Tribunal de Justiça de MT

Assinatura de protocolo e capacitação marcam avanço do concurso “A escola ensina, a mulher agradece”

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Nesta sexta-feira (15 de agosto), o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) ratificou o 3º Termo de Aditamento ao Protocolo de Intenções, que fortalece a criação e manutenção de redes de proteção e atendimento às vítimas de violência doméstica e familiar.

O ato ocorreu durante a capacitação “O Papel da Educação no Enfrentamento da Violência Contra a Mulher”, no Espaço Justiça, Cultura e Arte Des. Gervásio Leite, na sede do Judiciário, em Cuiabá. A iniciativa faz parte de concurso cultural “A escola ensina, a mulher agradece”, projeto da Justiça estadual para conscientização e combate à violência de gênero.

Assinaram o documento o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, a coordenadora da Cemulher-MT, desembargadora Maria Erotides Kneip, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, o procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa, a defensora pública-geral, Maria Luziane Ribeiro de Castro. Como testemunhas, assinaram o secretário de Estado de Educação, Alan Porto, e o representante da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Rafael Sabo Burlamarqui.

O protocolo, firmado originalmente em 2019, foi prorrogado por mais 24 meses, até 18 de agosto de 2027. O aditamento também reconhece a Câmara Temática de Defesa da Mulher como instância de articulação e monitoramento das ações, alinhando a iniciativa ao Plano Estadual de Defesa da Mulher 2025–2035.

O projeto – A capacitação, que reúne professores de Artes, História e Língua Portuguesa de 162 escolas estaduais de Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Cáceres, Barra do Garças e Sinop, é a segunda etapa do projeto “A escola ensina, a mulher agradece”, conduzido pela Cemulher-MT, e alcançará mais de 1.600 docentes e cerca de 76 mil estudantes.

Os estudantes participarão do Concurso Escolar de Expressão sobre a Violência Contra a Mulher, que mobilizará estudantes do Ensino Fundamental I e II em atividades artísticas e literárias sobre o tema, com expressões culturais como poesias, músicas, redações, teatro e vídeos, com premiações previstas para 25 de novembro.

Justiça e educação unidas contra a violência

O presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, destacou que a iniciativa é mais do que um ato formal. É a consolidação de uma política pública que une instituições para proteger mulheres e prevenir a violência desde a infância. Ele lembrou que o combate efetivo só é possível com ações concretas e integradas.

“É com profundo respeito que iniciamos este evento que une a Justiça à Educação em torno de um propósito maior: enfrentar a violência contra a mulher com coragem, sensibilidade e ações concretas. A educação é instrumento eficaz de transformação. Ao capacitar educadores, promover o diálogo nas escolas e estimular a expressão dos jovens, plantamos sementes de consciência crítica e cidadania. Não medirei esforços para implantar em todo o Estado uma vara especializada de violência contra a mulher”.

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A coordenadora da Cemulher-MT, desembargadora Maria Erotides Kneip, explicou que o protocolo assinado busca atuar na origem do problema, formando gerações mais conscientes e igualitárias. Segundo ela, abordar o tema na escola é a forma mais efetiva de romper ciclos de violência que se perpetuam culturalmente.

“A violência contra a mulher é um processo cultural e histórico, fruto da desqualificação dos direitos humanos das mulheres. O projeto estimula crianças e adolescentes a produzirem música, poesia, redações e vídeos sobre igualdade, tornando mais fácil falar de equidade com a sociedade. O Judiciário sozinho não resolve. É preciso que toda a sociedade se dê as mãos”.

O secretário de Estado de Educação, Alan Porto, lembrou que a rede escolar é o espaço onde valores e comportamentos se formam. Ele apontou que professores capacitados se tornam multiplicadores de boas práticas e agentes diretos de transformação social.

“A escola tem papel fundamental para ensinar nossas crianças e jovens a respeitar as mulheres. Serão 162 escolas envolvidas nesta primeira etapa, com professores que serão multiplicadores. Assim como campanhas de trânsito e ambientais começaram nas escolas, acredito que este projeto pode transformar a realidade no combate à violência”.

O procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa, enfatizou que a educação preventiva é a chave para resultados duradouros. Ele afirmou que mudar mentalidades ainda na infância é a melhor estratégia para uma sociedade mais justa no futuro.

“A melhor forma de combater um fator cultural como a violência de gênero é pela educação desde cedo. Se ensinarmos nossas crianças que qualquer violência contra a mulher é inaceitável, teremos uma sociedade diferente daqui a 10 ou 15 anos”.

Já o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, destacou que o Legislativo estadual tem buscado dar suporte a essas políticas por meio de leis que incentivam a prevenção e o enfrentamento da violência de gênero.

“Não podemos tratar com naturalidade a violência contra a mulher. A Assembleia já aprovou leis como a que obriga bares e restaurantes a adotarem medidas de auxílio a mulheres em risco. Esse projeto leva às escolas ferramentas para identificar abusos, prevenir comportamentos violentos e promover o respeito”.

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A defensora pública-geral, Maria Luziane Ribeiro de Castro, trouxe dados do atendimento à população para reforçar que a violência contra a mulher é um problema cotidiano e urgente. Para ela, a escola é um espaço estratégico de mudança social.

“Educar é um ato de resistência. Até julho, a Defensoria atendeu mais de duas mil mulheres vítimas de violência e atuou em mais de três mil processos. Cada atendimento representa a chance de romper o ciclo de violência. A escola é espaço onde valores se formam e onde podemos ensinar que respeito não é concessão, é direito inegociável”.

Encerrando as falas institucionais, o representante da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Rafael Sabo Burlamarqui, ressaltou que a força do protocolo está na integração entre municípios, órgãos de justiça e sociedade civil.

“Não é apenas um documento, é um compromisso concreto que conecta segurança pública, assistência social, Judiciário e prefeituras. Cada profissional que aplica esse protocolo com atenção e empatia está salvando vidas”.

O diretor comercial do SBT Cuiabá, Edmundo Curvo, também esteve presente na solenidade e participou do lançamento dos vídeos e do jingle do concurso cultural.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso conta como parceiros institucionais o Governo do Estado, a Assembleia Legislativa, SBT Cuiabá, o Ministério Público, a Defensoria Pública, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional MT, a Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), a União das Câmaras Municipais de Mato Grosso (UCMMAT) e a Associação para Desenvolvimento Social dos Municípios (APDM).

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Autor: Flávia Borges

Fotografo: Lucas Figueiredo

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Plano deve pagar congelamento de óvulos para evitar infertilidade

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A imagem apresenta uma balança dourada, símbolo da justiça, centralizada em um fundo branco. À direita da base da balança, as letras "TJMT" em dourado. No lado direito, a frase "2ª INSTÂNCIA" em azul e "DECISÃO DO DIA" em azul escuro e negrito. No lado esquerdo, três linhas horizontais azul-marinho.Resumo:

  • Plano de saúde deverá custear congelamento de óvulos para evitar infertilidade causada por tratamento médico, mas não pagará despesas futuras.

  • A decisão diferenciou prevenção de infertilidade de reprodução assistida.

Uma operadora de plano de saúde deverá custear parte do procedimento de congelamento de óvulos de uma paciente diagnosticada com endometriose profunda, diante do risco de infertilidade decorrente de tratamento cirúrgico. A decisão, porém, limitou a cobertura apenas às etapas iniciais do procedimento, excluindo despesas futuras.

O caso foi analisado pela Quarta Câmara de Direito Privado, sob relatoria do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho. A paciente relatou que precisava passar por cirurgia para tratar a doença e que, por orientação médica, deveria realizar a criopreservação de óvulos como forma de preservar a fertilidade.

A operadora negou o custeio sob o argumento de que o procedimento estaria relacionado à reprodução assistida, o que não é de cobertura obrigatória. No entanto, ao julgar o recurso, o relator destacou que a situação não se confunde com fertilização in vitro, mas sim com uma medida preventiva para evitar um dano decorrente do próprio tratamento de saúde.

Segundo o entendimento adotado, quando o plano cobre a doença, também deve arcar com medidas necessárias para evitar efeitos colaterais previsíveis, como a infertilidade. O magistrado ressaltou que a criopreservação, nesse contexto, tem caráter preventivo e está ligada diretamente ao tratamento médico indicado.

Por outro lado, a decisão estabeleceu limites para essa obrigação. Ficou definido que a operadora deve custear apenas as fases iniciais do procedimento, como a estimulação ovariana, a coleta e o congelamento dos óvulos.

Já os custos posteriores, como taxas de armazenamento do material genético e eventual utilização futura em fertilização assistida, não deverão ser arcados pelo plano, por se tratarem de medidas relacionadas ao planejamento familiar.

Processo nº 1004443-86.2026.8.11.0000

Autor: Flávia Borges

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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