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Conaes aprova 80 propostas que vão orientar o 2º Plano Nacional de Economia Popular e Solidária

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As 80 propostas aprovadas na 4ª Conferência Nacional de Economia Popular e Solidária (Conaes) servirão de base para a elaboração do 2º Plano Nacional. O plano, com publicação prevista para o final deste ano, norteará as políticas públicas para o setor. Entre as propostas mais votadas, destacam-se a criação do Ministério da Economia Popular e Solidária e a maior participação de empreendimentos solidários em compras públicas. 

Promovida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a conferência reuniu mais de 1.200 participantes, entre delegados e convidados de todos os estados, em Luziânia (GO), de 13 a 16 de agosto. O evento teve como tema “Economia Popular e Solidária como Política Pública: Construindo territórios democráticos por meio do trabalho associativo e da cooperação”.

No total, foram debatidas 700 propostas, eleitas previamente pela sociedade civil em conferências estaduais, locais e territoriais. A partir de votação, os delegados aprovaram 80 medidas, distribuídas nos quatro eixos temáticos definidos pela Secretaria Nacional de Economia Popular e Solidária (Senaes): produção, comercialização e consumo; financiamento, crédito e finanças solidárias; educação, formação e assessoramento técnico; e ambiente institucional, legislação, gestão e integração de políticas públicas.

Segundo o diretor do Departamento de Parcerias e Fomento da Senaes do MTE, Fernando Zamban, as propostas estão sendo compiladas e serão encaminhadas ao Conselho Nacional de Economia Solidária (CNES), responsável por definir os parâmetros do novo plano. “O Conselho será responsável por definir os parâmetros e elaborar o 2º Plano Nacional, juntando e desmembrando as propostas”, explicou.

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Além das propostas estruturais, também foram aprovadas iniciativas como a criação de um Programa Nacional de Feiras da Economia Solidária, o fortalecimento de centros públicos do setor e apoio técnico aos catadores de recicláveis. “A 4ª Conaes atingiu o seu objetivo com avaliação positiva dos participantes”, ressaltou Zamban.

Expectativas dos participantes do evento

A vereadora Eva Valéria Lorenzato, de Passo Fundo (RS), destacou que o plano nacional pode ampliar investimentos públicos para fortalecer iniciativas locais. “Em Passo Fundo temos diversas ações na área de sustentabilidade ambiental, junto às cooperativas de catadores e no aproveitamento de azeite de cozinha. Há também as artesãs que vendem seu artesanato com dignidade, conciliando seus horários de trabalho para criar seus filhos”, afirmou.

Já o superintendente regional do Trabalho e Emprego no Acre, auditor-fiscal Leonardo Lani de Abreu, defendeu a importância de mais recursos para a região amazônica. “Parte da população do estado está em situação de vulnerabilidade social, com mais da metade dos trabalhadores na informalidade. Nessas condições, a economia solidária é uma alternativa de renda”, disse.

Segundo ele, no Acre, os empreendimentos solidários estão ligados principalmente à alimentação, ao extrativismo de castanhas e ao artesanato com sementes e elementos naturais. “Espero que, com a retomada do diálogo social, os recursos públicos cheguem a esses trabalhadores que mais precisam”, completou.

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De acordo com o Cadastro Nacional de Economia Solidária (Cadsol), em 2016 o Brasil registrava 20.670 empreendimentos nesse formato, com a participação de 1,4 milhão de trabalhadores e trabalhadoras.

Propostas por eixo

Produção, comercialização e consumo: criação de Programa Nacional de Feiras da Economia Solidária, fortalecimento de centros públicos, Política Nacional de Compras Públicas, certificações e selos oficiais, apoio a catadores e incentivo a tecnologias sociais contra mudanças climáticas.

Financiamento, crédito e finanças solidárias: criação do Sistema Nacional de Finanças Solidárias, Fundo Nacional para empreendimentos, destinação mínima de 0,1% dos orçamentos públicos para o setor e implementação de linhas de crédito específicas, fundos rotativos e moedas sociais.

Educação, formação e assessoramento técnico: ampliação do Programa Nacional Paul Singer, criação da Escola Nacional de Economia Solidária e Feminista, inclusão do tema nas Diretrizes Curriculares Nacionais, reativação dos CFES e fortalecimento de fóruns comunitários.

Ambiente institucional, legislação e integração de políticas públicas: criação do Ministério da Economia Popular e Solidária, integração do setor a políticas de saúde mental e climáticas, campanhas educativas e de comunicação popular, além da contribuição da economia solidária para demarcação e titulação de territórios indígenas e quilombolas.

 

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

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Integração entre estados fortalece combate ao crime organizado

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Salvador, 15/5/2026 – A programação do Encontro das Redes Nacionais de Unidades Especializadas de Enfrentamento às Organizações Criminosas (Renorcrim) e de Recuperação de Ativos (Recupera), vinculadas ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), realizada de forma pioneira em Salvador (BA), foi concluída nesta sexta-feira (15).

O coordenador-geral de Combate ao Crime Organizado do MJSP, Getúlio Monteiro de Castro Teixeira, ressaltou que as redes são projetos consolidados voltados ao fortalecimento das investigações e da recuperação de ativos ligados às organizações criminosas. Segundo ele, a proposta é retirar recursos financeiros das atividades ilícitas e revertê-los em investimentos para as forças de segurança.

O delegado da Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) Lucas Magalhães observou que a iniciativa fortalece a aproximação entre autoridades de diferentes estados, contribuindo para alinhar procedimentos e ampliar a integração entre as instituições. “É um evento bem estruturado, que proporciona troca de experiências e contato direto entre os profissionais, fortalecendo o trabalho conjunto no enfrentamento às organizações criminosas”, afirmou.

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O juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) José Augusto Farias também ressaltou a importância das discussões. “Estou levando ideias importantes para aplicar na prática, especialmente na recuperação de ativos. Essas trocas de experiências são muito válidas”, disse. Ele também elogiou a escolha dos temas, classificados por ele como pertinentes e atuais.

Temas dos painéis

Os debates abordaram temas como a atuação da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e das instituições financeiras no enfrentamento à lavagem de dinheiro e ao terrorismo, além do uso de tecnologia nas investigações criminais e no combate às facções, com participação de representantes da Meta Platforms e do Google.

Para a coordenadora do programa Recupera Bahia, Karina Almeida, a programação contribui para o aprimoramento das estratégias e o alinhamento de procedimentos entre os órgãos envolvidos. “A atividade reúne profissionais para compartilhar conhecimento, boas práticas e fortalecer ações, ampliando medidas que retirem recursos financeiros das organizações criminosas e revertam esses bens em benefício da sociedade”, enfatizou.

Segundo a juíza de Direito do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul (TJMS) Eucélia Moreira, o aprendizado adquirido será aplicado na realidade de cada estado. “A justiça criminal vai além da punição. O foco também está na reparação dos danos às vítimas. A Bahia demonstra que tem experiência em receber e organizar grandes debates”, concluiu.

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Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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