A relação de Ednaldo com a pesca começou ainda antes de ele se reconhecer oficialmente como pescador. Filho, irmão e neto de pescadores, ele cresceu cercado pelas águas e pelas histórias de uma atividade que atravessa gerações de sua família. Aos 59 anos, mantém a profissão e carrega consigo mais de quatro décadas de experiência ligadas à pesca artesanal.
A história com a atividade profissional começou por volta de 1985, quando, aos 18 anos, foi associado à Colônia de Pescadores Z-20, em Santarém (PA). Na comunidade de Campina, na região do Ituqui, onde morava, acompanhava os pais nas pescarias e aprendia, na prática, os conhecimentos que faziam parte da rotina familiar. “Isso vem de uma origem familiar. Meus pais, meus tios, meus avós, eram todos pescadores”, conta.
Com o passar dos anos, a pesca deixou de ser apenas uma tradição familiar e se tornou também parte da sua trajetória. Ednaldo ocupou diferentes funções na Z-20, entre elas a de coordenador de núcleo de base, conselheiro fiscal e conselheiro administrativo. Atualmente, além de continuar pescando, Ednaldo exerce função de diretor na Colônia de Pescadores Z-20 e participa de espaços de representação dos pescadores do Oeste do Pará e do Baixo Amazonas. Para ele, a trajetória foi construída pouco a pouco, a partir da convivência com as comunidades e da participação nas discussões relacionadas à atividade pesqueira.
Parte dessa trajetória também o levou para além das fronteiras brasileiras. Durante a pandemia, em 2020, foi convidado a participar de uma atividade na África para apresentar a experiência dos pescadores do Tapajós. Em 2024, esteve em Luanda, onde representou a região em uma atividade relacionada à organização dos pescadores e à importância da preservação ambiental. Para quem passou a vida entre rios e comunidades pesqueiras, atravessar o oceano para falar sobre a realidade de quem vive da pesca foi motivo de orgulho, “ser um pescador humilde, simples, mas ir para outro país representar os pescadores foi um sonho”, resume.

- Ednaldo
Mas a trajetória de Ednaldo também foi marcada por momentos difíceis. Ao longo de mais de 40 anos de atividade, ele enfrentou um dos riscos mais graves da profissão, o naufrágio, foram três episódios envolvendo suas embarcações. As dificuldades, segundo ele, também mudaram com o tempo. A pesca de décadas atrás, tinha uma dinâmica diferente, era mais fácil encontrar e capturar o pescado.
A relação com a pesca também mudou dentro da própria família. Seus filhos seguiram outros caminhos profissionais, assim como a maioria de seus irmãos. Aos 59 anos, ele olha para o futuro pensando não apenas na própria trajetória, mas também nas novas gerações. Para os jovens que desejam ingressar na pesca, Ednaldo deixa um conselho construído a partir de décadas de experiência: conhecer a atividade, valorizar a organização dos pescadores e defender os direitos conquistados pela categoria, “os jovens também precisam compreender que a continuidade da pesca depende da preservação dos recursos naturais”, destaca.
Depois de mais de quatro décadas de pesca, muitos desafios e diferentes funções exercidas na organização dos pescadores, Ednaldo continua se apresentando, antes de tudo, como pescador. Uma identidade que começou dentro de casa, passou pelas águas do Tapajós e hoje se funde com a própria história de vida.
Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura