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Criação do Museu Natural do Pampa é pauta de reunião no MCTI

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A criação do Museu Natural do Pampa, um projeto para dar visibilidade a importantes coleções científicas já existentes na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), incluindo amostras de fauna e flora da região e materiais vindos de expedições na Antártica foi tema de reunião no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, na quarta-feira (24). A ideia é que o museu seja instalado no campus de São Gabriel (RS). 

Para o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes), do MCTI, Inácio Arruda, o projeto reforça o papel estratégico da Unipampa como agente de integração do território ao desenvolvimento regional. “A Unipampa está no território, com as pessoas, e transfere tecnologia diretamente para os povos dos pampas. Então, existe uma relação muito específica e muito bonita para trabalhar na região, uma fronteira importantíssima com países do Mercosul”, afirmou. 

A vice-reitora da Unipampa, Francéli Brizolla, que representou a instituição gaúcha na reunião, disse que a proposta é um sonho antigo dos pesquisadores e que se torna, agora, uma pauta institucional prioritária. “Acreditamos que é fundamental disponibilizar esse acervo, investir em mais pesquisas e estruturar tecnicamente um espaço que seja, de fato, um museu natural”, disse. Ela acrescentou que o projeto representa também a possibilidade de parcerias em rede, com outras universidades e com o setor privado, para garantir sustentabilidade e manutenção em longo prazo. 

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A diretora do de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica (Depec), da Sedes, Juana Nunes, reforçou que a pauta da popularização da ciência passa pela valorização da memória e do patrimônio científico nacional. “Museus de ciência são espaços importantes de preservação, educação e inovação, além de ampliarem o diálogo entre universidade, sociedade e setor produtivo”, ressaltou.  

O campus de São Gabriel já dispõe de estrutura inicial inacabada, cuja construção foi interrompida em gestões anteriores. O desafio, segundo Francéli, é captar financiamento e apoio técnico-científico para consolidar o espaço, articulando também a futura criação do Instituto Bioma Pampa. 

A Unipampa foi criada em 2008 pelo Governo do Brasil, por meio do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). A instituição conta com dez campi distribuídos pela região do bioma pampa no Rio Grande do Sul (RS) e vem desenvolvendo pesquisas relevantes nas áreas de ciências ambientais e natureza.  

A reunião no MCTI marcou o início de uma articulação conjunta para viabilizar a criação do museu, que deverá unir esforços do Governo do Brasil, da Unipampa e de parcerias institucionais para preservar e difundir o conhecimento sobre o bioma que dá nome à região.

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Cerâmica ancestral renasce pelas mãos de mulheres da Amazônia

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Uma história viva. É assim que a coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão, Bernardete Araújo, descreve a japuna, um tipo de forno de origem indígena. Hoje, essa e tantas outras peças há tempos esquecidas voltam a ganhar vida pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade que fica em Tefé (AM), graças ao projeto Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões.  

“A japuna, para mim, significa a história viva, um museu vivo. Eu via, desde pequena, minha mãe produzindo e usando essa peça para torrar farinha, café, cacau, milho e castanha. Estamos resgatando o conhecimento tradicional das nossas mães, avós e bisavós”, conta a coordenadora. Outro ponto positivo de voltar a adotar a técnica ancestral é a possibilidade de gerar renda com a venda de vasos, fogareiros, fruteiras e panelas. 

A iniciativa reuniu as mulheres da associação Clube de Mães para atuar em todas as etapas do processo, chamada pelos arqueólogos de cadeia operatória das japuna. Esse processo vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas antepassadas. 

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O projeto conta com três eixos de pesquisa: o primeiro com base em escavações na região; o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres; e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade. A iniciativa é uma parceria entre o grupo e o Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

Segundo a arqueóloga do Mamirauá e uma liderança da iniciativa, Geórgea Holanda, há anos a produção das japuna estava adormecida, com risco de ser extinta. “Mas elas estavam presentes na mente das ceramistas. Então, por meio do projeto, foi possível colocar em prática esse conhecimento. Que foi repassado de geração para geração pelas suas antepassadas”, conta.  

“Voltar a fazer as japuna é como o resgate do conhecimento tradicional dos nossos pais. A gente tem que manter viva essa tradição, esse conhecimento e a continuidade dessa história da nossa ancestralidade”, diz Bernardete. 

De acordo com Geórgea, a relação entre o instituto e a comunidade acontece de forma participativa, sempre respeitando as decisões das pessoas da comunidade. “Esse trabalho só foi possível porque elas aceitaram e passaram esse rico conhecimento para nós”, finaliza a arqueóloga. 

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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