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MMA debate projeto-piloto de pagamento por serviços ambientais voltado ao manejo do pirarucu

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O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) realizou, na última quarta-feira (3/9), uma oficina para discutir a implementação de um projeto-piloto de pagamento por serviços ambientais (PSA) associado ao manejo sustentável do pirarucu na Amazônia. O encontro foi realizado durante a 14ª reunião do Coletivo do Pirarucu, em Brasília.

A iniciativa integra os esforços do governo federal para regulamentar a Política Nacional de Pagamentos por Serviços Ambientais, com foco em soluções que aliem conservação da biodiversidade e geração de renda para comunidades da sociobiodiversidade. O piloto é desenvolvido na cadeia do pirarucu por ser considerada referência na integração entre sustentabilidade, organização comunitária e fortalecimento econômico local.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou que iniciativas como o manejo comunitário sustentável apoiam a transição ecológica justa e inclusiva, além de conciliarem conhecimentos tradicionais dos pescadores com tecnologia. “Fazer o manejo do pirarucu é transformá-lo em um novo ciclo de prosperidade, unindo as ciências dos técnicos e biólogos com a ciência que vocês trazem até nós”, declarou.

Marina Silva ressaltou ainda que o manejo representa um avanço em relação às ações já existentes de comando e controle, uma vez que a abordagem proposta vai além para “não só combater a pesca predatória e o desmatamento, mas estruturar políticas públicas”. “É aí que entra o componente da bioeconomia, que a prosperidade seja fruto da preservação do rio, da floresta, da biodiversidade, dos povos indígenas e das comunidades tradicionais. Essa é a verdadeira mudança e a transformação que será duradoura”, afirmou a ministra.

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A oficina foi desenvolvida em parceria com o Coletivo do Pirarucu, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Projeto Floresta+ Amazônia, iniciativa implementado pelo MMA, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), para recompensar aqueles que protegem e recuperam a Floresta.

Já a secretária nacional de Bioeconomia do MMA, Carina Pimenta, lembrou que a oficina marca um passo concreto na construção da política nacional de PSA, que conecta uma demanda histórica das comunidades amazônicas com o processo de regulamentação conduzido pelo MMA. “Fizemos questão de trabalhar exemplos concretos de como associar pagamentos por serviços ambientais, uma demanda histórica de todos vocês, à produção na Amazônia. O projeto que estamos construindo aqui será emblemático para a regulamentação da política de PSA”, enfatizou. “Queremos que a política esteja diretamente associada a quem protege e produz. O Coletivo do Pirarucu é um exemplo concreto disso”, acrescentou.

Representando os manejadores, o pescador Pedro Canízio, da Reserva Mamirauá (AM), falou sobre a importância da parceria com o poder público. “A gente sabe a dificuldade que é manter o estoque, mas também as conquistas dessa luta. Essa parceria é fundamental para que a gente siga fortalecendo nosso trabalho e garantindo que todo ano haja peixe para a cota”.

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O projeto-piloto do pirarucu foi apresentado pela diretora do Departamento de Políticas de Estímulo à Bioeconomia da Secretaria Nacional de Bioeconomia do MMA, Bruna De Vita. Segundo ela, a iniciativa será referência para orientar a implementação da política nacional de PSA, com ampliação dos instrumentos de valorização de quem conserva a floresta em pé e promove cadeias sustentáveis na Amazônia.

Ainda no encontro, os participantes avaliaram os serviços ambientais prestados, formas de mensuração, de pagamento, além discutirem o alinhamento com outras políticas públicas relacionadas à agenda, como a Política de Garantia de Preços Mínimos para Produtos da Sociobiodiversidade.

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Impasse entre parlamentares e governo trava socorro financeiro ao agronegócio

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou as negociações com o Ministério da Fazenda em busca de um socorro financeiro para o setor, mas esbarrou em um impasse técnico que ameaça o planejamento da próxima safra.

Ao apresentar uma contraproposta com taxas de juros mais acessíveis e prazos estendidos, a bancada ruralista tenta reverter as restrições impostas pelo governo, que, até o momento, limita o auxílio apenas aos prejuízos causados por eventos climáticos, excluindo o impacto das oscilações de mercado que também comprimiram a receita dos produtores.

O agronegócio, motor de cerca de um quarto do PIB nacional, enfrenta um cenário de crescente pressão sobre o fluxo de caixa. Entre 2019 e 2025, uma sucessão de frustrações climáticas, somada à desvalorização dos preços das commodities, gerou um passivo significativo que agora trava a capacidade de investimento para o próximo ciclo produtivo. A urgência da FPA em encontrar uma solução baseia-se no temor de que a falta de crédito provoque uma retração na área plantada e no uso de tecnologia, impactando a produtividade de um setor que é pilar da balança comercial brasileira.

Disputa de números

A divergência entre as propostas em mesa reflete a busca pelo equilíbrio entre a viabilidade do produtor e a responsabilidade fiscal do governo. A FPA defende um modelo de renegociação mais abrangente: para perdas por eventos climáticos, a sugestão é de juros de 4%, 6% e 8% ao ano. Já para perdas causadas por movimentos de mercado, a bancada propõe taxas de 5%, 7% e 9% — valores escalonados conforme o porte do produtor. A entidade pede ainda um prazo de oito anos para pagamento, com dois de carência, e a ampliação do teto de financiamento para R$ 10 milhões por CPF.

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O Ministério da Fazenda, contudo, mantém uma postura de maior rigor. A contraproposta do Executivo foca exclusivamente em perdas climáticas, com juros mais elevados — 6%, 9% e 12% ao ano — e um prazo menor de quitação: seis anos de pagamento com dois de carência. Além disso, a pasta sugere um limite de R$ 8 milhões por CPF para a renegociação.

Pontos de consenso e entraves

Embora o impasse nas taxas e na abrangência das dívidas persista, houve avanços em pontos estruturais. O governo concordou em manter o teto de R$ 50 milhões para financiamento a cooperativas, permitindo que estas atuem no repasse de crédito aos cooperados. Também houve progresso na discussão sobre um fundo garantidor e na flexibilização da regulamentação do crédito rural, permitindo que os bancos aproveitem melhor as garantias já existentes, atrelando-as à proporcionalidade da dívida.

Outro mecanismo em debate é a operação “mata-mata” para as Cédulas de Produto Rural (CPRs). A ideia é permitir que produtores emitam novos títulos para quitar dívidas anteriores, uma forma de organizar o passivo e destravar o fluxo financeiro. No entanto, o tratamento das dívidas privadas permanece como um dos pontos mais críticos; a FPA quer evitar que débitos remanescentes sejam renegociados a taxas próximas de 20%, defendendo uma trava atrelada à Selic para não inviabilizar a renegociação.

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A expectativa é que um texto de consenso surja nos próximos dias, seja para a publicação de uma Medida Provisória, com vigência imediata, ou o envio de um projeto de lei em regime de urgência. A resolução rápida é tratada pela bancada ruralista como condição indispensável para garantir que o setor mantenha o ritmo de produção que sustenta a economia nacional.

Fonte: Pensar Agro

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