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Brasil encerra 10º Fórum de Jovens Cientistas do Brics com a participação da ministra Luciana Santos

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O Brasil encerrou, na tarde de quarta-feira (17), em Brasília (DF), a 10ª edição do Fórum de Jovens Cientistas do Brics. O evento reuniu pesquisadores e empreendedores dos países-membros para debater soluções inovadoras em ciência, tecnologia e inovação, consolidando-se como espaço estratégico de cooperação internacional. A cerimônia de encerramento contou com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.  

“É uma grande satisfação estar aqui hoje para presenciar o momento histórico de nossa cooperação em ciência, tecnologia e inovação”, afirmou a ministra. Ela destacou que, ao longo de três dias de atividades, os jovens pesquisadores apresentaram propostas “excepcionais, extremamente interessantes e que trouxeram dimensões verdadeiramente inovadoras”.  

Ao ressaltar os desafios globais e a relevância dos temas escolhidos pelo Brasil para o fórum e o Prêmio Jovens Inovadores do Brics — mudanças climáticas, diplomacia científica e inteligência artificial —, Luciana Santos disse não ter “dúvida que as discussões aqui realizadas contribuíram para esse debate urgente e para a busca de soluções”.  

Reconhecimento à inovação  

Durante o encerramento, também foram anunciados os vencedores da 8ª edição do Prêmio Jovens Inovadores do Brics:  

  • 1º lugar: Hermilio Carvalho Junior (Brasil)  

  • 2º lugar: Sakthi Jaya Sundar Rajasekarndia)  

  • 3º lugar: Daria Chudnaia (Rússia)  

O reconhecimento celebra jovens pesquisadores com soluções de impacto para desafios sociais e econômicos, reforçando o papel da juventude na construção de um futuro mais sustentável.  

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Representatividade brasileira  

O Brasil tem marcado presença nas edições do Prêmio Jovens Inovadores do Brics com projetos de alto impacto social e tecnológico que garantiram reconhecimento internacional. Veja alguns dos resultados:  

  • 2ª edição (2019, Brasil — presencial): Ayla Roberta Borges da Silva Galaço conquistou o 3º lugar com o projeto Glyphosate’s Herbicide Adsorption and Detection: A Simple and Effective Idea!  

  • 4ª edição (2021, Índia — on-line): João Pedro de Goes Novochadlo alcançou o 1º lugar com o projeto Aplicativo Veever, uma plataforma voltada para auxiliar a locomoção de pessoas com deficiência visual  

  • 5ª edição (2022, China — on-line): Caroline Brunetto de Farias conquistou o 3º lugar com o projeto Self-Cervix, um autocoletor de amostras do colo do útero que permite que a mulher faça sua própria coleta onde e quando quiser  

  • 6ª edição (2023, África do Sul — presencial): Marlon Wesley Machado Cunico ficou em 3º lugar com o projeto CeramicLAB, voltado à produção de próteses e implantes dentários em porcelana, cerâmica e metal, com redução de custos, maior velocidade e baixa geração de resíduos não recicláveis  

  • 7ª edição (2024, Rússia — presencial): Thiago Edwiges conquistou o 1º lugar com o projeto BioH2, que aproveita resíduos da cadeia sucroalcooleira por meio de diversos métodos de tratamento biotecnológico no contexto de uma economia circular  

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Cooperação fortalecida  

A coordenadora-geral de Cooperação Multilateral do MCTI e chefe da delegação brasileira, Adriana Thomé, ressaltou a relevância do encontro para a agenda nacional. “Esse fórum mostrou que o Brasil tem capacidade de liderar discussões estratégicas no âmbito do Brics e de fortalecer nossa rede de cooperação científica com o Sul Global”, afirmou.  

Já a representante da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Mercedes Bustamante, destacou o caráter transformador da iniciativa. “Esse fórum é uma oportunidade para que jovens cientistas dos países do Brics possam construir redes de cooperação que vão além das fronteiras nacionais e que têm impacto direto no futuro da ciência global”, disse.  

Encerrando sua participação, Luciana Santos fez um chamado aos jovens presentes para que mantenham a articulação criada durante o encontro. “Convidamos os senhores e as senhoras a seguir em contato, a estreitar elos e construírem propostas científicas e tecnológicas conjuntas para o enfrentamento dos nossos problemas com força”, disse.  

A ministra concluiu reforçando a importância do engajamento contínuo dos participantes, destacando que o papel dos jovens cientistas é fundamental para o avanço sustentável e para enfrentar os desafios que a sociedade apresenta. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Estudo estima efeitos e impactos do calor extremo na saúde humana

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O estudo “Saúde e ondas de calor: mortalidade, morbidade e implicações para o SUS no Brasil”, lançado nesta quarta-feira (17), apresenta dados inéditos sobre mortes atribuíveis às ondas de calor no país nos últimos 20 anos. O estudo caracteriza o padrão de exposição a eventos de ondas de calor e os efeitos na saúde humana em todo o território nacional. Os resultados reforçam o calor extremo como ameaça à saúde pública e destaca a necessidade de fortalecer a agenda de adaptação, diante do aquecimento global e da intensificação e frequência de ondas de calor.

“O aquecimento global impõe desafios crescentes para governos e sociedade, especialmente no que se refere às medidas de proteção às populações mais vulnerabilizadas. O MCTI, por meio do Projeto Ciência&Clima, tem mobilizado o melhor conhecimento científico disponível para apoiar a tomada de decisão no enfrentamento do calor extremo, subsidiando a formulação e implementação de políticas públicas baseadas em evidências”, afirma o supervisor de Impactos, Vulnerabilidades e Adaptação do projeto Ciência&Clima e analista de Ciência e tecnologia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Sávio Raeder.

As análises foram conduzidas por pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), sob a coordenação das equipes técnicas dos projetos Ciência&Clima e ProAdapta, com o objetivo de apoiar a formulação de ações para o enfretamento do calor extremo e fortalecer a integração entre produção científica e políticas setoriais.

“A inovação deste estudo está em integrar, em escala nacional, a caracterização das ondas de calor, considerando frequência, intensidade e duração, com uma análise detalhada de seus impactos sobre internações hospitalares e mortalidade”, explica a pesquisadora da Fiocruz que conduziu o estudo, Beatriz Oliveira. “De modo geral, o trabalho reforça evidências já descritas na literatura, mas avança em análises mais detalhadas sobre os impactos do calor extremo na saúde da população brasileira. Na morbidade hospitalar, exploramos diferentes desfechos de saúde, um tema ainda pouco estudado no país. Na mortalidade, identificamos um gradiente social de risco, com maior aumento percentual do risco de morte entre pessoas com menor escolaridade. Esses resultados reforçam a necessidade de direcionar ações de adaptação e proteção aos grupos mais vulneráveis”, complementa a pesquisadora.

Os resultados do estudo revelam de modo consistente a associação entre a exposição às ondas de calor e o aumento da mortalidade. Os riscos mais elevados foram observados em óbitos por causas cardiovasculares e respiratórias e entre idosos, mulheres e pessoas com menor escolaridade. São resultados que indicam e reforçam a influência dos determinantes sociais na distribuição dos impactos.

A análise dos dados de mortalidade geral registradas em 5.566 municípios (número de municípios brasileiros existentes em 2000) por meio do Sistema de Informações de Mortalidade do DATA SUS, entre os anos de 2000 e 2019, estimou em aproximadamente 120 mil óbitos atribuíveis ao calor extremo no país. Esse valor equivale a 0,6% da mortalidade total registrada no período, excluindo os óbitos por causas externas (acidentes e violências). Os idosos foram os mais afetados: mais de 97 mil óbitos de pessoas com 65 anos ou mais podem ser associados a esses eventos extremos, o que representa aproximadamente 80% dos óbitos atribuíveis totais. Ainda dentro do total, quando observado o quantitativo de mortes por causas mais relevantes, destacam-se as doenças cardiovasculares e respiratórias. Os pesquisadores identificaram aproximadamente 34 mil e 24 mil mortes atribuíveis ao calor, respectivamente.

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Em âmbito nacional, o estudo explorou os efeitos do calor extremo sobre as internações hospitalares no SUS. Na população em geral foi identificado um aumento consistente do risco de internação por doenças respiratórias, especialmente pneumonia, e geniturinárias, como insuficiência renal, em quase todas as regiões. O estresse térmico sobrecarrega as funções cardiorrespiratórias, contribuindo para inflamações sistêmicas e agravando doenças respiratórias pré-existentes, além de afetar o trato urinário por meio da desidratação, da hipovolemia (redução do volume total de sangue e líquidos no corpo) e da disfunção renal.

Em crianças menores de 10 anos, as gastroenterites (diarreias) foram a causa de internação mais fortemente associada às ondas de calor em todas as macrorregiões do país. A condição pode estar associada à maior suscetibilidade à desidratação, à imaturidade dos mecanismos de termorregulação e às alterações ambientais que afetam a qualidade da água e o armazenamento de alimentos durante períodos de calor extremo.

Na população idosa, indivíduos com mais de 60 anos mostraram alta sensibilidade em causas respiratórias, renais e metabólicas (diabetes). Segundo os pesquisadores, do ponto de vista fisiopatológico, esses efeitos podem estar associados à redução da capacidade de termorregulação, à maior prevalência de doenças crônicas e ao uso de medicamentos que interferem no balanço hídrico e eletrolítico, favorecendo a desidratação e a disfunção renal. O estudo sugere que, durante ondas de calor mais severas, internações por doenças cardiovasculares podem evoluir rapidamente para quadros graves, com possibilidade de óbito antes da hospitalização.

A maioria dos municípios brasileiros apresentou uma tendência de aumento na frequência e na intensidade das ondas de calor ao longo das duas décadas estudadas. Contudo, a análise sinaliza que a exposição às ondas de calor não ocorre de modo homogêneo no território nacional. Há variações de frequência, duração e intensidade entre as sete zonas climáticas do país, que foram adotadas neste estudo por sua maior sensibilidade de captar a relação entre saúde e os eventos de ondas de calor.

Essas variações também foram observadas entre as regiões brasileiras: enquanto os eventos climáticos foram mais frequentes, longos e persistentes nas regiões Norte e Centro-Oeste, os episódios com maior intensidade, em relação à temperatura média climatológica local, ocorreram no Sul e no Sudeste.

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Os resultados demonstram como as ondas de calor podem aumentar a demanda por serviços de saúde pública e contribuir para o agravamento de condições clínicas entre os grupos mais sensíveis.

“Este estudo traz uma mensagem inequívoca: o calor extremo já está custando vidas no Brasil. Os mais de 120 mil óbitos associados às ondas de calor revelam que a adaptação à mudança do clima precisa avançar com urgência, ampliando a construção de cidades verdes e resilientes”, disse o diretor de Meio Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e representante do projeto ProAdapta, Maurício Guerra.

Metodologia empregada

O estudo envolveu três etapas. A primeira caracterizou a exposição às ondas de calor no Brasil. Foram considerados o número de dias em ondas de calor, o número de eventos climáticos, a duração média dos episódios e a intensidade média em relação à média climatológica do período de referência (1981-2010). A metodologia para realização do estudo adotou o critério mínimo de dois dias consecutivos com temperatura acima do percentil 95 da temperatura média como principal componente da exposição. Além disso, foram analisadas a distribuição espacial e temporal entre 2000 e 2019.

A segunda etapa explorou as estimativas de risco da exposição às ondas de calor sobre desfechos de morbidade hospitalar atendidos pelo SUS, segundo diferentes definições de ondas de calor, subgrupos populacionais de maior risco (população geral, crianças menores de 10 anos e idosos) e causas específicas. Os principais desfechos estudados foram selecionados de acordo com a plausibilidade biológica, relevância clínica e adequação ao uso de dados administrativos. Foram consideradas as internações hospitalares com a seleção de 680 municípios, que apresentaram séries temporais mais estáveis e robustas entre 2010 e 2019.

Por fim, os pesquisadores analisaram a associação entre ondas de calor e mortalidade e estimaram o número de óbitos atribuíveis, considerando as zonas climáticas e as características sociodemográficas (2000-2019).

Medidas preventivas

Os resultados reforçam a necessidade de ampliar a sensibilização sobre os riscos das ondas de calor e incrementar os planos de ações em nível municipal. A resposta passa pela implementação de sistemas de monitoramento e alerta antecipado, orientação à população e fortalecimento da capacidade de respostas do SUS.

Outro aspecto apontado pelo estudo é a necessidade de incorporar sistematicamente informações climáticas nos processos de vigilância epidemiológica e ambiental para melhor identificar os períodos críticos, ampliar a capacidade de antecipação de riscos e subsidiar medidas preventivas e assistenciais.

Os maiores impactos observados em grupos de maior vulnerabilidade apontam necessidade de atenção especial a estes segmentos.

Acesse o estudo na íntegra aqui
https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/cgcl/paginas/saude-e-ondas-de-calor/saude-e-ondas-de-calor-mortalidade-morbidade-e-implicacoes-para-o-sus-no-brasil-1

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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