Tribunal de Justiça de MT

Desembargador Mário Kono destaca avanços de mesa técnica que busca reduzir judicialização na saúde

Publicado

O desembargador Mário Kono, presidente do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), ressaltou nesta quarta-feira (20 de agosto) a importância da Mesa Técnica 9/2023, voltada à redução da judicialização na saúde pública. O magistrado foi o responsável por solicitar a criação do grupo, que resultou na instalação da Comissão Multissetorial de Monitoramento, sob coordenação do conselheiro Guilherme Maluf, do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT).

Segundo Kono, a comissão representa não apenas a continuidade, mas também o controle efetivo do trabalho iniciado pela mesa técnica. “Com certeza ela traz uma visão estrutural, primeiro da criação que foi feita e agora do desenvolvimento e monitoramento dessa atividade. Isso implicará em melhor atendimento da saúde da população mato-grossense, com menos custo para o Estado e com menos judicialização. O objetivo é esse: assegurar atendimento à população com mais eficiência e menor gasto”, afirmou.

O desembargador também destacou que o novo fluxo busca estabelecer uma modulação de valores, não apenas por procedimentos isolados, mas por serviços completos. “É uma dinâmica nova para o pagamento dentro do SUS. O serviço precisa ser realizado, pago, mas com previsibilidade de custos. O estudo está sendo muito bem desenvolvido pelas equipes técnicas, avaliando valores e prevendo possibilidades diferenciadas para cada paciente, já que não existem casos iguais. Assim, o material utilizado e o efetivo gasto com aquele paciente correspondem ao ressarcimento que será feito pelo Estado”, explicou.

Leia mais:  Podcast debate violência obstétrica e os direitos das mulheres na assistência perinatal

Para Kono, essa metodologia garante mais segurança e transparência. “Ao detalhar item por item o que pode ser feito e utilizado, o trabalho será devidamente prestado às contas públicas. Isso evita enriquecimentos indevidos de quem, por vezes, pretende auferir ganhos acima do mercado”, completou.

Vista geral da mesa técnica do TCE reúne conselheiros e representantes de instituições; participantes discutem estratégias de fortalecimento da governança pública.Na reunião, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) apresentou como principal avanço a criação de uma tabela de referência que será incorporada ao Sistema de Aquisições Governamentais (SIAG), definindo valores mínimos e máximos aceitáveis para procedimentos. De acordo com o secretário-adjunto de Atenção e Vigilância à Saúde, Juliano Melo, a medida uniformiza parâmetros e evita distorções nos custos. “Estabelecer padrões de valores ajuda a reduzir despesas com a judicialização e garante preços condizentes com o mercado, permitindo ampliar o alcance dos serviços prestados”, disse.

O conselheiro Guilherme Maluf, presidente da Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social do TCE-MT e relator da mesa técnica, ressaltou que os resultados já começam a aparecer. “Pelo menos 30 casos já foram resolvidos dentro dessa lógica pré-processual. O acompanhamento das Reclamações Pré-Processuais (RPPs) é essencial para que gerem benefícios concretos, com menos judicialização e menor impacto financeiro ao Estado”, afirmou.

Leia mais:  Comarca de Nova Mutum divulga edital para credenciamento de fisioterapeuta

Dois homens posam sorrindo para foto segurando o “Manual de Boas Práticas da Governança Social”, durante encontro no Tribunal de Contas de Mato Grosso.Concluída em dezembro de 2024, após mais de um ano de debates conduzidos pela Comissão Permanente de Normas, Jurisprudência e Consensualismo (CPNJur), presidida pelo conselheiro Valter Albano, a Mesa Técnica 9/2023 definiu um fluxo aprimorado para as RPPs no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania da Saúde Pública (Cejusc). O objetivo é dar celeridade às demandas do SUS e ampliar o controle sobre os recursos públicos.

Como resultado, foi elaborado ainda o Manual de Reclamação Pré-Processual, lançado no IX Congresso Internacional de Controle e Políticas Públicas, em Manaus (AM). A publicação reúne orientações técnicas e jurídicas para gestores e operadores do direito, estimulando a mediação de conflitos e reduzindo a necessidade de ações judiciais no setor da saúde.

A juíza Cristiane Padim da Silva, coordenadora do Nupemec, também esteve presente.

Além do TJMT e do TCE-MT, a Comissão Multissetorial conta com representantes da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), da Controladoria-Geral do Estado (CGE-MT), da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT) e da própria Secretaria de Saúde.

Fotos: Marcus Valentim e Tony Ribeiro – TCE/MT

Autor: Flávia Borges

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Comentários Facebook
publicidade

Tribunal de Justiça de MT

Ouvidor-geral do PJMT representa o Cojud e apresenta boas práticas institucionais no STF Escuta

Publicado

“Não há Justiça verdadeira onde não há escuta”. Foi com essa afirmação que o vice-presidente do Colégio Nacional de Ouvidores Judiciais (Cojud) e ouvidor-geral do Poder Judiciário de Mato Grosso, desembargador Rodrigo Curvo, participou da abertura da 4ª edição do STF Escuta, realizada nesta quinta-feira (7), no Supremo Tribunal Federal, em Brasília. A iniciativa integra um esforço de articulação entre o STF e tribunais, com foco no aperfeiçoamento da escuta institucional como instrumento de qualificação da resposta judicial. A 4ª edição é desenvolvida ao longo desses dois dias de trabalho (7 e 8 de maio).

A abertura do evento contou com a presença do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Edson Fachin, que também preside o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), da juíza-ouvidora do Supremo, Flavia da Costa Viana, do conselheiro do CNJ e ouvidor nacional de Justiça, Marcello Terto e do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Breno Medeiros.

Durante sua fala, o vice-presidente do Cojud destacou o papel estruturante da escuta no fortalecimento do sistema de Justiça.

Curvo, ressaltou ainda a evolução do projeto ao longo das edições, destacando a ampliação dos temas e dos públicos ouvidos pelo Supremo Tribunal Federal. “Na primeira edição, a atenção foi voltada à violência doméstica contra a mulher. Ali, o STF abriu espaço para ouvir uma dor histórica, muitas vezes silenciada, invisibilizada e naturalizada. Nas edições seguintes, o movimento se ampliou para comunidades tradicionais, povos indígenas e quilombolas”, observou.

Ao longo de sua explanação, Curvo também destacou sua atuação em dupla perspectiva institucional, como Ouvidor-Geral do Judiciário mato-grossense e vice-presidente do Cojud. “A escuta institucional não é um ato isolado. É um sistema. Instituições que escutam, compreendem e agem constroem legitimidade. O STF Escuta se insere exatamente nesse movimento de fortalecimento institucional”.

Leia mais:  TJMT homenageia desembargador Sebastião Barbosa de Farias pelos 39 anos de serviços à Justiça

Ainda durante o dia de trabalho, o desembargador apresentou durante o eixo boas práticas desenvolvidas pela Ouvidoria do Poder Judiciário de Mato Grosso, voltadas ao fortalecimento da escuta qualificada e à ampliação do acesso do cidadão às soluções institucionais.

Entre elas está o “Ícone da Conciliação”, ferramenta criada para aproximar o cidadão da solução consensual de conflitos. Por meio do mecanismo, pessoas que registram manifestações relacionadas à morosidade processual ou solicitam informações sobre seus processos, podem demonstrar, já no atendimento inicial, interesse na realização de uma audiência de conciliação.

A partir dessa manifestação, a Ouvidoria cria um fluxo específico e encaminha a demanda ao Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), responsável por analisar a viabilidade da audiência conciliatória.

Outra ação apresentada foi o projeto “Ouvidoria Cidadã”, iniciativa itinerante que leva a atuação da Ouvidoria para além das estruturas físicas do Judiciário, promovendo, na prática, a interiorização dos serviços.

A proposta, conforme destacado durante a apresentação, foi inspirada em uma iniciativa implantada pelo desembargador do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Altair de Lemes Júnior, durante sua gestão à frente do Colégio Nacional de Ouvidores. Na época, ele percorria o interior do Rio Grande do Sul para estabelecer agendas com magistrados, servidores e gestores públicos, aproximando a população dos canais de acesso ao Judiciário.

A iniciativa se consolidou como uma experiência de grande êxito. “Ao assumirmos a Ouvidoria, entendemos que era necessário avançar ainda mais nesse modelo. Por isso, institucionalizamos a prática, criamos um cronograma de visitas e passamos a definir datas para esses encontros nos municípios”, destacou.

Leia mais:  Podcast debate violência obstétrica e os direitos das mulheres na assistência perinatal

Segundo o desembargador, a atuação itinerante proporciona algo que nenhuma ferramenta digital, isoladamente, consegue oferecer: o contato direto com a realidade vivida pela população. “E esse contato transforma a escuta”, ponderou.

O Ouvidor-Geral do PJMT também destacou a criação de um canal específico para recebimento de denúncias de tortura, maus-tratos e violações de direitos humanos no sistema penitenciário, assegurando sigilo absoluto aos denunciantes.

A terceira prática apresentada foi estruturada para garantir acolhimento seguro, acessível e institucionalmente responsável às pessoas que historicamente enfrentam dificuldades para acessar os canais tradicionais de manifestação. A demanda surgiu a partir de uma solicitação apresentada à Ouvidoria pelo supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), desembargador Orlando Perri.

“O desembargador teve uma atuação decisiva ao demonstrar de que forma poderíamos colaborar. A partir disso, entendemos a necessidade de criar um canal exclusivo para atendimento dessas demandas. A equipe foi capacitada para receber, filtrar e encaminhar as manifestações. Isso demonstra a credibilidade do trabalho desenvolvido, tanto que fomos procurados especificamente para atender essas situações”, afirmou.

Ao encerrar a apresentação, Curvo reafirmou o compromisso da Ouvidoria do Poder Judiciário de Mato Grosso com uma atuação proativa, inclusiva e resolutiva, voltada ao fortalecimento da cidadania e ao aprimoramento da prestação jurisdicional.

Fotos: Rosinei Coutinho/STF

Autor: Patrícia Neves

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana