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Clubes de Ciências reforçam protagonismo juvenil e educação científica na SNCT

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Nesta sexta-feira (24), teve início o Encontro de Clubes de Ciências, dentro da programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). O evento reúne estudantes, professores e coordenadores de clubes de ciência de todo o País, além de representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O encontro marcou um momento de integração e reconhecimento do trabalho desenvolvido em escolas e comunidades, valorizando a trajetória dos clubes e seu papel na popularização da ciência e no incentivo à formação de jovens brasileiros. Participaram representantes de diversas unidades federativas, que compartilharam experiências e projetos voltados à sustentabilidade, à inovação e à transformação social.

Para o coordenador de Popularização da Ciência e Tecnologia do MCTI, Carlos Wagner, os clubes representam muito mais do que espaços de aprendizado. “Os clubes de ciências são fundamentais para formar cidadãos críticos, criativos e comprometidos com a transformação da sociedade. Eles também mostram a importância da participação das meninas na ciência, estimulando o protagonismo, a inclusão e a construção de soluções inovadoras para os desafios do País”, afirmou.

Exemplo de sucesso

Uma das participantes da abertura foi Micaelly Mesquita, ex-integrante do Clube de Ciências do Centro de Ensino Médio 111 do Recanto das Emas (DF). Atualmente aluna de Engenharia Civil na Universidade de Brasília (UnB), ela compartilhou como sua trajetória acadêmica foi impulsionada pela experiência no clube. “Criei laços significativos e decidi prosseguir nesse caminho. Hoje, sinto a necessidade de estabelecer essa conexão. Ao ingressar na universidade, a interação com o clube foi essencial, me inspirou a conhecer a instituição e as diversas áreas da ciência”, afirmou Micaelly.

Além disso, a graduanda de engenharia civil, também falou da importância de seguir incentivando os novos membros dos clubes de ciência. “Da mesma forma que fui inspirada, também me dediquei a inspirar outras pessoas. A mensagem que desejo transmitir a vocês, alunos, é que persistam em sua jornada, aproveitando ao máximo este espaço de aprendizado. Aos coordenadores, expresso minha profunda admiração pelo trabalho que realizam”, completou.

O Clube de Ciências do CEM 111, no qual Micaelly Mesquita integrou e ainda auxilia, vem se destacando nacional e internacionalmente. Neste ano, o grupo foi selecionado como finalista do Prêmio Zayed de Sustentabilidade, em Abu Dhabi, na categoria Global High Schools, que reconhece soluções sustentáveis lideradas por estudantes. Em janeiro de 2025, a equipe representará o Brasil na cerimônia de premiação, em Abu Dhabi.

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O projeto desenvolvido pelos alunos propõe a implementação de um sistema agroflorestal, associado à coleta de água da chuva, trilhas ecológicas e atividades de engajamento comunitário. Todas as ações são conduzidas pelos próprios estudantes, com o apoio dos professores, e refletem o compromisso do clube com a ciência, a sustentabilidade e o desenvolvimento local.

Clubes de Ciências como espaço de formação integral

Além de inspirar estudantes, os clubes de ciências desempenham um papel estratégico no fortalecimento da educação científica e na formulação de políticas públicas. Para o coordenador dos Programas de Pesquisa em Educação, Popularização e Divulgação Científica do CNPq, Guilhermo Vilas Boas, o movimento dos clubes atende a demandas da sociedade. “O trabalho dos clubes de ciências é muito importante porque todo esse movimento fomenta políticas públicas. Quando o CNPq realiza ações no sentido de financiar projetos e eventos na área de iniciação científica, entendemos que estamos correspondendo a um anseio público por essas atividades”, afirmou.

Na mesma linha, Carlos Wagner, destacou que os clubes vão além da aprendizagem convencional, oferecendo um espaço de formação integral e diálogo com a realidade social. “Muitos clubes acabam entrando numa perspectiva de debater os vários problemas dos territórios, que não são poucos. O clube de ciências pode ser um ambiente de interação, um espaço de trocas, em que as pessoas compartilham várias possibilidades, e o professor é apenas um provocador”, ressaltou.

Representando a Fiocruz, a jornalista e divulgadora científica Fernanda Marques reforçou a ideia dos clubes como espaços de encontro e de construção coletiva do conhecimento. “Ciência é um encontro de saberes, de pessoas, de curiosidades e de oportunidades. Um clube de ciências é o encontro dos encontros dos jovens com a ciência e da ciência com os jovens. É nesse espaço que nasce uma ciência mais plural, que dialoga com nossas comunidades, com o cotidiano e com a realidade. Mesmo que nem todos se tornem cientistas, quem participa leva a ciência para todo lugar”, explica.

Roda de conversa e gincana

A programação do encontro seguiu com a roda de conversa O Futuro dos Clubes de Ciências no Brasil, um espaço de troca entre estudantes, professores e mediadores, que compartilharam experiências, desafios e perspectivas para o fortalecimento dessa rede de aprendizado. Durante a atividade, representantes de diversos estados relataram como os clubes têm contribuído para a construção de uma ciência mais participativa e conectada com as realidades locais. A professora do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) Glória Albino destacou a importância da comunicação e da integração entre os projetos desenvolvidos nas instituições.

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“Sou professora do IFRN e a gente tem um clube de ciências que é, na verdade, um espaço para juntar projetos. A maior dificuldade que encontramos é a comunicação. Muitas iniciativas acontecem dentro do nosso campus e nem sempre temos conhecimento umas das outras. Criamos, então, um espaço para reunir esses projetos, promover trocas e incentivar nossos alunos. Queremos mostrar que é possível viver com a ciência, que ela está em todos os lugares e pode transformar nossa forma de ver o mundo”, afirmou Glória.

No período da tarde, a programação contou com a Gincana Científica – Jornada X, mediada por Maria Eduarda Medeiros, de 18 anos, aluna do Centro de Ensino Médio 111 do Recanto das Emas e uma das embaixadoras da iniciativa. A atividade reuniu integrantes de diversos clubes de ciências, que participaram de desafios e dinâmicas voltados à criatividade, ao trabalho em equipe e à resolução de problemas que impactam o futuro do planeta.

Maria Eduarda ressaltou o papel transformador dos clubes e o protagonismo dos estudantes nas ações voltadas à comunidade. “O Clube de Ciências na minha escola começa com uma proposta muito legal, nossos projetos vão além dos muros escolares. Pensamos sempre em como nossas ideias podem chegar à comunidade. Lá no início, o clube era dominado por meninos, mas, com o tempo, fomos conquistando espaço e hoje temos muito mais meninas participando e liderando projetos, principalmente nas áreas de tecnologia e inovação. Nosso clube é um lugar para desenvolver independência, trocar experiências e construir juntos o futuro que queremos”, contou a estudante.

SNCT

A SNCT é promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, sob a coordenação da Secretaria de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes), e conta com o patrocínio de Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); Huawei do Brasil Telecomunicações Ltda; Caixa Econômica Federal; Positivo Tecnologia S.A.; Conselho Federal dos Técnicos Industriais (CFT); Banco do Nordeste do Brasil S.A. (BNB); Conselho Federal de Química (CFQ); Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur); Comitê Gestor da Internet no Brasil / Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (CGI.br e NIC.br) e Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (Aiab).

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Unidade vinculada do MCTI integra novo conselho de apoio ao empreendedorismo feminino

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Apesar das dificuldades e preconceitos, as mulheres estão cada vez mais ocupando espaços que antes eram majoritariamente masculinos, como o empreendedorismo. Ainda que o movimento tenha avançado nos últimos anos e seja uma grande conquista, a diretora da Lunagreen Bioativos, Nathália Pedroso, conta que o desafio continua. “Nós precisamos nos provar o tempo inteiro, mostrar que somos capazes, que somos tão boas quanto qualquer homem ou empresa liderada por um homem. Mesmo que isso canse, eu amo tanto o que faço, que essa luta já virou rotina”, explica.

Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em 2024, cerca de 10,4 milhões de mulheres eram donas do seu próprio negócio — contra os quase 20 milhões de homens na mesma posição. Com o intuito de apoiá-las e diminuir as desigualdades, o consórcio internacional Enterprise Europe Network Brasil (EEN) criou o Conselho Nacional de Empreendedorismo Feminino, Governança e Sustentabilidade Socioambiental. “Nós precisamos e queremos ver mulheres crescendo, ajudando umas às outras. Nós precisamos desse crescimento, não para provar para a sociedade a nossa capacidade, mas para mostrar para nós mesmas que podemos realizar os nossos sonhos e conquistar a nossa independência”, continua a empreendedora.

Unidade vinculada do MCTI integra novo conselho de apoio ao empreendedorismo feminino
Em 2024, cerca de 10,4 milhões de mulheres eram donas de seu próprio negócio

De acordo com o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), nove entre dez mulheres relataram práticas para aumentar a sustentabilidade ambiental de seus negócios e, quatro, entre cinco, para objetivos de sustentabilidade social. A Lunagreen é uma empresa de pesquisa, desenvolvimento e fabricação de insumos naturais e biotecnológicos para a indústria de cosméticos.

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“Eu brinco que toda a parte natural que os cosméticos têm, a Lunagreen faz. Nós nascemos de um projeto muito especial, que é um beneficiamento de rejeitos. Hoje, todos os nossos insumos e processos são focados em obter biotecnologia com muita responsabilidade social e ambiental, sempre pensando em todos os elos da cadeia produtiva, de modo que todo mundo se beneficie e que o nosso trabalho não prejudique o meio ambiente”, explica Nathália.

Ainda segundo o GEM, as empreendedoras ganham em média 20% menos que os homens. Mesmo com os constantes desafios, Nathália Pedroso considera que o prêmio final ainda vale o caminho. “Para mim, a mulher é tão boa como empreendedora porque, além de ser boa já pelo trabalho que faz, ela ainda coloca o coração nas coisas. E, quando a gente coloca o coração nas coisas, as coisas saem muito melhor”, finaliza.

O conselho

O conselho terá seus trabalhos desenvolvidos em sintonia com a Comissão de Combate às Desigualdades do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social e Sustentável, da Secretaria de Relações Institucionais ligada à Presidência da República. O comitê será formado por instituições do ecossistema do EEN, como o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

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Segundo a vice-presidente da EEN Brasil e coordenadora-geral de Informação Tecnológica e Informação para a Sociedade (CGIT) do Ibict, Cecília Leite, a iniciativa nasce como uma plataforma estratégica de transformação. “O objetivo é impulsionar uma nova agenda de desenvolvimento para o País, ancorada na inclusão produtiva, na sustentabilidade e, sobretudo, no protagonismo feminino. Mais do que reduzir desigualdades, o conselho busca reposicionar as mulheres como líderes nos negócios, inclusive no cenário internacional, reconhecendo que fortalecer a liderança feminina é acelerar a inovação, a competitividade e o crescimento econômico do Brasil”, afirma. 

O conselho funcionará principalmente em ambientes digitais, com inteligência informacional e estratégias de comunicação inovadoras. “É nesse ponto que o Ibict assume um papel decisivo: como indutor de um ecossistema de informação e inovação, o instituto desenvolve e disponibiliza plataformas, ferramentas e conteúdos estratégicos que democratizam o acesso ao conhecimento. Isso permite que mais mulheres — em diferentes regiões e contextos — tenham acesso a informações qualificadas, oportunidades de capacitação e inserção em cadeias produtivas globais”, explica Leite. 

Também participam do consórcio a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura (Fapec), Organização Brasileira de Mulheres Empresárias, Enrich in Lac e Rede Brasileira de Certificação, Pesquisa e Inovação.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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