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Mercado de Trigo Lento no Sul e Alta Internacional Sustentam Expectativas para 2026

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Negociações pontuais e preços firmes marcam o mercado no Sul do país

O mercado de trigo segue com ritmo lento nas principais regiões produtoras do Sul do Brasil. Com moinhos ainda abastecidos e produtores cautelosos, as negociações permanecem pontuais e concentradas em contratos de curto prazo.

No Rio Grande do Sul, de acordo com a TF Agroeconômica, vendedores demonstram pouca disposição para negociar novos volumes, enquanto compradores buscam oportunidades pontuais. As ofertas no interior partem de R$ 1.100 por tonelada, com demanda entre R$ 1.050 e R$ 1.070 para entregas em março e pagamento em abril.

No porto, a exportação indica preços próximos de R$ 1.150, mas sem avanço nos negócios. O trigo paraguaio segue como o mais competitivo no estado, seguido pelo uruguaio, ambos com diferença média de R$ 120 por tonelada em relação ao produto argentino. O preço ao produtor em Panambi (RS) está em torno de R$ 54 por saca.

Santa Catarina e Paraná mantêm estabilidade e ritmo contido

Em Santa Catarina, o trigo gaúcho chega aos moinhos do Leste a preços entre R$ 1.230 e R$ 1.250 CIF, abaixo das ofertas locais, que variam de R$ 1.250 a R$ 1.300 FOB. No Centro e no Oeste catarinense, o mercado segue calmo, com moinhos comprando diretamente de produtores e cooperativas mantendo o abastecimento via balcão.

Os preços ao produtor apresentam leve variação entre as regiões: R$ 61 por saca em Joaçaba, R$ 62 em Rio do Sul e R$ 65 em Xanxerê.

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No Paraná, os moinhos permanecem cobertos até fevereiro e concentram as próximas compras para entregas em março. O abastecimento continua baseado no trigo paraguaio e gaúcho, considerados mais competitivos que o produto local. Os preços giram em torno de R$ 1.200 CIF nos Campos Gerais e chegam a R$ 1.280 no Norte e no Oeste do estado.

Mercado internacional reage à demanda firme e risco climático

No cenário global, o trigo apresenta recuperação nas principais bolsas de commodities, impulsionado pela demanda firme e pelas preocupações com o clima nas regiões produtoras.

Na Bolsa de Chicago, o trigo brando SRW para março subiu 1,03%, cotado a US$ 5,41 por bushel, enquanto o contrato de maio avançou para US$ 5,50. Em Kansas, o trigo duro HRW registrou alta de 0,88%, e em Minneapolis, o HRS subiu 1,04%.

Na Europa, o trigo para moagem em Paris encerrou a sessão com valorização de 0,66%, atingindo € 191,25 por tonelada. O movimento foi sustentado por um relatório de exportações do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), que apontou vendas de 558 mil toneladas, acima da média das últimas semanas.

O clima adverso na Ucrânia, com temperaturas abaixo de -30°C, e a falta de chuvas nas planícies do sul dos Estados Unidos reforçam o temor de perdas na safra de inverno, o que mantém os preços sustentados no curto prazo.

Câmbio e política monetária do Banco Central afetam custos e competitividade

No Brasil, o câmbio e a política monetária continuam influenciando os preços das commodities agrícolas. A recente decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em 15% ao ano, na primeira reunião de 2026, reforça um cenário de cautela em meio às incertezas econômicas globais.

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A autoridade monetária destacou que a inflação segue dentro da meta, abaixo de 4,5%, mas que a estabilidade dos preços ainda depende do comportamento do câmbio e do cenário internacional. Analistas do mercado financeiro projetam que o Comitê de Política Monetária (Copom) possa iniciar um ciclo de cortes graduais a partir de março de 2026, reduzindo os juros entre 0,25 e 0,50 ponto percentual.

Uma redução gradual da taxa Selic tende a melhorar o custo de crédito e pode beneficiar o agronegócio, especialmente na formação de estoques e nas operações logísticas. Por outro lado, a valorização recente do real frente ao dólar limita parte da competitividade das exportações de grãos.

Perspectivas para o trigo em 2026

Com o cenário ainda incerto no clima e no câmbio, o mercado de trigo deve permanecer ajustado, com negociações lentas e preços firmes no curto prazo. A oferta regional continua equilibrada, e os custos logísticos seguem pressionados pelo alto preço do frete.

A expectativa é de que, com a melhora das condições de crédito e uma possível descompressão cambial, o setor ganhe ritmo nas negociações a partir do segundo trimestre de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Vazio Sanitário da Soja em Goiás começa em 27 de junho e reforça combate à ferrugem asiática

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O período de vazio sanitário da soja em Goiás terá início no próximo dia 27 de junho e seguirá até 24 de setembro de 2026. Durante esse intervalo, fica proibida a presença de plantas vivas de soja nas propriedades rurais, incluindo aquelas que surgem espontaneamente após a colheita, conhecidas como tigueras ou plantas guaxas.

A medida, definida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) por meio da Portaria nº 1.579/2026, tem como principal objetivo interromper o ciclo de sobrevivência de pragas e doenças, especialmente da ferrugem asiática, considerada a mais severa ameaça fitossanitária à cultura da soja no Brasil.

Já a janela oficial de semeadura da safra 2026/27 em Goiás ocorrerá entre 25 de setembro de 2026 e 2 de janeiro de 2027.

Ferrugem asiática exige atenção dos produtores

A Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) alerta que a eliminação das plantas voluntárias é fundamental para evitar a chamada “ponte verde”, condição que permite a sobrevivência e a multiplicação de agentes causadores de doenças entre uma safra e outra.

Segundo o presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta Ramos, o vazio sanitário é uma estratégia consolidada e respaldada por estudos científicos que contribuem diretamente para a produtividade das lavouras.

“O vazio sanitário é uma medida comprovadamente eficaz para reduzir a pressão de doenças e preservar a competitividade da sojicultura goiana”, destaca.

O gerente de Sanidade Vegetal da Agrodefesa, Leonardo Macedo, reforça que as plantas tigueras representam um dos principais desafios no período de entressafra.

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De acordo com ele, essas plantas servem de hospedeiras para o fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática, além de favorecer a sobrevivência de outras pragas importantes, como a mosca-branca, reconhecida por seu elevado potencial reprodutivo.

Goiás responde por mais de 11% da produção nacional de soja

A importância do cumprimento das medidas sanitárias ganha ainda mais relevância diante do peso da produção goiana no cenário nacional.

Dados do 9º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que Goiás deverá encerrar a temporada com produção estimada em 20,1 milhões de toneladas de soja, ocupando a terceira posição entre os maiores produtores do país.

O volume representa aproximadamente 11,3% de toda a soja produzida no Brasil.

Para o diretor de Defesa Agropecuária da Agrodefesa, Rafael Vieira, a dimensão da produção estadual exige comprometimento conjunto entre produtores, entidades e órgãos públicos.

“A adoção das medidas fitossanitárias é essencial para fortalecer a sustentabilidade e ampliar a competitividade da agricultura goiana nos mercados nacional e internacional”, afirma.

Cadastro de lavouras permanece obrigatório

Além de cumprir o vazio sanitário e respeitar a janela de semeadura, os produtores devem realizar o cadastro das áreas cultivadas no Sistema de Defesa Agropecuária de Goiás (Sidago).

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A obrigatoriedade está prevista na Instrução Normativa nº 6/2024, que institui o Programa Estadual de Prevenção e Controle de Pragas para a Cultura da Soja.

O registro das lavouras deverá ser realizado até 15 dias após o encerramento do período oficial de semeadura, com prazo final estabelecido para 17 de janeiro de 2027.

O que é a ferrugem asiática da soja?

A ferrugem asiática é uma doença provocada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, que ataca as folhas da soja e provoca o surgimento de pequenas lesões e pústulas de coloração marrom ou alaranjada.

A disseminação ocorre por meio de esporos transportados pelo vento, capazes de percorrer longas distâncias e infectar rapidamente novas áreas produtivas.

Sem controle adequado, a doença pode causar desfolha precoce, comprometer o enchimento dos grãos, elevar os custos com fungicidas e provocar perdas superiores a 70% da produtividade em situações de alta severidade.

Por esse motivo, especialistas consideram o vazio sanitário uma das principais ferramentas para reduzir a pressão da doença e garantir maior segurança produtiva para a próxima safra de soja.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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