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Judiciário de Mato Grosso e a Semana da Pauta Verde: foco em boas práticas e conciliação ambiental

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Imagem com fundo verde escuro e o texto central “Semana da Pauta Verde”, com ícone de folha sobre documento. Na base, o logotipo do CNJ – Conselho Nacional de Justiça. A arte remete à temática socioambiental.

Durante a Semana da Pauta Verde, que ocorreu entre 18 e 22 de agosto, simultaneamente em todo o país, o Judiciário mato-grossense destaca a importância de boas práticas jurisdicionais na solução de conflitos ambientais. A iniciativa visa dar celeridade a processos ambientais e reforça o compromisso Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) em promover a sustentabilidade e a justiça ambiental por meio de métodos inovadores. Em Mato Grosso, a mobilização envolve as 79 comarcas, sob a liderança do desembargador Rodrigo Roberto Curvo, que é membro do Fórum Ambiental do Poder Judiciário (Fonamb) e coordenador do Grupo de Meio Ambiente do TJMT.

Juízo ambiental

A Vara Especializada de Meio Ambiente de Cuiabá (VEMA) e Juizado Volante Ambiental (Juvam), liderados pelo juiz Antônio Horácio da Silva Neto, são os principais exemplos dessas boas práticas. Enquanto a VEMA possui competência especializada em causas ambientais, cíveis e criminais, o Juvam busca a solução de casos de menor complexidade, contanto com equipe volante que atende prontamente às notícias de irregularidades ambientais.

Conforme o juiz Antônio Horácio, a visão do Juvam não é punitiva, mas sim focada na conscientização e na recomposição do dano ambiental. O magistrado ressaltou que a estrutura do Juvam é robusta, contando com conciliador, equipe de apoio, o Batalhão de Polícia Militar Ambiental e diversas secretarias e órgãos de apoio técnico.

Cejusc Ambiental e Nupemec

O Poder Judiciário de Mato Grosso conta com uma ampla estrutura voltada à autocomposição. Destaca-se o Centro Judiciário de Solução de Conflitos em matéria Ambiental (Cejusc-Ambiental) — o primeiro CEJUSC temático do Brasil dedicado exclusivamente à área ambiental — criado pelo então juiz e atual desembargador Rodrigo Roberto Curvo, membro do Fórum Nacional do Meio Ambiente (Fonamb) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Além dele, há outros CEJUSCs voltados a matérias gerais, todos coordenados pelo Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec).

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A implantação dos CEJUSCs representa uma das estratégias centrais do Judiciário, pois esses centros utilizam a mediação para viabilizar acordos, especialmente em processos estruturais que envolvem questões complexas, como a ocupação irregular de áreas públicas ou situações que demandam a atuação articulada de diversos órgãos.

O Juizado Volante Ambiental (Juvam) e a Vara Especializada do Meio Ambiente (VEMA) também já foram conduzidos pelo atual presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador José Zuquim Nogueira, cuja trajetória é marcada por anos de atuação em defesa do meio ambiente no âmbito judicial.

Cejusc de 2º Grau

Nos meses de abril e julho de 2025, o Cejusc de Segundo Grau alcançou resultados significativos na resolução de conflitos por meio da conciliação, por meio do Mutirão Ambiental. No evento de abril, 27 acordos foram fechados num total de 107 audiências realizadas, representando uma taxa de sucesso de 25,23%. Já em julho, o mutirão obteve um desempenho ligeiramente superior, com 19 acordos em 72 processos pautados, elevando o percentual de sucesso para 26,38%. Apesar dos números positivos, ambos os eventos enfrentaram obstáculos, como a ausência de partes, que prejudicou diversas audiências.

De acordo com Marilza Conceição Lima da Silva Fleury, gestora do Cejusc de 2º Grau, para manter a celeridade e evitar o acúmulo de processos, a unidade implementou a estratégia de realizar uma pauta concentrada mensal, exclusiva para casos ambientais. “Essa medida garante que os processos da área ambiental sejam analisados com maior frequência, evitando longos períodos de espera até o próximo mutirão. Com isso, a iniciativa busca otimizar a resolução desses litígios, consolidando a conciliação como uma ferramenta eficaz e contínua na Justiça”.

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Projeto Interligue Já

Outra iniciativa de destaque é o projeto “Interligue Já”, desenvolvido pelo Nupemec e pelo Cejusc Ambiental, em parceria com outros órgãos, como o Ministério Público, a concessionária Águas Cuiabá e a prefeitura de Cuiabá, para promover a interligação de imóveis à rede de esgoto em Cuiabá.

O projeto envolve a realização de mutirões de conciliação para resolver pendências relacionadas às interligações de esgoto, além de ações de conscientização sobre a importância da regularização.

As inspeções judiciais também são prática comum na solução das causas ambientais. O contato direto dos magistrados com o problema, por meio dessas inspeções, é essencial. Elas permitem uma compreensão mais aprofundada da situação, facilitando a construção de soluções mais efetivas e adequadas à realidade local. Geralmente, as inspeções são realizadas no contexto de ações estruturais, onde a complexidade do problema exige uma visão além dos autos do processo.

Semana da Pauta Verde

O esforço em promover a conciliação e a mediação se alinha com o foco da Semana da Pauta Verde, coordenada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A semana temática pretende incentivar o uso de formas pacíficas para resolver conflitos relacionados ao meio ambiente. Os processos estão ligados à Meta Nacional 6 — priorizar o julgamento das ações ambientais.

Por meio do Fórum Ambiental do Poder Judiciário, o CNJ quer impulsionar a pauta ambiental, de forma a priorizar o julgamento de processos estruturais. Cada tribunal define sua própria agenda de atividades, conforme suas possibilidades estruturais. A Política Nacional do Poder Judiciário para o Meio Ambiente foi instituída pela Resolução CNJ nº 433/2021.

Autor: Marcia Marafon

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Ações do TJMT ajudam população em situação de rua a reconstruir caminhos

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Dois homens sentados em uma mureta baixa diante de banner roxo com a frase "Atendimento Aqui" e "Acesso à Justiça para Pessoas em Situação de Rua". Um cachorro dorme na grama ao lado.“O combate à invisibilidade passa por reconhecer essas pessoas vulneráveis como sujeitos de direitos, não apenas como casos sociais”. A fala é do juiz Wanderlei José dos Reis, coordenador do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de Rondonópolis, e retrata uma realidade enfrentada pela população em situação de rua em todo o país.
Em meio à correria das cidades, essas pessoas acabam passando despercebidas pela sociedade, mesmo que estejam em busca de dignidade. Em Mato Grosso, no entanto, esse cenário tem sido enfrentado com atuação ativa do Poder Judiciário.
Continuamente, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) desenvolve ações para garantir que essas pessoas sejam vistas não apenas pelas vulnerabilidades, mas como cidadãos com direitos assegurados pela Constituição Federal.
Homem de óculos e camiseta branca com logo "Pop Rua Jud" dá entrevista. Um microfone da TV Justiça e um celular estão posicionados à frente dele para a gravação.A proposta do TJMT vai além do atendimento jurídico tradicional, construindo possibilidades de recomeço a partir da recuperação de documentos, acesso a serviços públicos e benefícios sociais, emprego e outras iniciativas de acolhimento. Para o juiz Wanderlei José dos Reis, levar o aparato da Justiça até essa população é fundamental para o enfrentamento dessas barreiras.
“O modelo tradicional de Justiça não alcança essas pessoas, por isso temos a Resolução CNJ n.º 425/2021, que estabeleceu mais uma política pública judiciária, instituindo que o Judiciário deve ser proativo. Ao caminharmos ao encontro delas, concretizamos o princípio do acesso universal à Justiça e densificamos o princípio da dignidade humana, ambos previstos na Constituição”, avalia o magistrado.
Wanderlei Reis, que é titular da 2ª Vara de Família e Sucessões de Rondonópolis e coordenador do PopRuaJud, explica ainda que, por meio de mutirões de cidadania e projetos itinerantes, o Judiciário leva atendimento até os locais onde essas pessoas estão. O objetivo é oferecer orientação, acolhimento e assegurar direitos básicos.
Mulher em guichê de atendimento conversa com homem sentado à sua frente. Entre eles, um computador mostra o sistema. O ambiente é amplo e sugere uma ação de serviços públicos.O magistrado relata que as demandas apresentadas são diversas. Há busca por documentos civis, atendimento de saúde, benefícios assistenciais, trabalhistas e até auxílio em questões familiares. Existem ainda casos envolvendo violência, discriminação e violação de direitos. Segundo Wanderlei Reis, o trabalho engajado do TJMT também cria uma relação de confiança entre a instituição e essa população.
“Nossas ações envolvem parcerias com órgãos de assistência social, Defensoria Pública e outras entidades que nos ajudam a proporcionar um atendimento diversificado, humanizado e simplificado. Dessa forma, conseguimos oferecer suporte completo, permitindo que essas pessoas encontrem caminhos para retomar a própria autonomia”, pontua o juiz coordenador.
*A expressão “casos sociais” costuma ser usada para tratar pessoas vulneráveis apenas como um problema assistencial, alguém que depende de ajuda ou caridade, sem enxergar sua individualidade, cidadania e direitos garantidos por lei.

Autor: Bruno Vicente

Leia mais:  Semana da Pauta Verde: Comarcas se mobilizam na priorização da tramitação de crimes ambientais

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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