel econômico na lavoura. Para o produtor, o ganho não está em trocar indiscriminadamente um produto químico por um biológico, mas em utilizar a tecnologia para produzir mais e aproveitar melhor aquilo que já foi incorporado ao solo.

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Fonte: Pensar Agro

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Mulheres já são 4,3 milhões nas decisões do campo e têm menor inadimplência

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As mulheres representam 40% dos 10,7 milhões de produtores e outros profissionais identificados como decisores rurais no Brasil, o equivalente a aproximadamente 4,3 milhões de pessoas. O levantamento também mostra que as produtoras apresentam inadimplência inferior à dos homens e ampliaram a participação na propriedade, na gestão e no uso de tecnologia nos últimos dez anos.
Os dados fazem parte do estudo “Perfil da Mulher do Agronegócio Brasileiro: 10 anos de transformação e avanços”, apresentado pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) na sexta-feira (2), durante o Global Agribusiness Festival, realizado em São Paulo.
A identificação dos decisores foi feita pela Serasa Experian a partir de uma base de 10,7 milhões de pessoas físicas relacionadas à atividade rural. O universo reúne registros do Cadastro Ambiental Rural (CAR), do Cadastro Federal de Imóveis Rurais (Cafir), do Cadastro Positivo e do Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços (Sintegra).
O resultado não significa que as mulheres comandem isoladamente 40% das propriedades brasileiras. O indicador mede a participação feminina entre as pessoas identificadas como responsáveis por decisões e atividades econômicas rurais, inclusive em negócios que podem ter mais de um proprietário ou gestor.
A análise do comportamento financeiro aponta inadimplência menor entre as mulheres nos diferentes grupos examinados. Entre as grandes proprietárias, a proporção registrada foi de 6,85%. Na Região Sul, 5,4% das produtoras apresentavam dívidas vencidas dentro dos critérios considerados pelo levantamento.
Como referência, o indicador geral da Serasa Experian para a população rural chegou a 8,8% no primeiro trimestre de 2026. A comparação exige cautela porque os recortes por porte, região e gênero podem reunir perfis diferentes de atividade e exposição ao crédito.
Ainda assim, os resultados colocam as produtoras em posição favorável na avaliação de risco. Taxas menores de inadimplência podem facilitar a negociação com bancos, cooperativas, fornecedores e empresas responsáveis pelo financiamento de insumos e máquinas.
“Prudência financeira aliada a um rigor exemplar em práticas de conformidade socioambiental coloca a gestão feminina em um patamar de alta confiabilidade para o mercado de crédito”, afirmou Sabrina Muñoz, gerente executiva de GeoData e Analytics para o agronegócio da Serasa Experian.
O estudo também cruzou os cadastros rurais com informações sobre trabalho em condições análogas à escravidão e desmatamento detectado pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes).
Os cadastros vinculados exclusivamente a homens concentraram 77% das ocorrências de trabalho escravo examinadas, enquanto os CPFs femininos responderam por 5%. Nos registros relacionados ao desmatamento, os percentuais foram de 67% para homens e 20% para mulheres.
Esses números mostram como as ocorrências estão distribuídas entre os cadastros analisados, mas não representam diretamente a taxa de irregularidade de cada gênero. Também não permitem concluir, isoladamente, que o sexo do proprietário seja a causa das diferenças observadas. Porte das áreas, localização, atividade produtiva e composição societária podem influenciar os resultados.
Outra parte da pesquisa comparou o perfil das gestoras entrevistadas em 2026 com o levantamento realizado dez anos antes. Entre as participantes, 91% disseram possuir total ou parcialmente o negócio rural, proporção 10 pontos percentuais superior à registrada na primeira edição.
A escolaridade também avançou. A parcela das entrevistadas com pós-graduação passou de 24%, em 2015, para 46% em 2026. No levantamento atual, 77% declararam ter concluído o ensino superior.
A maior qualificação aparece acompanhada da incorporação de ferramentas digitais. Sete em cada dez gestoras afirmaram utilizar, de maneira independente ou parcialmente independente, recursos como drones, telemetria e sistemas de administração da propriedade.
O estudo combinou informações de bases nacionais com uma etapa quantitativa e 25 entrevistas em profundidade com produtoras, pecuaristas e empresárias agroindustriais de diferentes regiões. As entrevistas identificaram avanços na autonomia das mulheres, mas também a permanência de obstáculos como barreiras culturais, dupla jornada e necessidade de apoio familiar.
Práticas como uso de bioinsumos, biodigestores, manejo da água, bem-estar animal e genômica também aparecem na rotina das participantes. Para a Abag, a combinação entre formação, tecnologia e presença direta na propriedade está mudando o perfil da gestão rural.
A pesquisa indica que a participação feminina deixou de estar restrita às atividades de apoio ou à sucessão familiar. Com maior presença na propriedade e nas decisões financeiras, as mulheres passaram a ocupar parte relevante da administração cotidiana do agronegócio brasileiro.

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Fonte: Pensar Agro

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