Tecnologia

Programa Futuras Cientistas está com inscrições abertas

Publicado

O Futuras Cientistas está com inscrições abertas até 6 de outubro. São 470 vagas para todo o País, sendo 160 para alunas do 2° ano do ensino médio de escolas regulares, 160 para estudantes do mesmo período de escolas integrais e 150 para professoras de escolas públicas estaduais. O programa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), coordenado pelo Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), é uma iniciativa que incentiva a igualdade de gênero no mercado profissional. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), apenas 31% das mulheres ocupam as áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática (Stem, em inglês). 

O Futuras Cientistas foi criado em 2012 e passou a ter um alcance nacional em 2022, contemplando todas as unidades federativas do Brasil. Os resultados demonstram que, das participantes aprovadas nas universidades, 80% escolheram cursos nas áreas de ciência e tecnologia. 

A criadora do programa e pesquisadora do Cetene, Giovanna Machado, relata que a ideia do projeto surgiu a partir da grande dificuldade que ela mesma, como mulher e cientista, encontra. “Eu vi a necessidade de ter mais mulheres que soubessem se posicionar. É preciso ter referências para que você possa entender que aquele é o seu lugar de fala, que o lugar da mulher é onde ela quiser”, reforça.   

Leia mais:  Investimento de R$ 12,6 milhões amplia diagnósticos e fortalece pesquisa em saúde no Nordeste

O programa tem atuação no início do ensino médio e segue até o ensino superior. “A partir do momento que a nossa representatividade é de 30% na ciência e tecnologia, nós não estamos representando a diversidade de um País. Eu acho que a grande importância do programa é a contribuição para a inclusão social e para a diversidade científica e tecnológica no nosso País”, afirma a pesquisadora.  

Sobre a programação  

O programa possui quatro módulos que ocorre ao longo do ano. A primeira fase do programa é a imersão científica. Cada estudante ou professora selecionada será vinculada a um projeto de trabalho, que é uma pesquisa prática desenvolvida por laboratórios e instituições parceiras no mês de janeiro. A segunda etapa é o módulo de grupo de estudos. As meninas selecionadas terão professores que vão administrar aulas ao vivo e gravadas em setembro e outubro para prepará-las para as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).   

O terceiro e quarto módulo ocorrem quando a participante já está no nível superior. O primeiro, é um trabalho de mentoria com alunas que são aprovadas nas universidades. O objetivo é evitar a evasão feminina em cursos em que predominam alunos do sexo masculino. Por último, é a etapa da iniciação científica e estágios.  

Leia mais:  "Ciência, tecnologia e inovação devem estar a serviço da inclusão", diz ministra Luciana Santos em lançamento da Rede TEA

Como fazer a inscrição   

As inscrições são gratuitas. Para se inscrever, basta acessar a Plataforma Futuras Cientistas. O edital garante 470 vagas, sendo a reserva de vagas: 20% para mulheres pretas, pardas, indígenas ou quilombolas; 5% para pessoas com deficiência; e 5% para mulheres trans ou travestis.  

Cada participante receberá um auxílio de R$ 300, pago pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O resultado final será divulgado em 7 de novembro. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

Comentários Facebook
publicidade

Tecnologia

Cerâmica ancestral renasce pelas mãos de mulheres da Amazônia

Publicado

Uma história viva. É assim que a coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão, Bernardete Araújo, descreve a japuna, um tipo de forno de origem indígena. Hoje, essa e tantas outras peças há tempos esquecidas voltam a ganhar vida pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade que fica em Tefé (AM), graças ao projeto Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões.  

“A japuna, para mim, significa a história viva, um museu vivo. Eu via, desde pequena, minha mãe produzindo e usando essa peça para torrar farinha, café, cacau, milho e castanha. Estamos resgatando o conhecimento tradicional das nossas mães, avós e bisavós”, conta a coordenadora. Outro ponto positivo de voltar a adotar a técnica ancestral é a possibilidade de gerar renda com a venda de vasos, fogareiros, fruteiras e panelas. 

A iniciativa reuniu as mulheres da associação Clube de Mães para atuar em todas as etapas do processo, chamada pelos arqueólogos de cadeia operatória das japuna. Esse processo vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas antepassadas. 

Leia mais:  Energia nuclear no Brasil: ciência estratégica a serviço da sociedade

O projeto conta com três eixos de pesquisa: o primeiro com base em escavações na região; o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres; e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade. A iniciativa é uma parceria entre o grupo e o Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

Segundo a arqueóloga do Mamirauá e uma liderança da iniciativa, Geórgea Holanda, há anos a produção das japuna estava adormecida, com risco de ser extinta. “Mas elas estavam presentes na mente das ceramistas. Então, por meio do projeto, foi possível colocar em prática esse conhecimento. Que foi repassado de geração para geração pelas suas antepassadas”, conta.  

“Voltar a fazer as japuna é como o resgate do conhecimento tradicional dos nossos pais. A gente tem que manter viva essa tradição, esse conhecimento e a continuidade dessa história da nossa ancestralidade”, diz Bernardete. 

De acordo com Geórgea, a relação entre o instituto e a comunidade acontece de forma participativa, sempre respeitando as decisões das pessoas da comunidade. “Esse trabalho só foi possível porque elas aceitaram e passaram esse rico conhecimento para nós”, finaliza a arqueóloga. 

Leia mais:  Tecnologia que alerta sobre deslizamentos com 72h de antecedência conquista primeiro lugar em premiação nacional

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana