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Caatinga é exemplo de força no combate às mudanças climáticas

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Colocar a Caatinga no centro das discussões da agenda internacional da COP 30 e propor ao mundo soluções para as consequências das mudanças climáticas é uma grande oportunidade de o Brasil inserir na agenda global assuntos como o combate à desertificação, que já atinge 18% do território nacional e 39 milhões de pessoas, e a perda de biodiversidade. “Valorizar esse bioma 100% nacional é mostrar que o Brasil tem pluralidade de soluções climáticas, da floresta úmida à floresta seca”, defende o pesquisador da Área de Combate à Desertificação do Instituto Nacional do Semiárido Aldrin Pérez. A unidade é vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Um estudo recente revelou que, em 2022, a Caatinga foi responsável por cerca de 50% de todo o sequestro líquido de carbono do País, compensando uma fração significativa das emissões nacionais de gases de efeito estufa. Publicado na Science of the Total Environment, o trabalho intitulado A Comparative Analysis of GHG Inventories and Ecosystems Carbon Absorption in Brazil reafirmou a relevância do bioma, não apenas para a região do Semiárido, mas para o equilíbrio climático de todo o território nacional.

A Caatinga é a maior floresta seca do planeta que aprendeu a ser eficiente e, mesmo nos anos mais duros de estiagem, ela continua capturando o carbono. Pesquisas do Observatório do Carbono, da Água e da Energia na Caatinga mostram que, em áreas mais úmidas, o bioma chega a sequestrar até 7 toneladas de CO² por hectare/ano. Já nas áreas mais secas, mantém taxas que variam ou oscilam de 1,5 a 3 toneladas, com uma eficiência impressionante, e 58% do carbono fixado é retido de forma estável.

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“O índice é superior ao observado nos outros biomas brasileiros e, quando comparado com as florestas secas ao redor do mundo, ela hoje é classificada como a segunda floresta seca mais eficiente no sequestro de carbono”, detalha Pérez.

A Caatinga ocupa cerca de 11% do território do País e abriga uma biodiversidade singular, com elevado grau de endemismo, ou seja, espécies que só existem ali. São plantas, animais e microrganismos que desenvolveram estratégias únicas de sobrevivência diante das adversidades do clima semiárido, marcado por longos períodos de estiagem e chuvas irregulares. Essa riqueza natural, no entanto, permanece pouco conhecida por grande parte da sociedade e historicamente foi subestimada nos debates ambientais nacionais.

De acordo com o pesquisador, 72% de todo esse carbono é armazenado no solo. São cerca de 125 toneladas por hectare, o que faz da Caatinga não apenas um sumidouro, mas também um enorme cofre natural de longo prazo.

“Podemos dizer então que a Caatinga é como uma eterna crença. Basta uma gota de chuva e ela renasce. Cada galho, cada folha, cada grão de solo vira um cofre silencioso de carbono. É essa resiliência que explica seu protagonismo. A Catinga sabe guardar vida e equilibrar o clima mesmo nos cenários mais difíceis”, aponta o pesquisador.

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Aldrin pontuou ainda que o Brasil pode surpreender o mundo com a Caatinga, o único bioma 100% brasileiro, que guarda 12 milhões de toneladas de carbono estocadas e pode capturar quase 3 milhões por ano. É uma das florestas secas mais eficientes do planeta.

O Semiárido brasileiro, tantas vezes associado apenas às suas dificuldades, revela-se hoje como um território de esperança e inovação. A Caatinga, com sua força discreta e admirável resiliência, é uma guardiã essencial do clima e da vida. Proteger e restaurar esse bioma é mais que uma ação ambiental: é um compromisso histórico com o futuro das próximas gerações.

COP Nordeste

De segunda-feira (15) a sexta-feira (19), especialistas e autoridades estão reunidos em Fortaleza (CE) na COP Nordeste, que ocorre juntamente com a 3ª Conferência Internacional sobre Clima e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (ICID2025). A discussão local tem como objetivo reafirmar a posição unificada da região nas negociações climáticas globais e fortalecer a atuação do Consórcio Nordeste, valorizando as vocações produtivas, culturais, energéticas e ecológicas da região. O encontro é uma preparação para a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), de 10 a 21 de novembro, em Belém (PA).

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Cerâmica ancestral renasce pelas mãos de mulheres da Amazônia

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Uma história viva. É assim que a coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão, Bernardete Araújo, descreve a japuna, um tipo de forno de origem indígena. Hoje, essa e tantas outras peças há tempos esquecidas voltam a ganhar vida pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade que fica em Tefé (AM), graças ao projeto Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões.  

“A japuna, para mim, significa a história viva, um museu vivo. Eu via, desde pequena, minha mãe produzindo e usando essa peça para torrar farinha, café, cacau, milho e castanha. Estamos resgatando o conhecimento tradicional das nossas mães, avós e bisavós”, conta a coordenadora. Outro ponto positivo de voltar a adotar a técnica ancestral é a possibilidade de gerar renda com a venda de vasos, fogareiros, fruteiras e panelas. 

A iniciativa reuniu as mulheres da associação Clube de Mães para atuar em todas as etapas do processo, chamada pelos arqueólogos de cadeia operatória das japuna. Esse processo vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas antepassadas. 

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O projeto conta com três eixos de pesquisa: o primeiro com base em escavações na região; o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres; e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade. A iniciativa é uma parceria entre o grupo e o Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

Segundo a arqueóloga do Mamirauá e uma liderança da iniciativa, Geórgea Holanda, há anos a produção das japuna estava adormecida, com risco de ser extinta. “Mas elas estavam presentes na mente das ceramistas. Então, por meio do projeto, foi possível colocar em prática esse conhecimento. Que foi repassado de geração para geração pelas suas antepassadas”, conta.  

“Voltar a fazer as japuna é como o resgate do conhecimento tradicional dos nossos pais. A gente tem que manter viva essa tradição, esse conhecimento e a continuidade dessa história da nossa ancestralidade”, diz Bernardete. 

De acordo com Geórgea, a relação entre o instituto e a comunidade acontece de forma participativa, sempre respeitando as decisões das pessoas da comunidade. “Esse trabalho só foi possível porque elas aceitaram e passaram esse rico conhecimento para nós”, finaliza a arqueóloga. 

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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