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Açúcar encontra piso em Nova York, mas safra brasileira levanta dúvidas sobre oferta

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O mercado internacional de açúcar bruto em Nova York manteve-se, no terceiro trimestre de 2025, entre 16 e 17 centavos de dólar por libra-peso. Apenas o contrato de março de 2026 ficou levemente acima desse patamar, enquanto os demais vencimentos seguem abaixo de 17 US c/lp. Segundo análise do RaboResearch, a convicção dos fundos em manter posições vendidas não encontra respaldo imediato nos fundamentos de mercado.

Qualidade da cana preocupa no Centro-Sul

No Brasil, os resultados da safra reforçaram preocupações. Dados até meados de agosto apontam queda de 4,5% no teor de ATR em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar do mix mais açucareiro — com 52,5% até agosto e 55% na primeira quinzena do mês —, a moagem e a produção de açúcar acumulam queda entre 5% e 6% frente à safra anterior. A projeção do RaboResearch indica moagem de 587 milhões de toneladas de cana, mix de 51,5% e produção de 39,6 milhões de toneladas de açúcar, distante da meta de 40 milhões.

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Índia e Tailândia devem ampliar produção

No cenário internacional, as perspectivas seguem de oferta mais robusta. A Índia deve alcançar 34,9 milhões de toneladas de açúcar em 2025/26, destinando 4,5 milhões de toneladas para etanol e mantendo potencial para exportar cerca de 2 milhões de toneladas. A Tailândia também projeta safra maior, reforçando a percepção de que não há risco imediato de escassez global.

Etanol sustenta preços internos

Apesar da pressão no açúcar, o mercado de etanol mantém suporte. A mistura obrigatória de anidro na gasolina passou de 27% para 30% em agosto, ao mesmo tempo em que a produção de etanol de cana pode cair até 4 bilhões de litros na safra 2025/26. Parte dessa redução será compensada pelo avanço do etanol de milho, que deve atingir quase 10 bilhões de litros. Esse cenário reduz a oferta disponível na entressafra e contribui para sustentar os preços do açúcar no Brasil.

Pontos de atenção: câmbio e combustíveis

O Rabobank alerta que a trajetória do câmbio e os preços internacionais da gasolina merecem monitoramento. Caso a Petrobras reduza novamente os preços do combustível, o impacto poderá ser sentido sobre o etanol. Além disso, as condições climáticas favoráveis em 2025 e a expansão da área de cana plantada em 2024/25 aumentam a expectativa de uma safra mais produtiva para 2026/27, o que pode alterar o equilíbrio global entre oferta e demanda.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Reforma Tributária no Agro: por que 2026 marca a virada fiscal no agronegócio brasileiro

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A reforma tributária deixa de ser uma expectativa futura e passa a redesenhar, na prática, o ambiente de negócios do agronegócio brasileiro. Com a Emenda Constitucional nº 132/2023 e a regulamentação posterior, o setor entra em uma nova fase de maior controle fiscal, digitalização e exigência de formalização, com impactos diretos na operação de produtores, cooperativas e cadeias integradas.

Segundo análise do advogado Renato Ewerton de Melo, sócio da RDS Advogados Associados, 2026 será um ano de adaptação decisivo antes da plena implementação do novo modelo em 2027.

Novo sistema tributário avança e muda rotina das operações no campo

O novo modelo baseado na CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e no IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) já inicia sua fase de transição, exigindo mudanças estruturais na forma como o agronegócio registra e comprova suas operações.

A partir de 1º de janeiro de 2026, os contribuintes passam a ser obrigados a emitir documentos fiscais eletrônicos com destaque individualizado dos novos tributos, além de avançar na eliminação da cumulatividade e no fortalecimento da rastreabilidade das operações.

Na prática, o modelo amplia a fiscalização digital e reduz espaços para informalidade, exigindo maior organização contábil e fiscal em toda a cadeia produtiva.

CNPJ passa a ser peça central na formalização do produtor rural

Um dos pontos mais sensíveis da nova fase é a exigência de inscrição no cadastro com identificação única via CNPJ antes do início das atividades, conforme o artigo 105 do Decreto nº 12.955/2026.

A medida acelera a transição de produtores que ainda operam como pessoa física para estruturas mais formalizadas, impactando diretamente o acesso a crédito, comercialização e integração com grandes compradores.

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Na prática, produtores que não se adequarem podem enfrentar dificuldades para permanecer em cadeias estruturadas, especialmente em relações com cooperativas, tradings e agroindústrias.

Nota fiscal eletrônica ganha protagonismo no controle e na rastreabilidade

O documento fiscal eletrônico passa a ter papel central no novo sistema, conforme o artigo 112 do Decreto nº 12.955/2026.

A nota eletrônica se torna instrumento essencial de controle, auditoria e rastreabilidade das operações, reforçando a integração entre produção, logística e comercialização.

Esse avanço aproxima o agronegócio de padrões já consolidados em setores industriais mais digitalizados, elevando o nível de exigência sobre pequenos e médios produtores.

CNA alerta para barreiras de mercado na cadeia de suprimentos

Em análises recentes, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil aponta que produtores que não avançarem na formalização podem enfrentar barreiras crescentes de acesso às cadeias de suprimento.

Segundo a entidade, mesmo quando não há imposição legal direta, exigências de conformidade e rastreabilidade tendem a se tornar critérios decisivos para compra e contratação no agronegócio.

2026 será ano de adaptação e testes do novo modelo fiscal

O ano de 2026 funciona como uma fase de transição, com caráter predominantemente informativo na apuração para contribuintes que estiverem em conformidade com as obrigações acessórias.

Nesse período, o foco recai sobre testes de sistemas, revisão de contratos e integração dos processos fiscais às rotinas operacionais do setor.

A partir de janeiro de 2027, o sistema entra em operação plena, com convivência entre modelos durante a fase final de transição.

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Bancos e tradings devem endurecer critérios de conformidade

A tendência é de aumento da exigência de regularidade fiscal por parte de tradings, agroindústrias e instituições financeiras, que devem incorporar a conformidade como critério central de relacionamento comercial.

A regularidade passa a ser determinante para acesso a crédito rural, emissão de CRA e participação em estruturas como Fiagro.

A Receita Federal do Brasil também reforça, em orientações recentes, o avanço para um modelo de fiscalização digital em tempo real, reduzindo tolerância a inconsistências cadastrais e operacionais.

Estrutura produtiva será redefinida pela formalização

Com o novo sistema, a validade dos documentos fiscais passa a depender diretamente da regularidade cadastral do emissor. Inscrições inapta ou suspensas podem comprometer a emissão de notas e impactar toda a cadeia de créditos tributários.

Na avaliação da RDS Advogados Associados, o movimento representa uma mudança estrutural no ambiente de negócios do agro, elevando o nível de profissionalização exigido para permanência no mercado.

Virada fiscal redefine competitividade no agronegócio

A reforma tributária não se limita à reestruturação de tributos, mas estabelece um novo padrão de funcionamento para o agronegócio brasileiro.

Produtores que se adequarem rapidamente ao modelo de formalização e gestão fiscal tendem a ganhar competitividade. Já aqueles que mantiverem estruturas informais podem enfrentar restrições crescentes de mercado a partir de 2027, quando o sistema entra em sua fase plena de operação.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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