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MCTI consolida maior ciclo de investimentos em ciência e tecnologia desde o fim do contingenciamento do FNDCT

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Há quatro anos, o setor de ciência e tecnologia (C&T) tem avançado de forma considerável no Brasil. Em 2025, os investimentos gerenciados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) bateram mais uma marca histórica. Com uma fase de execução robusta de seus programas estruturantes, o trabalho foi concentrado em entregas concretas. A liberação de recursos pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa vinculada ao MCTI e principal operadora do fundo, atingiu mais um recorde: com orçamento aprovado em R$ 14,66 bilhões, investiu, até o 2º trimestre do ano, R$ 8,39 bilhões.   

O foco do investimento está no legado de infraestrutura e estabilidade: a injeção recorde no Pró-Infra — o montante anunciado para 2024–2025 supera R$ 1 bilhão — para a recuperação de laboratórios; o fim do contingenciamento do FNDCT; o avanço de obras estratégicas como o AmazonFace; e a expansão da Rede Observacional do Novo PAC.  

Obras e Equipamentos em Andamento  

A recuperação da infraestrutura de pesquisa é garantida pelo Pró-Infra. Em 2025, o programa registrou o maior investimento de sua história: R$ 1,5 bilhão. Os recursos estão sendo aplicados diretamente na recuperação de 75 projetos em 42 instituições de ciência, tecnologia e inovação (ICTs). O objetivo é a conclusão de obras civis e a compra de grandes equipamentos, um legado direto para a capacidade de pesquisa nacional.  

Do total de R$ 1,5 bilhão do Pró-Infra em 2025, R$ 1 bilhão está concentrado nos dois editais mais recentes. Na primeira, são R$ 500 milhões para a ampliação de infraestrutura de pesquisa em universidades e ICTs, incluindo aquisição de equipamentos, elaboração de projetos de engenharia e execução de obras complexas.  

Já na segunda, são mais R$ 500 milhões para a criação e modernização de estruturas científicas em seis áreas estratégicas: agroindústria sustentável, saúde, mobilidade urbana, transformação digital, bioeconomia/transição energética e tecnologias para soberania e defesa.  

Projetos de fronteira   

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O projeto AmazonFace, outro grande projeto estruturante do MCTI avança para a fase de entrega em 2026. Trata-se de uma estrutura instalada na Amazônia que simula condições atmosféricas futuras elevando CO no dossel da floresta tropical. O objetivo é entender como o bioma reagirá às mudanças climáticas projetadas. Fruto de uma parceria entre Brasil e Reino Unido, o projeto vai além, ele consolida o Brasil como líder mundial na produção de dados primários para modelos climáticos.  

A pesquisa pretende antecipar os efeitos do aumento de CO₂ e suas consequências para o ecossistema da região, permitindo que decisões baseadas em evidências científicas sejam tomadas. Para a ministra do MCTI, Luciana Santos, o experimento representa não só um avanço, mas o reconhecimento de que a resiliência climática já é uma realidade. “Estamos vivendo esse processo de queimadas, o que só reafirma que esse não é um assunto do futuro, mas do presente”, analisa a ministra.  

Segundo o cientista brasileiro envolvido no projeto AmazonFace, Carlos Alberto Quesada, a ciência é essencial no entendimento das mudanças climáticas. “A previsão é que a região fique mais quente e seca no futuro, o que pode transformar a floresta em savana”, afirmou.  

O Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) complementa o financiamento, com a destinação de mais de R$ 12,1 bilhões. Ele tem sido um pilar estratégico para o avanço de grandes projetos em inovação tecnológica, infraestrutura de pesquisa e transição energética. Em 2025, o MCTI autorizou R$ 2,4 bilhões para ações específicas, focando no fortalecimento da infraestrutura científica e tecnológica do Brasil. O destaque foi a Rede Observacional, que integra iniciativas de monitoramento e análise em tempo real para diversas áreas da pesquisa, como o clima, bioeconomia e inovação digital.  

Como parte dessa estratégia, o MCTI tem direcionado esses recursos para o financiamento de supercomputadores, essenciais para o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) e de projetos de big data, com a instalação de novos laboratórios de pesquisa e a expansão de unidades vinculadas ao ministério, como o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC). Além disso, o MCTI tem apoiado, por meio do Novo PAC, editais voltados à expansão da infraestrutura de pesquisa, com um foco em aceleradores de partículas, inovações tecnológicas e novas plataformas de conhecimento, possibilitando um avanço significativo da ciência nacional.  

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Em 2025, novos projetos estruturantes de ciência e tecnologia passaram a integrar o Novo PAC, como o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), que vai possibilitar ao Brasil autonomia na produção de radioisótopos, essenciais no diagnóstico e tratamento de diversas doenças.  

Economia  

O fomento à inovação no âmbito da Nova Indústria Brasil (NIB) avançou de forma expressiva em 2025, com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao MCTI, e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Foram aprovados, aproximadamente, R$ 14 bilhões em crédito para projetos de inovação de janeiro a setembro de 2025, valor que já iguala todo o crédito aprovado em 2023. Isso evidencia a aceleração dos investimentos em digitalização, modernização e desenvolvimento de tecnologias estratégicas como inteligência artificial e semicondutores.   

Esse esforço coordenado, tem gerado um ambiente de crédito mais robusto e previsível, capaz de impulsionar cadeias produtivas nacionais. Iniciativas voltadas à inteligência artificial vem sendo impulsionadas pela NIB, com cerca de R$ 5,4 bilhões já destinados a soluções de IA até setembro de 2025, incluindo suporte a sistemas integrados, desenvolvimento de hardware especializado e infraestrutura de dados, apontando para uma reconfiguração da base tecnológica industrial no País.   

O conjunto de ações de 2025 deixa claro que a área de ciência e tecnologia voltou a operar com estabilidade e capacidade real de entrega. Para a ministra Luciana Santos, a retomada da ciência simboliza um reposicionamento do país: “Ciência não é gasto, é investimento. E é o investimento mais inteligente e estratégico que um país pode fazer”.   

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Cerâmica ancestral renasce pelas mãos de mulheres da Amazônia

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Uma história viva. É assim que a coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão, Bernardete Araújo, descreve a japuna, um tipo de forno de origem indígena. Hoje, essa e tantas outras peças há tempos esquecidas voltam a ganhar vida pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade que fica em Tefé (AM), graças ao projeto Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões.  

“A japuna, para mim, significa a história viva, um museu vivo. Eu via, desde pequena, minha mãe produzindo e usando essa peça para torrar farinha, café, cacau, milho e castanha. Estamos resgatando o conhecimento tradicional das nossas mães, avós e bisavós”, conta a coordenadora. Outro ponto positivo de voltar a adotar a técnica ancestral é a possibilidade de gerar renda com a venda de vasos, fogareiros, fruteiras e panelas. 

A iniciativa reuniu as mulheres da associação Clube de Mães para atuar em todas as etapas do processo, chamada pelos arqueólogos de cadeia operatória das japuna. Esse processo vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas antepassadas. 

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O projeto conta com três eixos de pesquisa: o primeiro com base em escavações na região; o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres; e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade. A iniciativa é uma parceria entre o grupo e o Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

Segundo a arqueóloga do Mamirauá e uma liderança da iniciativa, Geórgea Holanda, há anos a produção das japuna estava adormecida, com risco de ser extinta. “Mas elas estavam presentes na mente das ceramistas. Então, por meio do projeto, foi possível colocar em prática esse conhecimento. Que foi repassado de geração para geração pelas suas antepassadas”, conta.  

“Voltar a fazer as japuna é como o resgate do conhecimento tradicional dos nossos pais. A gente tem que manter viva essa tradição, esse conhecimento e a continuidade dessa história da nossa ancestralidade”, diz Bernardete. 

De acordo com Geórgea, a relação entre o instituto e a comunidade acontece de forma participativa, sempre respeitando as decisões das pessoas da comunidade. “Esse trabalho só foi possível porque elas aceitaram e passaram esse rico conhecimento para nós”, finaliza a arqueóloga. 

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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