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Governo Federal apresenta modelo técnico para Centro Nacional de Triagem de crimes digitais contra crianças

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Brasília, 23/12/2025 – A Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), apresenta os detalhes técnicos da proposta de criação de um Centro Nacional de Triagem de Denúncias para centralizar o recebimento de relatos dos fornecedores de serviços de tecnologia da informação, sobre crimes digitais cometidos contra crianças e adolescentes.

A iniciativa responde ao crescimento alarmante desses crimes: dados do Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC) revelam que o Brasil registrou 593 mil denúncias em 2024 via cooperação internacional, e o volume diário já ultrapassou 2.500 casos em dezembro de 2025 — crescimento de 56% em apenas um ano. Segundo o NCMEC, o Brasil foi o sétimo país com maior número de denúncias desse tipo de crime em 2024, atrás apenas da Índia, Filipinas, Indonésia, Estados Unidos, Bangladesh e Paquistão.

O relatório do NCMEC aponta tipos de crimes em crescimento exponencial, como manipulação de imagens de crianças reais por inteligência artificial (deepfakes), que saltou de 4,7 mil para 67 mil casos entre 2023 e 2024 — aumento de 1.325%. Outro crime em alta é a extorsão sexual financeira, em que adolescentes são coagidos a pagar para que imagens íntimas não sejam divulgadas.

O Centro será responsável pelo recebimento, triagem unificada e encaminhamento de relatórios sobre conteúdos que apresentem indícios de exploração, abuso sexual, sequestro ou aliciamento de menores, conforme estabelecido no artigo 27 do ECA Digital (Lei 15.211/2025), que entra em vigor em março de 2026.

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 Atualmente, o Brasil depende de cooperação com o NCMEC, que abrange apenas empresas sediadas nos Estados Unidos. Demais fornecedores de serviços digitais que não possuem operações em território norte-americano ficam fora desse fluxo. Com o Centro Nacional, o Brasil passará a ter capacidade própria para receber denúncias de todas as empresas que operam no país, independentemente de sua sede, ampliando significativamente a cobertura da proteção e mantendo a cooperação internacional já estabelecida.

A metodologia e o funcionamento do Centro foram definidos com base em trabalho de seis meses do Comitê Consultivo, instituído pela Estratégia Crescer em Paz, lançada pelo MJSP em abril de 2025. A iniciativa estabelece 46 ações voltadas à proteção e ao enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes em quatro eixos temáticos.

O Comitê foi composto por representantes da Sedigi, Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), Polícia Federal, Subsecretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação da Secretaria Executiva (STI/SE); Representantes da sociedade civil organizada: Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP); Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM); Childhood Brasil; Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes e SaferNet Brasil; além do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

 O relatório técnico entregue detalha em 68 páginas e um anexo a metodologia operacional, benchmarking internacional com modelos de Estados Unidos (NCMEC), Canadá (Cybertip.ca), Reino Unido (IWF) e Austrália (eSafety Commissioner), requisitos tecnológicos para interoperabilidade de bases de dados, protocolos de segurança da informação, e projeções orçamentárias.

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Segundo o documento, o Centro poderá receber denúncias transmitidas de forma automatizada por fornecedores via API padronizada, bem como por outros canais oficiais, integrando as informações em uma base de dados unificada. A partir desse banco de dados, será possível triar os casos mais graves (denúncias “acionáveis”), subsidiar operações policiais coordenadas, fornecer feedback estruturado aos denunciantes, e produzir relatórios públicos periódicos. O Centro se articulará com estruturas já existentes, criando fluxo coordenado e evitando duplicidade de esforços.

“O Centro Nacional representa mudança estrutural no enfrentamento a esses crimes. Hoje, o Brasil processa um alto volume de denúncias, mas ainda o faz de forma fragmentada. Com o novo modelo, teremos capacidade de resposta coordenada, triagem inteligente baseada em risco, e feedback às vítimas e denunciantes. Isso consolidará o Brasil como referência global na proteção de crianças no ambiente digital, alinhando-nos a países como Canadá, Reino Unido e Austrália que já operam sistemas nacionais centralizados, e cumprindo os compromissos assumidos com o ECA Digital”, destaca a Secretária Nacional de Direitos Digitais, Lílian Cintra de Melo.

A proposta técnica subsidiará a regulamentação do ECA Digital que entrará em vigor em março de 2026. O relatório técnico do Comitê Consultivo está disponível no sítio eletrônico da Sedigi.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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Política Nacional de Proteção de Dados avança com participação social

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Brasília, 15/6/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), realizou, na sexta-feira (12), audiência pública para discutir a construção da Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e Privacidade (PNPD).

O evento ocorreu em formato híbrido, no Palácio da Justiça, com transmissão ao vivo pelo YouTube, e reuniu representantes do Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade (CNPD), da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), da sociedade civil, da academia e do setor privado.

O secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Oliveira Fernandes, ressaltou o caráter estratégico da primeira audiência pública após dois mandatos do CNPD.

“A construção da Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e Privacidade representa um passo fundamental. Trata-se de um instrumento que orientará a atuação do Estado brasileiro, fortalecerá os mecanismos de cooperação e ampliará o diálogo interinstitucional em torno dos direitos digitais, promovendo maior coerência, efetividade e participação na formulação de políticas públicas.”

Fernandes também destacou a centralidade do tema para a cidadania digital. “O direito à proteção de dados pessoais e à privacidade é hoje um dos pilares da cidadania digital. Em um contexto de transformação tecnológica acelerada, assegurar esses direitos significa garantir autonomia, dignidade e confiança nas interações digitais.”

A audiência integrou um processo mais amplo de elaboração participativa da política, que tem como referência os subsídios elaborados pelos seis Grupos de Trabalho Temáticos (GTTs) do CNPD, além das diretrizes encaminhadas pela ANPD ao MJSP. Ao todo, foram registradas 22 inscrições de fala da sociedade civil, além das contribuições dos coordenadores dos GTTs.

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Eixos e propostas

Os grupos de trabalho apresentaram recomendações organizadas em seis eixos estruturantes: educação e capacitação em proteção de dados (GTT 1); mecanismos e práticas de conformidade (GTT 2); governança de dados no setor privado (GTT 3) e no setor público (GTT 4); dados pessoais para o desenvolvimento econômico, tecnológico e a inovação (GTT 5); e harmonização entre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a Lei de Acesso à Informação (LAI) (GTT 6).

Entre as propostas apresentadas pelos coordenadores dos GTTs, destacaram-se a criação de uma Escola Nacional de Proteção de Dados, a institucionalização de uma Semana da Privacidade no calendário nacional, o estabelecimento de parcerias com o Ministério da Educação para integrar a temática aos currículos escolares e o desenvolvimento de ferramentas de autoavaliação para órgãos públicos. O GTT 5 propôs 36 subsídios voltados ao equilíbrio entre proteção de direitos e geração de valor econômico a partir do tratamento responsável de dados pessoais.

Representantes da sociedade civil apresentaram contribuições sobre temas como a necessidade de indicadores de monitoramento da política, a harmonização entre a LGPD e o direito de acesso à informação, a regulação do uso de tecnologias de reconhecimento facial e dados biométricos, a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e a inclusão de diretrizes específicas para a segurança pública.

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Organizações como o Instituto Alana, a Transparência Brasil, a Open Knowledge Brasil, a Fiquem Sabendo, o Idec, o iFood e o Instituto Sigilo, entre outras, também participaram da audiência.

A diretora da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), Miriam Wimmer, que participou ao lado do também diretor Iagê Miola, enfatizou a importância de compreender os diferentes anseios e perspectivas da sociedade.

“O CNPD trabalhou diligentemente, constituindo diferentes grupos de trabalho dedicados à abordagem dos diversos temas relacionados à política nacional. Tive a oportunidade de participar de vários desses encontros, nos quais pudemos trocar impressões, compartilhar experiências e acompanhar um trabalho muito sério e competente de construção dessas diretrizes”, disse.

O MJSP informou que as contribuições recebidas durante a audiência, bem como as manifestações escritas que poderão ser encaminhadas posteriormente, serão analisadas e incorporadas ao processo de elaboração da política. A expectativa, reforçada por múltiplos participantes, é que o decreto seja publicado ainda em 2026 — mais de oito anos após a aprovação da LGPD.

“Essa diversidade de perspectivas é fundamental para qualificar a escuta do Governo Federal e contribuir para a elaboração de uma política pública consistente, legítima e representativa”, concluiu Victor Fernandes.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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