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Europeus Ameaçam Suspender Importação de Soja Brasileira Após Fim da Moratória

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Europa Pressiona o Brasil Após Fim da Moratória da Soja

As principais redes varejistas da Europa emitiram uma carta aberta alertando que poderão interromper a compra de soja brasileira caso as tradings e indústrias do setor não garantam a origem de áreas livres de desmatamento. O comunicado é a primeira reação institucional europeia à decisão das empresas e da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) de se retirarem da moratória da soja — acordo criado em 2006 para impedir o cultivo do grão em áreas desmatadas da Amazônia após 2008.

O documento é assinado por 14 grandes grupos varejistas, entre eles Tesco, Sainsbury’s, Migros, Coop, Aldi, Lidl e Marks & Spencer, e foi endereçado aos executivos de gigantes do agronegócio mundial, como ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfuss e Cofco.

“Estamos profundamente desapontados ao ver que a Abiove e suas afiliadas se retiraram voluntariamente da moratória”, diz o texto, que também foi encaminhado à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e ao presidente da Abiove, André Nasser.

O Que Está em Jogo: A Moratória e o Desmatamento

A moratória da soja é considerada um dos instrumentos ambientais mais importantes do setor agrícola brasileiro. Criado em 2006, o acordo proíbe a comercialização de soja cultivada em áreas desmatadas da Amazônia após 2008, e ao longo de quase duas décadas foi apontado como um dos fatores que ajudaram a reduzir o desmatamento no bioma amazônico.

Com a saída das empresas do pacto, as varejistas europeias afirmam que há risco de retrocesso ambiental. O grupo Retail Soy Group, que representa os maiores supermercados do Reino Unido e da União Europeia, afirmou que “recuar significa enfraquecer as medidas contra o desmatamento e comprometer os esforços de sustentabilidade”.

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As empresas também deram prazo até 16 de fevereiro para que as tradings expliquem como pretendem manter a rastreabilidade da soja — um dos pilares centrais do acordo encerrado.

Abiove Defende Código Florestal e Políticas Públicas

Em nota divulgada em janeiro, a Abiove afirmou que a moratória “cumpriu seu papel histórico ao longo de quase duas décadas”, consolidando o Brasil como referência mundial em produção sustentável. Segundo a entidade, as atuais políticas públicas e o Código Florestal seriam suficientes para garantir o cumprimento das normas socioambientais e atender às exigências dos mercados internacionais.

“O setor continuará atendendo individualmente às rigorosas demandas dos mercados globais”, afirmou a associação.

Pesquisadores, porém, contestam essa visão. Segundo Aline Soterroni, da Universidade de Oxford, o Código Florestal sozinho evitaria apenas metade do desmatamento projetado até 2050. Em artigo recente, a pesquisadora destacou que a manutenção da moratória, ampliada ao Cerrado, não comprometeria o crescimento da produção agrícola e contribuiria para metas de sustentabilidade.

Impacto Ambiental e Político

A decisão da Abiove ocorre em um momento sensível para o governo federal, que tem como meta zerar o desmatamento até 2030, compromisso reafirmado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a COP30, em Belém (PA).

Especialistas avaliam que a retirada da moratória pode dificultar o alcance dessa meta, além de afetar a imagem internacional do agronegócio brasileiro, especialmente junto aos consumidores europeus, conhecidos por sua sensibilidade a temas ambientais.

A polêmica também se entrelaça com questões jurídicas e fiscais. Em Mato Grosso, um relatório revelou que as tradings receberam cerca de R$ 4,7 bilhões em incentivos fiscais entre 2019 e 2024. Uma lei estadual que restringia benefícios a empresas signatárias da moratória foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas a decisão caducou em 1º de janeiro, reacendendo o debate.

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Repercussões e Desdobramentos

O tema ganhou ainda mais visibilidade na Europa. O Parlamento Europeu decidiu remeter o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul à Justiça, decisão que deve atrasar em pelo menos dois anos a tramitação do tratado — um reflexo direto da crescente preocupação ambiental no bloco.

A saída das empresas do pacto também chegou a ser alvo de um inquérito do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que investigava se o acordo configurava prática de cartel. O processo foi interrompido por decisão do ministro Flávio Dino, relator do caso no STF, que ainda deve se manifestar sobre a retomada da ação.

Soja: Principal Motor da Balança Comercial Brasileira

A soja continua sendo o principal produto da pauta de exportações do Brasil. As estimativas para 2026 apontam embarques entre 112 e 114 milhões de toneladas, mantendo o país como líder global nas exportações do grão.

Em 2025, o complexo soja — que inclui grão, farelo e óleo — movimentou US$ 52,9 bilhões, reforçando sua importância para a economia nacional. Contudo, o recente impasse com a Europa e o possível boicote de compradores podem representar riscos para o setor e para a imagem de sustentabilidade do agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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MPA debate produção sustentável de tilápia no reservatório de Itaipu e avanço da cooperação com o Paraguai

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O ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, participou nesta quinta-feira (3), em Foz do Iguaçu (PR), do workshop “Desenvolvimento Sustentável da Tilapicultura no Reservatório de Itaipu”. O encontro reuniu autoridades do Brasil e do Paraguai para discutir o potencial produtivo do reservatório e o avanço da cooperação bilateral para o desenvolvimento sustentável da atividade. O encontro contou também com a participação do ministro do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Paraguai, Rolando de Barros Barreto.

Durante o evento, Edipo destacou o potencial produtivo do reservatório, que possui capacidade de suporte estimada em até 400 mil toneladas de tilápia, e ressaltou a importância de avançar na construção de um modelo de produção sustentável. Atualmente, o Brasil é o quarto maior produtor mundial da espécie. Para Edipo, o avanço do acordo entre os dois países poderá ampliar a produção brasileira e fortalecer a participação do país no mercado internacional.

“Estamos trabalhando com a maior celeridade para avançar nas questões diplomáticas, principalmente as que envolvem o acordo”, afirmou o ministro. Ele também destacou a importância de aproveitar o momento para construir, de forma conjunta, o modelo de produção e uso sustentável do reservatório.

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Semana do Pescado

Durante o workshop, Edipo também reforçou a importância da Semana do Pescado, realizada até 15 de setembro. A iniciativa busca incentivar o consumo de pescado e ampliar a presença dessa proteína na alimentação dos brasileiros ao longo do ano.

O ministro salientou que o país ainda concentra o consumo em períodos específicos, como a Semana Santa e o Natal, e defendeu a ampliação desse hábito. “Do dia 1º de setembro ao dia 15 de setembro, está ocorrendo a Semana do Pescado, a gente precisa cada vez mais universalizar o consumo dessa proteína”, destacou.

Edipo também ressaltou a relação entre o consumo de pescado, a saúde e a sustentabilidade ambiental. Segundo ele, o fortalecimento da aquicultura é estratégico para ampliar a oferta de alimentos diante do crescimento da demanda e reduzir a pressão sobre os recursos pesqueiros naturais.

O ministro destacou ainda a relevância da tilápia para a aquicultura brasileira. De acordo com os dados apresentados durante o workshop, a espécie representa cerca de 75% da produção aquícola comercial do país, enquanto as espécies nativas correspondem a aproximadamente 20%.

Reunião bilateral

Após o workshop, os ministros Edipo Araujo e Rolando de Barros Barreto realizaram uma reunião bilateral, dando continuidade às discussões sobre a cooperação entre Brasil e Paraguai e às tratativas relacionadas ao desenvolvimento sustentável da tilapicultura no reservatório de Itaipu.

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Élen Gorski
Ministério da Pesca e Aquicultura
[email protected]

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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