Agro News

Recuperações judiciais no agro devem seguir em alta em 2026 e perder força em 2027

Publicado

O agronegócio brasileiro deve atravessar, em 2026, mais um ano de pressões financeiras antes de iniciar uma trajetória consistente de alívio. Levantamentos recentes apontam que o setor encerrou o terceiro trimestre de 2025 com o maior número de empresas em recuperação judicial já registrado para um único período, reflexo do endividamento acumulado e do estreitamento das margens de lucro ao longo das últimas safras. A expectativa de consultorias especializadas é que o ciclo de pedidos continue avançando em 2026, com tendência de estabilização apenas a partir de meados de 2027, quando a esperada combinação de juros menores e melhor remuneração das commodities pode começar a reconstruir a saúde financeira do segmento.

Os números são eloquentes: havia 443 empresas do agro em recuperação judicial no terceiro trimestre, um salto anual de quase 70% segundo o Monitor RGF, indicador que acompanha de forma sistemática a evolução dos processos. Proporcionalmente, o agro é hoje o ramo da economia com maior incidência de recuperações. Para cada mil empresas em operação, mais de 12 estão submetidas ao regime — índice muito acima do observado na indústria de transformação e muito superior à média nacional.

A leitura das consultorias é que o quadro decorre de fatores estruturais que tornam o setor mais vulnerável em momentos de estresse. O modelo de produção exige capital intensivo e gera dívidas volumosas. A atividade está exposta simultaneamente a clima, preços internacionais e câmbio. Além disso, parte das operações ainda se financia com passivos de curto prazo para investimentos de longo prazo, o que amplia riscos financeiros quando as margens encolhem.

Leia mais:  Agrodefesa reforça alerta contra gripe aviária no outono e inverno em Goiás

O efeito prático dessa fragilidade apareceu com força nos últimos anos, quando oscilações climáticas, custos elevados e queda nos preços de grãos comprimiram a rentabilidade, especialmente em regiões de grande expansão do agronegócio. Nesse cenário, o recurso à recuperação judicial cresceu de forma contínua, e muitas empresas têm recorrido ao instrumento como forma de reorganizar dívidas e proteger ativos.

Os dados do terceiro trimestre também ilustram o desafio da retomada. Entre as companhias do agro que encerraram o processo no período, metade acabou falindo. As demais conseguiram retornar às atividades, mas ainda sob forte necessidade de ajustes internos. Para analistas, trata-se de mais um sinal de que soluções preventivas — como mediação, negociação extrajudicial e revisão de modelos de governança — tendem a ganhar espaço à medida que o setor amadurece e busca alternativas menos custosas e morosas.

A perspectiva, no entanto, não aponta para melhora rápida. Consultorias de mercado estimam que a normalização das margens deve levar tempo. As projeções não indicam elevação significativa nos preços das principais commodities em 2026, tampouco redução relevante nos custos de produção. E, enquanto a taxa básica de juros permanecer em patamar elevado, o crédito seguirá caro, comprimindo fluxos de caixa e limitando planos de expansão.

Leia mais:  RAMAX-Group expande atuação no Pará com foco no mercado israelense de carne bovina

Mesmo que os primeiros sinais de alívio possam surgir no fim de 2026, o diagnóstico predominante é de que o setor só recuperará fôlego mais robusto em 2027, quando o custo financeiro deverá recuar para níveis mais compatíveis com o investimento produtivo e quando os ganhos com exportações tendem a melhorar em função de um ciclo mais favorável das commodities. Consultores afirmam que o período de aperto levou quase dois anos para se consolidar, e o processo de saída deve levar proporção semelhante.

Enquanto isso, cresce a discussão sobre a modernização das práticas de gestão e concessão de crédito. Instituições financeiras já ampliam o rigor na análise de risco, ao mesmo tempo em que fortalecem mecanismos de renegociação direta para evitar a judicialização. Do lado das empresas e produtores, passa a ser indispensável o uso de ferramentas de planejamento de longo prazo, controle mais rigoroso de custos e estruturação profissional das decisões financeiras.

A sensação entre analistas é que o atual ciclo de dificuldades pode acelerar a adoção de práticas mais robustas de governança e gestão rural, com impacto positivo no longo prazo. Até lá, porém, o setor ainda terá de atravessar um 2026 de ajustes, endividamento elevado e atenção redobrada para manter as operações viáveis enquanto o ambiente econômico não melhora.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Manejo integrado pode reduzir perdas por geadas no trigo do Sul, alerta Vittia

Publicado

A adoção de manejo integrado nas lavouras de trigo do Sul do Brasil pode ser decisiva para reduzir perdas causadas por geadas e outros eventos climáticos típicos do inverno. A avaliação é da Vittia, que defende o uso combinado de fertilizantes foliares, bioestimulantes e soluções biológicas como forma de fortalecer as plantas e ampliar sua capacidade de tolerar o estresse térmico.

Com a chegada do período mais frio do ano, produtores da região Sul enfrentam desafios recorrentes relacionados a baixas temperaturas, excesso de umidade e ocorrência de geadas, fatores que podem comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade dos grãos.

Produção de trigo projetada em 6,38 milhões de toneladas na safra 2026

De acordo com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de trigo na safra 2026 deve atingir cerca de 6,38 milhões de toneladas. A área cultivada, por sua vez, tende a recuar para aproximadamente 2,14 milhões de hectares, o que reforça a necessidade de maior eficiência produtiva e redução de perdas no campo.

Nesse contexto, o manejo adequado da lavoura passa a ser um fator estratégico para proteger o investimento do produtor rural, especialmente em um cenário de margens mais apertadas e maior exposição ao risco climático.

Geada é um dos principais riscos da cultura do trigo

Segundo a Vittia, a geada está entre os principais fatores de risco para a cultura do trigo no Brasil, podendo impactar diferentes fases de desenvolvimento da planta.

Leia mais:  MMA promove webinários técnico-científicos para subsidiar aperfeiçoamento das regras do Fundo Clima

O coordenador de Desenvolvimento de Mercado da empresa para a Região Sul, Gustavo Rubim, destaca que o planejamento antecipado é essencial para reduzir os impactos das baixas temperaturas.

“Mesmo em um inverno sob influência do El Niño, o produtor não deve descuidar do risco de geadas, sendo fundamental adotar estratégias de manejo bem definidas para reduzir possíveis impactos sobre o desenvolvimento e a produtividade das plantas”, afirma.

Além do frio intenso, Rubim ressalta que o período de inverno também traz outros desafios, como excesso de umidade, maior pressão de doenças e limitações operacionais no campo.

Manejo integrado é fundamental para reduzir riscos climáticos

De acordo com a Vittia, a combinação de práticas de manejo é determinante para aumentar a resiliência das lavouras. Entre as principais estratégias estão:

Principais pilares do manejo integrado:

  • Manejo adequado do solo
  • Nutrição equilibrada das plantas
  • Controle fitossanitário eficiente
  • Uso de soluções biológicas
  • Monitoramento climático constante
  • Escolha correta da época de semeadura
  • Cultivares adaptadas à região

Essas práticas ajudam a reduzir o risco de que fases críticas da cultura coincidam com períodos de maior incidência de geadas.

Impactos da geada variam conforme o estágio da cultura

A Vittia alerta que os danos provocados pelo frio intenso dependem diretamente do estágio fenológico do trigo no momento da ocorrência.

Fase vegetativa: danos geralmente limitados à queima de folhas e redução temporária do crescimento, com possibilidade de recuperação

Leia mais:  Câmara debate projeto que impede desapropriação de terras produtivas

Espigamento, florescimento e enchimento de grãos: riscos mais elevados, com possível esterilidade de espiguetas, falhas na formação dos grãos e redução da produtividade e qualidade

Nutrição foliar e bioestimulantes ajudam na recuperação das plantas

Entre as ferramentas recomendadas para mitigar os efeitos do estresse térmico estão fertilizantes foliares e bioestimulantes. Segundo a empresa, esses produtos atuam como suporte fisiológico, ajudando a manter as plantas mais nutridas e preparadas para enfrentar condições adversas.

Nutrientes como potássio, cálcio, magnésio e micronutrientes contribuem para o equilíbrio metabólico da planta. Já compostos como aminoácidos e extratos de algas auxiliam na recuperação após eventos de geada.

Além disso, os bioestimulantes estimulam mecanismos naturais de defesa, aumentando a atividade antioxidante e reduzindo danos celulares causados pelo frio.

Estratégia deve ser preventiva e integrada, reforça Vittia

Para a Vittia, o uso dessas tecnologias deve estar inserido em uma estratégia de manejo mais ampla, com foco preventivo e planejamento antecipado.

“Não é possível controlar o clima, mas contribuir para que a planta esteja mais equilibrada nutricionalmente antes do evento e tenha melhores condições de recuperação”, destacou Gustavo Rubim.

O cenário reforça a importância de tecnologias agrícolas e práticas integradas como ferramentas essenciais para reduzir riscos climáticos e garantir maior estabilidade produtiva no trigo cultivado na região Sul do Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana