Tecnologia
Das águas amazônicas às praias do Sul, a SNCT 2025 aproxima o público do universo da ciência
Publicado
23 de outubro de 2025, 18:30
Ainda conhecemos pouco do que se esconde nas profundezas do oceano, e cada gota d’água guarda segredos que a ciência nos convida a desvendar. É esse espírito de descoberta que marca a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que segue até domingo (26), em Brasília (DF), e se espalha por as regiões do País. Com o tema Planeta Água: a Cultura Oceânica para Enfrentar as Mudanças Climáticas no Meu Território, o evento aproxima comunidades, escolas e centros de pesquisa, mostrando como cada unidade federativa está se engajando em ações para explorar e cuidar melhor de seus rios e mares.
“Hoje, ela é o maior evento de popularização da ciência do Brasil, um verdadeiro patrimônio que cresce e se fortalece com a participação ativa de todos os estados, unindo o País em torno da educação, da pesquisa e da inovação. É a celebração do conhecimento acessível”, destacou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, durante a abertura, na segunda-feira (20) reforçando o caráter nacional da SNCT e a importância da ciência como ferramenta de transformação social.
Com expectativa de alcançar mais de 100 mil pessoas, de acordo com a Secretaria de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes), do MCTI, a semana combina experiências interativas, feiras, palestras, exposições e laboratórios temáticos. Em Brasília, a Esplanada dos Ministérios recebe o público com espaços como o Auditório Oceano, o Laboratório das Marés e a cúpula do Oceanário do Sesc-DF, que promovem experiências imersivas e debates sobre oceanos, mudanças climáticas e cultura científica.
Pelo País, estados e cidades também entram na SNCT com atividades que conectam estudantes, pesquisadores e comunidade, mostrando como a ciência se faz presente no dia a dia e desperta curiosidade em todas as idades. Vale conferir de perto algumas das descobertas e experimentos que estão surgindo em cada região.
Norte
O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), oferece oficinas, exposições e seminários sobre aquicultura, biodiversidade e inteligência artificial aplicada à restauração florestal, envolvendo mais de 2,8 mil estudantes. Entre os parceiros, destacam-se o Projeto Gavião-real e a Associação dos Amigos do Peixe-Boi, que aproximam ciência e comunidade.
Também no Amazonas, em Tefé, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM) reúne exposições, oficinas e atividades educativas para a valorização dos saberes tradicionais da Amazônia. As mostras interativas ocupam diferentes espaços do instituto, abordando temas como as transformações geológicas da floresta, a biodiversidade dos rios e o papel da Amazônia na regulação do clima global.
Em Roraima (RR), estudantes de Rorainópolis e Uiramutã participam de atividades do campus da UFRR, enquanto comunidades indígenas em Bonfim e Alto Alegre recebem oficinas de foguetes e exposições científicas. Palestras noturnas em Boa Vista e a entrega do título honoris causa ao pesquisador Reinaldo Imbrozio Barbosa destacam a articulação entre universidade, ensino básico e sociedade.
No Amapá (AP), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) Macapá concentra a programação, que combina debates sobre agricultura espacial, biodiversidade amazônica e impactos da crise climática na foz do Rio Amazonas, com exposições interativas e videoclipes produzidos por estudantes do Programa Afrocientista.
O Instituto Federal do Amazonas (Ifam), em Manaus (AM), reúne oficinas, minicursos e atividades de conscientização sobre os recursos hídricos e a ciência oceânica, conectando estudantes às pesquisas da Década da Ciência Oceânica da Organização das Nações Unidas (ONU) e incentivando a reflexão sobre o papel da floresta e das águas amazônicas na preservação do planeta.
Nordeste
Durante a abertura da SNCT na Bahia (BA), o governador Jerônimo Rodrigues lançou o edital do Prêmio Bahia Faz Ciência de Jornalismo, que vai reconhecer profissionais e veículos de comunicação que contribuem para a divulgação científica e tecnológica no estado. A iniciativa foi apresentada juntamente com o lançamento da nova edição da Revista Bahia Faz Ciência e a posse do Comitê Intersetorial PopCiência Jovem. Além de Salvador, há eventos da SNCT programados em diversos municípios baianos, como Camaçari, Itaparica, Juazeiro e Lençóis.
A Universidade Federal da Bahia (UFBA) está promovendo oficinas, palestras e sessões do Planetário, abordando a cultura oceânica e os impactos das mudanças climáticas nos territórios locais, incluindo discussões com grupos como o Projeto Baleia Jubarte e o Núcleo de Socioecologia Marinha – Somar.
O campus Recife do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) recebe a 22ª SNCT com oficinas, minicursos e a 13ª Mostra de Extensão, aproximando ensino, pesquisa e comunidades litorâneas. As atividades estimulam debates sobre sustentabilidade costeira e preservação de ecossistemas marinhos, além de promover projetos inovadores dos estudantes.
O Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene) recebe em Recife (PE) a etapa regional da 22ª SNCT, com o tema Do Nano à Inteligência Artificial. O evento reúne cem estudantes de escolas públicas da capital pernambucana, oferecendo acesso a pesquisas em bioplásticos, hidrogênio verde e monitoramento ambiental, além de programas como Futuras Cientistas, Programa Mata Atlântica e IncubaScience.
O Ceará também está movimentando a SNCT, mobilizando estudantes, pesquisadores e a comunidade em uma série de atividades que conectam ciência, tecnologia e sociedade. Até novembro, universidades, institutos federais e centros de pesquisa promovem exposições, palestras, oficinas e minicursos sobre a cultura oceânica, enquanto a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação reforça a participação com os editais Ceará Faz Ciência e o Salão do Inventor Expedito Parente, premiando estudantes e inventores locais e incentivando inovação, criatividade e soluções aplicadas ao território.
No Maranhão (MA), a SNCT 2025 reúne 23 parceiros no Centro de Convenções da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), oferecendo oficinas de robótica, impressão 3D, informática básica, mostras científicas e atrações culturais, com expectativa de 2 mil visitantes por dia. Na abertura, a Fundação de Amparor à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do estado (Fapema) anunciou R$ 10,5 milhões em três editais: R$ 2 milhões para infraestrutura de pesquisa, R$ 7 milhões para projetos tecnológicos inovadores e R$ 1,5 milhão para preservação de acervos culturais.
O campus A.C. Simões da Ufal, em Alagoas (AL), se transforma, até domingo, em um laboratório aberto à população, com oficinas de astronomia, robótica, drones e impressão 3D. Atividades em Marechal Deodoro e São Miguel dos Campos reforçam a ciência como ferramenta de transformação social e ambiental, enquanto a capital Maceió recebe a Semana Tech, com oficinas de empreendedorismo e economia digital.
Na Paraíba (PB), Campina Grande concentra a programação da SNCT, com cursos gratuitos de capacitação tecnológica, o Recicla Tech e a Lan House Social Campina, aproximando estudantes, empreendedores e comunidade do universo científico e promovendo inovação com impacto social.
O Piauí (PI) mobiliza a Universidade Federal (UFPI), em Picos e Teresina, com palestras, feiras, oficinas e a conferência magna Planeta Água, destacando o papel da ciência na preservação dos recursos hídricos e mitigação dos impactos ambientais na região.
Já no Rio Grande do Norte, as atividades ocorrem no município de Macaíba com a Feira de Ciências e Mostras Científicas do Instituto Santos Dumont (ISD). O evento reúne estudantes de escolas públicas e privadas no Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra (IIN-ELS) para apresentações de trabalhos, oficinas e experimentos voltados a temas como neurociências, neuroengenharia, cultura oceânica e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A proposta é ampliar o alcance das pesquisas escolares e estimular o diálogo entre ciência e educação, promovendo a troca de experiências entre alunos, professores e pesquisadores.
Centro-Oeste
O Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá (MT), recebe a programação de Mato Grosso, com oficinas, palestras, exposições e competições. Segundo a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia do estado, durante a semana serão premiados até R$ 40 mil a pesquisadores, além do lançamento da 4ª edição da revista científica Educação C&T, reunindo artigos de mais de 90 autores.
Em Mato Grosso do Sul (MS), o Instituto Federal do estado (IFMS), no campus de Aquidauana, promove minicursos, exposições científicas e apresentações culturais, estimulando o diálogo sobre sustentabilidade, inovação e o papel da ciência no cotidiano.
O Instituto Federal de Goiás – Campus Goiânia, integra a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia à programação da SNCT, com oficinas, palestras e exposições sobre saneamento, mudanças climáticas e preservação de recursos naturais, envolvendo estudantes, pesquisadores e comunidade em atividades práticas e interativas.
A Universidade Estadual de Tocantins (Unitins), em Palmas (TO), promove a III Semana de Ciência, Tecnologia e Inovação, incluindo o anúncio do Parque Tecnológico do Tocantins, investimentos em infraestrutura e eventos culturais, como mostras de projetos de pesquisa e festivais culinários, conectando inovação, sustentabilidade e ciência aplicada.
Sudeste
Em São Paulo (SP), a SNCT se espalha entre São Vicente, capital e Piracicaba, com oficinas, exposições, laboratórios e certificação de escolas que desenvolvem projetos em cultura oceânica, aproximando ensino, pesquisa e gestão ambiental. O Museu Itinerante de Biologia Marinha percorre escolas da região, reforçando o aprendizado prático.
Em São José dos Campos (SP), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) celebra a Semana com uma programação que transforma o conhecimento em experiência, de 19 a 25 de outubro. O destaque é o Inpe Portas Abertas, que encerra a semana com visitas aos laboratórios e exposições do instituto, permitindo que os visitantes conheçam de perto maquetes de satélites, telescópios e experimentos científicos.
O Espírito Santo (ES) promove a 1ª Mostra de Ciências em Colatina e a XIII Semana de Ciência e Tecnologia do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) em Cariacica, incluindo planetário, experiências de realidade virtual e palestras sobre sustentabilidade e cultura oceânica, mobilizando mais de 5 mil pessoas, de acordo com o Governo do estado.
Minas Gerais (MG) envolve diversos campi do Instituto Federal do estado (IFMG), com oficinas, palestras, mostras culturais e a I Feira de Ciências e Saberes, premiando projetos inovadores e fortalecendo a relação entre ciência, sociedade e território.
No Rio de Janeiro (RJ), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Jardim Botânico recebem oficinas, exposições, visitas guiadas e palestras sobre preservação de recursos hídricos, biodiversidade marinha e cultura oceânica. Segundo o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, entre as atrações estão a baleia inflável de 16 metros, oficinas de argila e jogos educativos, conectando ciência, inovação e educação ambiental, além disso, o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) realizou mais uma edição do Cetem de Portas Abertas. Durante dois dias, os visitantes participaram de demonstrações e atividades interativas.
Ainda no Rio de Janeiro, o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) participam da 22ª SNCT com atividades que aproximam o público da pesquisa e da inovação. O INT promove, nos dias 22 e 23, o INT de Portas Abertas, que convida visitantes de todas as idades a conhecer projetos que unem ciência, sustentabilidade e desenvolvimento — como bioprodutos do mar e da terra, geração de biogás, tratamento de água e novos materiais que reduzem impactos ambientais.
Já o Mast, de 22 a 25 de outubro, transforma seus espaços em um grande observatório de curiosidades científicas, com observações astronômicas, lançamentos de foguetes, sessões inclusivas de planetário, quiz sobre mudanças climáticas e visitas mediadas, tudo inspirado no tema Planeta Água: a Cultura Oceânica para Enfrentar as Mudanças Climáticas no meu Território.
Sul
O Instituto Federal de Santa Catarina Campus Tijucas (IFSC-Tijucas) promove atividades que conectam ciência, cultura e comunidades tradicionais, com oficinas, palestras e apresentações de Boi de Mamão, Mar de Histórias e ações em Quilombo do Valongo, reforçando a integração entre água, território e cultura oceânica.
No Rio Grande do Sul (RS), a Universidade Federal do Rio Grande (FURG) tem uma programação repleta de feiras científicas, hackathons e apresentações culturais em cidades como Rio Grande, Santo Antônio da Patrulha, São Lourenço do Sul e Santa Vitória do Palmar, abordando gestão das águas, inclusão social e valorização da ancestralidade.
Cada ação nos estados é como uma gota que, juntas, formam um oceano de descobertas. Oficinas, exposições, palestras e experiências imersivas conectam estudantes, pesquisadores e comunidade, mostrando que a ciência está presente em cada canto do Brasil e em cada aspecto do nosso cotidiano. É um convite para mergulhar no universo do conhecimento e explorar curiosidades.
A SNCT é promovida pelo MCTI, sob a coordenação da Sedes, e conta com o patrocínio de Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); Huawei do Brasil Telecomunicações Ltda; Caixa Econômica Federal; Positivo Tecnologia S.A.; Conselho Federal dos Técnicos Industriais (CFT); Banco do Nordeste do Brasil S.A. (BNB); Conselho Federal de Química (CFQ); Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur); Comitê Gestor da Internet no Brasil / Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (CGI.br e NIC.br) e Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (Aiab).
Tecnologia
Cerâmica ancestral renasce pelas mãos de mulheres da Amazônia
Publicado
21 de maio de 2026, 21:59
Uma história viva. É assim que a coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão, Bernardete Araújo, descreve a japuna, um tipo de forno de origem indígena. Hoje, essa e tantas outras peças há tempos esquecidas voltam a ganhar vida pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade que fica em Tefé (AM), graças ao projeto Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões.
“A japuna, para mim, significa a história viva, um museu vivo. Eu via, desde pequena, minha mãe produzindo e usando essa peça para torrar farinha, café, cacau, milho e castanha. Estamos resgatando o conhecimento tradicional das nossas mães, avós e bisavós”, conta a coordenadora. Outro ponto positivo de voltar a adotar a técnica ancestral é a possibilidade de gerar renda com a venda de vasos, fogareiros, fruteiras e panelas.
A iniciativa reuniu as mulheres da associação Clube de Mães para atuar em todas as etapas do processo, chamada pelos arqueólogos de cadeia operatória das japuna. Esse processo vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas antepassadas.
O projeto conta com três eixos de pesquisa: o primeiro com base em escavações na região; o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres; e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade. A iniciativa é uma parceria entre o grupo e o Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Segundo a arqueóloga do Mamirauá e uma liderança da iniciativa, Geórgea Holanda, há anos a produção das japuna estava adormecida, com risco de ser extinta. “Mas elas estavam presentes na mente das ceramistas. Então, por meio do projeto, foi possível colocar em prática esse conhecimento. Que foi repassado de geração para geração pelas suas antepassadas”, conta.
“Voltar a fazer as japuna é como o resgate do conhecimento tradicional dos nossos pais. A gente tem que manter viva essa tradição, esse conhecimento e a continuidade dessa história da nossa ancestralidade”, diz Bernardete.
De acordo com Geórgea, a relação entre o instituto e a comunidade acontece de forma participativa, sempre respeitando as decisões das pessoas da comunidade. “Esse trabalho só foi possível porque elas aceitaram e passaram esse rico conhecimento para nós”, finaliza a arqueóloga.
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