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Biofilmes microbianos fortalecem raízes, reduzem doenças do solo e aumentam produtividade

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O uso de biofilmes microbianos vem se consolidando como alternativa eficaz para controlar doenças de solo em hortaliças e culturas de grãos no Brasil. A tecnologia consiste na colonização da rizosfera por microrganismos benéficos, que formam uma barreira protetora em torno das raízes, dificultando a entrada de patógenos em áreas de cultivo intensivo.

Como os biofilmes atuam no solo

Estudos científicos indicam que os biofilmes atuam em diferentes frentes:

  • Competem por espaço e nutrientes com microrganismos nocivos;
  • Produzem compostos antibióticos naturais;
  • Fortalecem a estrutura física das raízes, tornando-as menos vulneráveis a doenças.

Uma meta-análise publicada no Soil Biology and Biochemistry (2022) mostrou que os inoculantes microbianos aumentam a biomassa do solo e a estabilidade da comunidade microbiana, fatores diretamente ligados à supressão de doenças.

Benefícios práticos no campo

Segundo Julia Savieto, agrônoma e coordenadora técnica de mercado da Nitro, os efeitos da tecnologia já são percebidos na prática:

“Os biofilmes funcionam como um verdadeiro escudo em torno das raízes. Eles bloqueiam a entrada de patógenos e equilibram a microbiota do solo, fortalecendo a planta desde a raiz até a parte aérea.”

Além da proteção, os biofilmes promovem maior desenvolvimento radicular, o que potencializa a absorção de água e nutrientes, refletindo diretamente no crescimento da parte aérea e na produtividade final das culturas.

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Agricultura mais sustentável e resistente

A especialista destaca ainda o papel dos biofilmes na redução do uso de produtos químicos, contribuindo para um manejo agrícola mais equilibrado e ambientalmente sustentável.

“Ao diminuir a necessidade de aplicações repetitivas de moléculas químicas, os biofilmes reduzem o risco de resistência e fortalecem a resiliência dos sistemas agrícolas”, afirma Savieto.

Ensaios com consórcios microbianos mostram resultados ainda mais estáveis e consistentes em campo do que o uso de uma única espécie de microrganismo, reforçando a importância de estratégias integradas de manejo biológico.

Desafio: difusão do conhecimento

Para Savieto, o próximo passo é ampliar o conhecimento entre os produtores, mostrando que o investimento em biofilmes microbianos retorna em forma de produtividade, saúde do solo e estabilidade do sistema.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Reino Unido amplia pressão e setor do agro brasileiro reage a novas restrições à carne

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O agronegócio brasileiro enfrenta um novo cenário de pressão no comércio internacional após a decisão da União Europeia (UE) de suspender, a partir de setembro, as exportações de carne brasileira, somada ao anúncio de que o Reino Unido também avalia impor restrições adicionais ao produto nacional.

O movimento conjunto dos mercados mais exigentes do mundo acende um alerta no setor pecuário e reforça a necessidade de adequação às regras sanitárias internacionais, especialmente no que se refere à rastreabilidade, uso de antimicrobianos e comprovação de conformidade produtiva.

Pressão internacional exige maior comprovação sanitária do Brasil

Especialistas avaliam que o principal desafio do Brasil não está apenas no cumprimento formal das normas, mas na capacidade de demonstrar, de forma auditável e contínua, que toda a cadeia produtiva atende aos padrões exigidos por mercados como o europeu e o britânico.

De acordo com a coordenadora de contratos e agronegócios do CSA Advogados, Ieda Queiroz, a União Europeia adota critérios rigorosos baseados em evidências verificáveis.

“A UE não trabalha com presunção de conformidade; ela exige evidências. Sem demonstrar, de forma verificável, o uso adequado de antimicrobianos e a rastreabilidade animal, o impacto será duradouro — e afeta a credibilidade global do país”, afirma.

A especialista ressalta que o avanço das restrições britânicas reforça que o tema não é pontual, mas sistêmico dentro do comércio internacional de proteínas animais.

“Quando outro mercado de alta exigência sanitária sinaliza restrições, fica claro que a governança sanitária brasileira está sob escrutínio internacional”, acrescenta.

MAPA articula resposta técnica para evitar ampliação das restrições

Diante do cenário, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) trabalha na consolidação de relatórios técnicos para responder às exigências das autoridades europeias e buscar a reversão das medidas anunciadas.

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A estratégia do governo envolve a apresentação de dados sobre controle sanitário, práticas de produção e sistemas de fiscalização adotados no país.

No entanto, especialistas destacam que a reabertura ou manutenção de mercados dependerá diretamente da capacidade de comprovação prática de conformidade ao longo de toda a cadeia produtiva da carne bovina.

Rastreamento e uso de antibióticos seguem no centro do debate

Embora o Brasil possua regulamentação que proíbe o uso de antibióticos como promotores de crescimento na pecuária, esse fator, isoladamente, não é suficiente para atender às exigências dos mercados europeu e britânico.

As autoridades internacionais também demandam rastreabilidade individual dos animais, auditorias independentes e documentação completa de todas as etapas do processo produtivo, desde a origem até o abate e processamento.

Segundo especialistas, a diferença entre a legislação vigente e a implementação prática desses controles ainda representa um dos principais entraves para o acesso pleno a mercados mais rigorosos.

“A distância entre norma e prática ainda é grande”, avalia Ieda Queiroz.

Competitividade da carne brasileira pode ser impactada

O aumento das exigências internacionais ocorre em um momento em que o Brasil ocupa posição de destaque no comércio global de proteínas animais, com forte participação em mercados da Ásia, Oriente Médio e Europa.

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No entanto, a ampliação das barreiras sanitárias pode impactar diretamente a competitividade do setor, caso o país não consiga comprovar com robustez a conformidade de seus sistemas produtivos.

Especialistas alertam que a manutenção e expansão da presença brasileira no mercado internacional dependerá cada vez mais de transparência, rastreabilidade e alinhamento com padrões globais de governança sanitária.

Setor agropecuário entra em fase de adaptação e resposta

O cenário reforça a necessidade de adaptação estrutural do setor agropecuário brasileiro, especialmente na pecuária de corte, que depende fortemente do mercado externo.

A tendência é de maior pressão por sistemas integrados de controle, digitalização de processos e fortalecimento de auditorias independentes, com foco na comprovação de origem e conformidade sanitária.

Com a União Europeia avançando em restrições e o Reino Unido sinalizando medidas semelhantes, o Brasil enfrenta um momento decisivo para consolidar sua reputação como fornecedor global de carne dentro dos padrões exigidos pelos mercados mais rigorosos do mundo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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