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Mercado de trigo encerra 2024 com negociações lentas e colheita concluída no Sul do país

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Negociações paradas e moinhos abastecidos encerram o ano no mercado de trigo

O mercado de trigo no Sul do Brasil chega ao fim de 2024 marcado por baixa movimentação e expectativa de retomada apenas no início de 2025. Segundo levantamento da TF Agroeconômica, o ritmo lento das negociações reflete o período de férias industriais, a paralisação de moinhos para manutenção e o fato de boa parte da indústria já estar abastecida.

No Rio Grande do Sul, as negociações seguem praticamente suspensas. Estima-se que entre 42% e 44% da produção da safra nova já tenha sido comercializada, o que representa cerca de 1,55 milhão de toneladas. Os preços de referência para o trigo destinado à moagem variam de R$ 1.100 a R$ 1.150 por tonelada nos moinhos locais, enquanto no porto os valores ficam entre R$ 1.180 (dezembro) e R$ 1.190 (janeiro).

Para o trigo voltado à ração, os preços estão próximos de R$ 1.120 por tonelada em dezembro e R$ 1.130 em janeiro, com a cotação da saca (“pedra”) a R$ 54 em Panambi. A avaliação predominante é de um mercado confortável para a indústria, sem urgência por novas compras.

Santa Catarina e Paraná também registram lentidão nas negociações

Em Santa Catarina, o cenário é semelhante. Com moinhos entrando em férias, as operações se limitam ao recebimento de lotes já adquiridos. O estado, que ainda não concluiu totalmente a colheita, registra apenas negócios pontuais e sem grande representatividade. Os vendedores indicam preços próximos de R$ 1.200 FOB, enquanto os compradores permanecem fora do mercado até o início de janeiro.

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No Paraná, o mercado praticamente parou após a realização do último leilão. Parte dos moinhos está abastecida até o próximo mês, e os vendedores aguardam uma possível reação dos preços. No norte do estado, os valores nominais giram em torno de R$ 1.250 por tonelada CIF moinho, com pedidos mais altos para janeiro. Nos Campos Gerais, as ofertas variam conforme prazos de entrega e condições de pagamento, mantendo o setor atento aos desdobramentos de início de ano.

Rio Grande do Sul encerra colheita com produtividade acima de 3 mil quilos por hectare

Apesar do ritmo lento nas vendas, a colheita do trigo no Rio Grande do Sul está tecnicamente concluída, segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado em 18 de dezembro. Apenas pequenas áreas nos Campos de Cima da Serra ainda aguardam encerramento dos trabalhos, devido às chuvas registradas no início do mês.

A produtividade média final foi estimada em 3.012 quilos por hectare, com destaque para lavouras de maior investimento tecnológico, que alcançaram peso hectolitro superior a 80 kg/hl — um indicador de boa qualidade industrial. A área total cultivada no estado foi de 1,15 milhão de hectares, resultando em uma produção projetada de 3,44 milhões de toneladas.

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De acordo com a Emater, a variação no rendimento entre as lavouras é reflexo direto das condições climáticas durante o ciclo e dos diferentes níveis de manejo adotados pelos produtores. Em termos de qualidade, o grão colhido apresentou padrão industrial considerado satisfatório, especialmente nas propriedades que aplicaram mais tecnologia no processo produtivo.

Perspectivas para 2025

Com o fim do ciclo produtivo e o escoamento do volume colhido, o setor se prepara para o início do próximo ano com expectativas moderadas. A retomada das negociações deve ocorrer apenas após a normalização das atividades industriais e a reabertura dos moinhos. Enquanto isso, o foco do mercado permanece na formação dos preços e nas condições de exportação e demanda interna.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra de cana 2025/26 no Centro-Sul fecha com 611 milhões de toneladas e setor inicia novo ciclo priorizando etanol

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A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil foi encerrada com moagem de 611,15 milhões de toneladas, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). O volume representa uma redução de 10,78 milhões de toneladas frente ao ciclo anterior, impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo do desenvolvimento da lavoura.

Apesar da retração, o ciclo se consolida como a quarta maior moagem da história da região, além de registrar a segunda maior produção de açúcar e etanol.

Moagem e produtividade: clima reduz desempenho agrícola

A produtividade média agrícola ficou em 74,4 toneladas por hectare, queda de 4,1% em relação à safra anterior, conforme dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

O desempenho foi desigual entre os estados:

  • Quedas: São Paulo (-4,3%), Goiás (-9,4%) e Minas Gerais (-15,9%)
  • Altas: Mato Grosso (+3,2%), Mato Grosso do Sul (+6,0%) e Paraná (+15,5%)

A qualidade da matéria-prima também recuou. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) ficou em 137,79 kg por tonelada, redução de 2,34% na comparação anual.

Segundo a UNICA, a menor moagem já era esperada diante das condições climáticas observadas durante o ciclo.

Produção de açúcar e etanol: estabilidade e leve recuo

A produção de açúcar totalizou 40,43 milhões de toneladas, praticamente estável frente às 40,18 milhões do ciclo anterior, mas abaixo do recorde histórico de 42,42 milhões registrado em 2023/2024.

Já a produção total de etanol somou 33,72 bilhões de litros, recuo de 3,56% na comparação anual.

O detalhamento mostra movimentos distintos:

  • Etanol hidratado: 20,83 bilhões de litros (-7,82%)
  • Etanol anidro: 12,89 bilhões de litros (+4,22%), segunda maior marca da série histórica

O etanol de milho ganhou ainda mais relevância, com produção de 9,19 bilhões de litros (+12,26%), representando 27,28% do total produzido no Centro-Sul.

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Vendas de etanol: mercado interno segue dominante

No mês de março, as vendas de etanol totalizaram 2,79 bilhões de litros, com forte predominância do mercado doméstico.

  • Mercado interno: 2,75 bilhões de litros (-0,06%)
  • Exportações: 45,11 milhões de litros (-71,22%)

No consumo interno:

  • Etanol hidratado: 1,66 bilhão de litros (+20,25% ante fevereiro)
  • Etanol anidro: 1,09 bilhão de litros (+4,80%)
  • No acumulado da safra:
  • Hidratado: 20,34 bilhões de litros
  • Anidro: 13,04 bilhões de litros (+7,08%)

O avanço do anidro foi impulsionado, entre outros fatores, pela implementação da mistura E30 (30% de etanol na gasolina) a partir de agosto de 2025.

Além do impacto econômico — estimado em R$ 4 bilhões de economia para proprietários de veículos flex — o consumo de etanol evitou a emissão de 50 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, recorde histórico do setor.

Nova safra 2026/27 começa com moagem mais forte

A safra 2026/2027 já começou com ritmo acelerado. Na primeira quinzena de abril de 2026, a moagem atingiu 19,56 milhões de toneladas, crescimento de 19,67% frente ao mesmo período do ciclo anterior.

Ao todo, 195 unidades estavam em operação:

  • 177 com moagem de cana
  • 10 dedicadas ao etanol de milho
  • 8 usinas flex

A qualidade da matéria-prima permaneceu estável, com ATR de 103,36 kg por tonelada.

Novo ciclo prioriza etanol e reduz produção de açúcar

O início da nova safra mostra uma mudança clara de estratégia industrial. Apenas 32,93% da cana foi destinada à produção de açúcar na primeira quinzena, enquanto mais de dois terços foram direcionados ao etanol.

  • Como consequência:
    • Produção de açúcar: 647,21 mil toneladas (-11,94%)
    • Produção de etanol: 1,23 bilhão de litros (+33,32%)
  • Desse total:
    • Hidratado: 879,87 milhões de litros (+18,54%)
    • Anidro: 350,20 milhões de litros
    • Etanol de milho: 411,94 milhões de litros (+15,06%), com participação de 33,49%
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O movimento reflete um cenário de mercado mais favorável ao biocombustível neste início de ciclo.

Vendas na nova safra e expectativa de alta no consumo

Na primeira quinzena da safra 2026/2027, as vendas totalizaram 1,28 bilhão de litros:

  • Hidratado: 820,15 milhões de litros
  • Anidro: 460,87 milhões de litros

No mercado interno, foram comercializados 1,25 bilhão de litros, enquanto as exportações somaram 28,88 milhões de litros (+18,03%).

A expectativa é de aceleração nas vendas nas próximas semanas, à medida que a queda de preços nas usinas seja repassada ao consumidor final, aumentando a competitividade do etanol frente à gasolina.

CBios: setor já avança no cumprimento das metas do RenovaBio

Dados da B3 até 29 de abril indicam a emissão de 14 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) em 2026.

O volume disponível para negociação já soma 25,13 milhões de créditos. Considerando os CBios emitidos e os já aposentados, o setor já disponibilizou cerca de 60% do total necessário para o cumprimento das metas do RenovaBio neste ano.

Análise: etanol ganha protagonismo em meio a incertezas globais

O início da safra 2026/2027 confirma uma tendência estratégica: maior direcionamento da cana para a produção de etanol, impulsionado por fatores como:

  • demanda doméstica consistente
  • políticas de descarbonização
  • maior previsibilidade no mercado interno
  • cenário internacional de incertezas energéticas

Com isso, o setor sucroenergético reforça seu papel na matriz energética brasileira, ao mesmo tempo em que ajusta sua produção às condições de mercado, buscando maior rentabilidade e segurança comercial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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